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Manaus
São Francisco

Moradores do bairro de São Francisco em Manaus sonham com volta da paz e da segurança à àrea

Dos mais jovens aos mais antigos moradores do bairro concordam que a paz e a segurança já foram principais características do local 27/02/2012 às 12:50
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Paróquia de São Francisco: em parceria com a Semed realiza programação diária com atividades culturais, esportivas e educacionais com cerca de 350 crianças
Felipe de Paula Manaus

Nessa semana, o bairro do São Francisco, localizado na Zona Sul de Manaus, foi o centro das atenções na cidade devido a dois importantes acontecimentos: a morte de uma menina de 12 anos, em frente à Escola de Samba Primos da Ilha, vítima de bala perdida, e a operação de combate ao tráfico e pacificação do bairro, que mobilizou cerca de 80 policiais, entre civis e militares.

No entanto, essas não são as únicas formas de se combater a violência no bairro, como mostra a Irmã Magali Gavazonni, vice-presidente da Obra Social da Paróquia de São Francisco. Por meio de um projeto realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) na Escola Alternativa Padre Mauro Francello, cerca de 350 crianças participam de uma programação diária de atividades culturais, esportivas e educacionais.

 “Temos quatro profissionais, pagos pela obra social da Igreja, que aplicam atividades de reforço escolar, plantio de horta, além de esporte, cultura e lazer. Neste último aspecto, podemos destacar os passeios que os meninos a lugares como o zoológico do CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), para fazer a ponte entre o conhecimento teórico e o prático”.

Irmã Magali explica que cerca de 90 crianças tem relação ainda maior com o projeto, pois ficam em período integral na escola. “As crianças em estado de vulnerabilidade social ou que os pais trabalham durante o dia, podem passar o dia inteiro conosco”, diz ela, ao considerar os índices de violência e pobreza do bairro. “É um bairro que tem muita carência. Por isso nossa preocupação com a situação da vida ameaçada neste lugar”, afirma

Era tranquilo

A iniciativa é aprovada pelos moradores do bairro do São Francisco, como a estudante Renata Barbosa, de 22 anos. “Eu moro aqui no bairro desde que nasci e lembro que era um lugar muito tranquilo. Mas, infelizmente, foi ficando muito perigoso, devido à venda de drogas nos bares da área. Por isso, esses projetos são muito importantes, já que dão uma nova perspectiva para a juventude do bairro”, afirma Renata.

Para ela, o São Francisco ainda é um bom local para se viver, devido à localização central do bairro. “Aqui é relativamente perto de tudo. Dá pra chegar rapidinho em qualquer lugar. O único problema é o transporte coletivo. Só tem uma linha de ônibus que atende o bairro, a 601, que a gente chama de ‘seiscentos e único’ ”, diz ela.

O aposentado Alcides Garcês, um do moradores mais antigos do bairro, também apoia a ideia. “É um iniciativa muito valorosa”, comentou.

Um dos primeiros moradores

O aposentado Alcides Sabóia Garcês e sua esposa, Arister Garcês, foram um dos moradores mais antigos do bairro do Bairro do São Francisco. Alcides conta que, no início do loteamento do bairro, a área era cercada por muita vegetação e igarapés de águas límpidas. Segundo ele, durante muito tempo, o bairro também era sinônimo de um lugar tranquilo e bom para criar os filhos. “A minha vida tem sido tocada aqui no Bairro do São Francisco, onde estou há mais de 40 anos e que eu gosto muito!”, afirma.

 Por outro lado, ele relata que na última década o bairro vem se transformando num lugar perigoso, onde a ação dos criminosos acontece em plena luz do dia e sob a impunidade do poder público. “Agora é um negócio de a gente não poder passar no ‘Cafundó’ (como é chamado o Beco Mossoró, por parte da comunidade), sob risco de nos atacarem. Minha sobrinha já foi assaltada, eu já fui assaltado. Não tem quase ninguém aqui que não tenha sido assaltado”, critica. Entretanto, ele dá um voto de confiança para a nova política de segurança do governo. “Quero dar um crédito ao governador. Acredito que haverá redução da criminalidade com uma presença maior da polícia”.