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Manaus
LIXO

Lixo em toda esquina: população de Manaus sofre com falta de coleta e limpeza urbana

Precariedade do serviço deixa resíduos e entulhos acumulados pelas ruas e “esquece” algumas localidades das zonas Norte, Leste e Oeste 08/11/2017 às 05:30 - Atualizado em 08/11/2017 às 08:52
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Lixo e entulho acumulados nas ruas do Zumbi atrapalham pedestres. Foto: Winnetou Almeida
Silane Souza Manaus (AM)

Calçadas cheias de mato, lixo doméstico e entulhos. Este é o cenário de muitas ruas de bairros em diferentes zonas de Manaus. Moradores dessas áreas dizem que acionam a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) para resolver o problema, mas nenhuma providência é tomada. Enquanto isso, a sujeira segue se acumulando a cada esquina.

Um dos exemplos desse problema fica na rua Cacique Ângelo Creta, no bairro Zumbi dos Palmares, Zona Leste. A via está tomada por galhos e troncos de árvores que caíram durante o temporal do último dia 30 e os moradores temem que aconteça um incêndio devido ao acúmulo de material seco. 

A dona de casa Delfina André de Souza, 60, disse que todas as noites os moradores da rua jogam água nos cinco montes de entulhos formados ao longo da via com medo de que algum desocupado ateie fogo neles ao passar pelo local. “A situação está cruel. Estou preocupadíssima”, afirmou.


Lixeiras no bairro Nova Cidade estão lotadas e sujam ruas (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Conforme ela, um vizinho está tentando, desde que aconteceu o temporal, fazer com que a Semulsp envie uma caçamba para recolher os entulhos, mas ainda não teve nenhuma resposta, somente promessa, que nunca é cumprida. Enquanto isso, o ‘monte’ de lixo só cresce.

Essa situação também acontece em outras ruas do bairro, como Irmã Creuza Coelho e travessa Portugal, para ficar só em duas delas. “O pior é que tem muitas pessoas que aproveitam esse acúmulo para descartar outros tipos de resíduos, deixando o problema ainda maior”, destacou o motorista Marcos Antônio, 53.

Situação precária em toda a cidade

As ruas do conjunto Nova Cidade, na Zona Norte, também ficam com muito lixo doméstico acumulado e estão encobertas pelo mato alto, de acordo com os moradores. A dona de casa Janaina Pereira, 34, disse que o carro coletor sempre passa, mas não atende a demanda de forma satisfatória. Para ela, é preciso aumentar a oferta do serviço.


Na avenida do Cetur, lixeiras comunitárias estão transbordando (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Situação parecida ocorre nas ruas adjacentes à avenida do Cetur, no bairro Tarumã, Zona Oeste. Na região, o carro coletor de lixo passa apenas pela via principal. Moradores de dezenas de casas que ficam nas ruas que cortam a principal precisam carregar o lixo até a avenida para que ele seja coletado. “Como não temos coleta na frente de casa temos que levar o lixo a uma lixeira comunitária”, disse a dona de casa Lúcia Souza, 46. O problema é que nem mesmo a lixeira comunitária recebe a atenção devida, ficando, frequentemente, sobrecarregada e “transbordando” lixo.

Matagal invade espaço do pedestre

Não bastasse o lixo acumulado, a maioria das calçadas das ruas do conjunto Nova Cidade, na Zona Norte, está tomada pelo mato,  dificultando a passagem de pedestres e colocando em risco a vida deles. Entre as que apresentam o problema estão as ruas 155 e  Mikonos e a avenida Creta. 

A estudante de pedagogia Neila Maria, 41, afirmou que há muito tempo as ruas do conjunto não recebem ação de capinação da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp). E os próprios moradores é que limpam, se quiserem trafegar em segurança a pé. Para ela, o Nova Cidade está “esquecido” pelo poder público. “Nossas ruas estão cheias de mato, lixo e buracos. A população não tem vez aqui”, disse.

Coleta beneficia menos de 15% da população

Não é só a coleta domiciliar e a limpeza urbana que desagradam moradores da capital. A falta de coleta seletiva na maioria dos bairros também é alvo de críticas. A Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) informou que o serviço atende, em média, 300 mil pessoas este ano, o que corresponde a menos de 15% da população da capital. 

A Semulsp informou que caminhões identificados percorrem parte da cidade diariamente, cumprindo uma média de 12 rotas por dia, totalizando 122 localidades atendidas, entre conjuntos residenciais, condomínios, comunidades, órgãos públicos e militares e escolas.


No Zumbi, moradora tem a vista da varanda “tapada” por lixo (Foto: Euzivaldo Queiroz)

O serviço consiste em incentivar a população a separar o lixo doméstico, entregando para a reciclagem os materiais que podem ser reaproveitados, como garrafas pet, embalagens de tetra-pack, plásticos, latinhas, papel e papelão, entre outros produtos.

Além da coleta seletiva porta a porta, a população também pode separar o próprio lixo doméstico e levar até os pontos de entrega voluntária (PEVs) mantidos pela Prefeitura de Manaus em parceria com associações e grupos de catadores. Eles estão disponíveis nos parques Ponte dos Bilhares, do Mindu (Zona Centro-Sul) e Lagoa do Japiim (Zona Sul) e na Praça do Dom Pedro (Centro-Oeste).

Solução encaminhada

Questionada, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana informou que as denúncias feitas à reportagem foram repassadas ao setor operacional da pasta para o deslocamento de uma equipe até os locais apontados, a fim de resolver esses problemas pontuais.