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Moradores de casas interditadas pela Defesa Civil continuam em área de risco em Manaus

Após a forte chuva da última quarta-feira na cidade, a Defesa Civil interditou 11 casas do beco José Casemiro, localizado no Centro de Manaus, mas moradores continuam no local por não saber para onde ir 23/05/2014 às 21:26
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As 11 casas ficam no beco José Casemiro e são todas feitas em madeira. Elas estão fragilizadas pela chuva e a cheia
Jéssica Vasconcelos ---

As famílias do beco José Casemiro, no bairro do Céu, Centro, não sabem o que fazer depois da chuva da última quarta-feira que fez com que a Defesa Civil interditasse 11 casas. A aposentada Lucidalva Souza da Silva, 60, que mora com três filhos e 15 netos, por exemplo, não sabe para onde ir com a interdição.

Segundo ela, durante a madrugada os moradores sentiram as casas balançarem, ficaram desesperados e acionaram o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Manaus. Os técnicos constataram que não era seguro às familias continuarem no local. Quem não teve para onde ir contou com o apoio dos vizinhos e armou redes onde era possível. “Conseguimos passar a noite, mas não dá pra continuar nessa situação”, disse a aposentada.

De acordo com Lucidalva, todas as familias estão inscritas desde 2009 no Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), mas nunca tiveram retorno e por isso todos os anos é preciso gastar cerca de R$ 600 para reforçar a estrutura da casa. “Eu gastei dinheiro para reforçar a casa, mas esse ano não teve jeito infelizmente”, contou Lucidalva.

O funcionário da Defesa Civil municipal Altaci Gomes esteve nesta quinta-feira (22) de manhã no beco José Casemiro e informou que as familias prejudicadas vão ser incluídas no programa de auxilio aluguel, cujo valor é de R$ 300. Ele disse ainda que a casa da moradora Lucidalva será demolida, pois por ser de dois andares representa ameaça para outras residências.

Para os moradores o valor é pouco, pois não é fácil encontrar casa para alugar nesse valor e pedem que o poder público tome providências para ajudar. A dona de casa Keila Magalhães, 38, diz que se pudesse estava morando em outro lugar, pois todos os anos as crianças ficam expostas a doenças e ratos.

Nesta quinta-feira o rio Negro chegou à cota de 28,99 metros, ultrapassando cinco centimentros da cota de emergência que é de 28,94 metros.

De acordo com gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), André Martinelli, somente no final de maio vai ser possível dizer se a enchente de 2014 alcançará a cota registrada em 2012. “Nós estamos acompanhando, mas acreditamos que a enchente será parecida com a de 2013 que foi de 29,33 metros”, disse o gerente.

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