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Moradores disputam terreno na Zona Norte de Manaus

Os moradores brigam na Justiça pela posse da área com pessoas que alegam ter comprado lotes de terra de imobiliárias e de uma construtora. A área em conflito envolve parte dos bairros Águas Claras e Novo Aleixo, além dos conjuntos Arco Iris e Parque das Garças, todos na Zona Norte. 08/09/2012 às 08:14
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Mais de mil famílias vivem atualmente no loteamento Parque das Garças, na Zona Norte, em um terreno de 2,2 milhões de metros quadrados
Milton de Oliveira Manaus,Am

Uma disputa por um terreno de 2,2 milhões de metros quadrados na Zona Norte, que já dura 12 anos, vem tirando o sono de mais de mil famílias que ocupam a área e temem serem retiradas do local por uma nova ação de reintegração de propriedade, como a que ocorreu há cerca de dois anos.

Os moradores ainda brigam na Justiça pela posse da área com pessoas que alegam ter comprado lotes de terra de imobiliárias e de uma construtora. A área em conflito envolve parte dos bairros Águas Claras e Novo Aleixo, além dos conjuntos Arco Iris e Parque das Garças, todos na Zona Norte.

Em 2010, 70 famílias tiveram as casas destruídas em uma ação de reintegração de posse. Elas haviam comprado, de uma imobiliária, lotes que estavam localizados em terras da prefeitura e em Áreas de Preservação Permanente (APP). Dois anos depois, o impasse sobre a propriedade do terreno permanece e a ameaça de não ter onde morar preocupa os ocupantes do local.

Herdeiros

De acordo com os moradores, o terreno em disputa foi comprado dos filhos do proprietário, Pedro Silveira de Carvalho, 93, que possui documentos comprovando a posse da área, datados de 1952.

 “Estamos dispostos a lutar pela terra, pois temos como provar que ela é nossa. Aparecem pessoas com papéis assinados por juizes plantonistas, exigindo que deixemos o lugar, mas isso não está certo”, reclamou a moradora Alcineide Barbosa Carvalho, que é nora do aposentado Pedro Silveira.

Segundo ela, muitas pessoas que dizem ter comprado os lotes se dispõem a negociar a venda dos terrenos, o que, alega Alcineide, indica que os documentos que eles apresentam são falsos. “Uma mulher queria R$ 10 mil pelo meu terreno. Não negociei porque tenho documento da compra”, disse Alice Fontes, 29.

Uma moradora, que pediu para não ter o nome identificado, contou que há pessoas ocupando lotes próximos a Área de Preservação Ambiental (APP), onde fica o lago do Geladinho. “Não conhecemos essas pessoas e não conhecemos as pessoas que pagam às imobiliárias para ficar com os lotes”, disse.

Segundo moradores, as empresas envolvidas são a imobiliárias Vieiralves, Pinheiro Landim e a Planecon-Planejamento, Empreendimento e Construção. A reportagem tentou entrar em contato com os responsáveis pelas empresas, mas eles não foram localizados.

Suposta dona presa por invasão

 A também nora de Pedro Silveira, Denise Carvalho, 43, afirma que as imobiliárias estão agindo de má-fé. “Elas estão vendendo e emitindo documentos de terras que já possuem dono, que é o meu sogro”.

Segundo ela, um processo está em trâmite para discutir a verdadeira posse do terreno. Ela ainda alega que três dos sete filhos de Pedro Silveira moram no, local. “Os próprios herdeiros são vítimas da desapropriação”, dispara.

Denise Carvalho já foi presa em cumprimento a uma ordem judicial, em 11 de dezembro de 2008, apontada como uma das líderes da invasão na comunidade Águas Claras, nessa mesma área da Zona Norte. Na ocasião, ela também negou ter invadido os lotes, que foram desapropriados.

Antes mesmo disso, Denise já havia sido indiciada pelos crimes de Desmembramento de Solo Urbano e Desmatamento em Área de Preservação Permanente (APP).

Em números

2,2 Milhões de metros quadrados é a área do terreno disputado por mil famílias de moradores do loteamento Parque das Garças 2, Zona Norte, pessoas que alegam ter comprado os lotes de imobiliárias e construtora. A área em conflito envolve parte dos bairros Águas Claras, Novo Aleixo, e dos conjunto Arco Íris e o próprio Parque das Garças.

Saiba Mais

Reintegração No dia 9 de dezembro de 2010, o Parque das Garças 2, foi alvo de uma ação de reintegração de posse. Na ocasião, cerca de 70 famílias foram retiradas de terrenos no Parque das Garças e no loteamento Águas Claras, Zona Norte, e tiveram suas casas, construídas em áreas institucionais e em uma APP, destruídas. Os moradores disseram ter comprado os lotes da corretora de imóveis Silma Braga, que negou envolvimento em fraude.