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Moradores do Corredor Ecológico do Mindu esperam por desapropriação

No traçado feito para ligar avenida das Torres à Cosme Ferreira existem 4 casas cujos donos aguardam proposta da prefeitura para deixar área 07/02/2012 às 08:53
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Casa de moradora está exatamente no meio de onde vai passar o Corredor Ecológico do Mindu
Florêncio Mesquita ---

A dona de casa Rosângela Andrade Vianna, 38, sabe que mais dia, menos dia a casa que levou três anos para construir virá abaixo. A residência onde ela mora com o marido e quatro filhas está exatamente no meio do traçado do Corredor Ecológico do Mindu que ligará a avenida Governador José Lindoso (conhecida como avenida das Torres) a avenida Grande Circular. O novo corredor viário está sendo construído pela Prefeitura de Manaus e vai da avenida Grande Circular na Zona Leste, passa pelo bairro Novo Aleixo, segue pelo loteamento Parque das Garças 2, até a avenida das Torre. Em alguns trechos do trajeto existiam casas que foram demolidas e outras que ainda estão de pé, à espera da demolição. A obra está orçada em R$ 200 milhões com recursos provenientes de um convênio entre a Prefeitura de Manaus e o Governo Federal.

O convênio é da gestão do ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa. A obra está sob a competência de um consórcio formado pelas empresas Mosaico Engenharia e Emparsanco. A obra começou há 12 meses e o trecho entre o Novo Aleixo e a avenida das Torres tem previsão de entrega ainda no primeiro semestre de 2012. Rosângela é dona de uma das quatro casas que estão na rota exata da obra. Outras três donos alegam que terão parte de seus terrenos afetados. Apesar de saberem que terão que sair, até agora os moradores afirmam que não têm uma posição da prefeitura quanto à indenização dos terrenos e quando isso ocorrerá. Enquanto o processo de reassentamento não ocorre, os moradores convivem com tratores, caçambas e máquinas que trabalham no local. Eles explicam que ainda não chegaram a um acordo financeiro com o município porque o valor dos imóveis avaliados pela Unidade Executora de Projeto (UEP), da prefeitura, é menor que o preço que realmente valem. Para alguns o impasse já dura um ano.

É o caso do motorista Ednelson Sena, 49, que desistiu de procurar a prefeitura e aguarda o desfecho do impasse em casa. “Em princípio queriam nos tirar na marra, derrubaram outra casa que eu tinha e só pararam de nos pressionar quando provamos, com o título definitivo da terra, que somos donos e não invasores da área.” Ao lado da casa de Ednelson existia uma casa onde moravam 12 pessoas. A moradia foi demolida sem que a família, que atualmente mora de aluguel perto da antiga casa, fosse reassentada ou indenizada. Um ano depois, a família está prestes a ser despejada porque o dono da casa pediu que saíssem e agora ela não tem para onde ir. Ednelson e Rosangêla continuam na rota do corredor e prometem ficar no local até que sejam indenizados.