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Manaus
FEDOR SENTIDO DE LONGE

Moradores denunciam abatedouro de ave sem estrutura adequada, na Zona Norte

Mesmo após fiscalizações feitas pelo Dvisa, da Semsa, o estabelecimento continua funcionando a todo vapor e sem higiene no bairro Colônia Santo Antônio 18/05/2017 às 05:00
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A reportagem conseguiu flagrar o momento em que os funcionários trabalham sem material adequado. Foto: Evandro Seixas
Rita Ferreira Manaus

Moradores do bairro Colônia Santo Antônio, na Zona Norte de Manaus, precisam conviver diariamente com  o fedor e restos de carne provocado por um abatedouro de galinhas situado na rua Santo Amaro. Mesmo após fiscalizações feitas pelo Departamento de Vigilância Sanitária (Dvisa) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o estabelecimento continua funcionando a todo vapor, sem higiene, e coloca em risco a saúde de quem mora nos arredores do local.

 Cansados de fazer denúncias que não resultaram em nada, os moradores procuraram o Portal ACRITICA para relatar a dificuldade enfrentada por eles há mais de 15 anos. Os denunciantes, que não quiseram se identificar por medo de represálias, contam que tiveram que tomar algumas medidas para amenizar o mau cheiro que toma conta da rua e das casas.

Um morador de 34 anos relatou que no início do ano o filho, de 12 anos, passou por duas cirurgias e ficou 27 dias internado no Pronto Socorro da Criança da Zona Oeste, localizado no bairro Compensa, ao apresentar uma infecção causada por insetos. “Os médicos disseram que a infecção foi causada por moscas e aqui o que mais tem é isso por causa do mau cheiro e dos restos de frango desse matadouro”, contou.

 Morando há seis anos na rua Castro Alves, paralela à rua do estabelecimento, um empresário de 41 anos relatou que não aguentava mais limpar restos de frango que transbordavam do bueiro localizado na frente da casa dele. O homem construiu uma tampa de cimento e tampou o bueiro, o que resolveu o problema dos resíduos, mas não o odor.

Sangue e penas
Todo dia a minha vida era limpar sangue, muitas penas e restos de galinha que ficavam aqui na rua. Era algo bem nojento. O bueiro não aguentava a quantidade e transbordava. Eu fui até lá e avisei que tamparia o bueiro e que eles dessem o jeito deles se a água voltasse”, explicou.

A esposa dele, uma dona de casa de 33 anos, disse que dentro de casa o odor é ainda bem ruim. “Nós temos um bebê que passa o dia inteiro sentindo esse fedor. Quando ligamos o ar condicionado é terrível. Eles só trabalham a noite, então é insuportável ficar dentro de casa”, desabafou.

Outra moradora que reside no local há 15 anos disse que já fez denúncias à Dvisa diversas vezes e viu o local ser fechado uma vez, o dono ser autuado e várias máquinas serem apreendidas pelo órgão, mas em pouco tempo o estabelecimento volta a operar. “A gente precisa saber se esse local tem licença para funcionar porque não é possível que eles possam matar frango nessas condições de higiene”, concluiu.

Semsa passa a bola para SIE
A reportagem bateu na porta do abatedouro, mas ninguém atendeu para prestar esclarecimentos. A Semsa informou que devido a uma determinação federal, o controle e inspeção de produtos de origem animal - desde o abate até a comercialização - passaram para a responsabilidade do SIE - Serviço de Inspeção Estadual, da Secretaria Estadual de Produção Rural, mas se prontificou a realizar uma fiscalização no local.