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Moradores que dizem ter pago por lotes de terra terão que deixar área por ordem da Justiça

Após um incêndio supostamente criminoso, moradores da Zona Norte da capital amazonense denunciam à reportagem do acritica.com supostas ameaças feitas a proprietários e invasores da área. Eles têm até o próximo dia 20 deste mês para deixar suas casas, de acordo com determinação judicial       10/12/2012 às 20:19
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Os invasores batizaram a parte invadida do loteamento Nobre de Comunidade 28 de Outubro
JOELMA MUNIZ Manaus

Centenas de famílias que moram na comunidade Nobre, localizada no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus, terão que deixar suas casas até o dia 20 deste mês. Elas estão divididas entre as que adquiriram os terrenos vendidos pela empresa Administradora de Bens Carlos Filho LTDA, por meio de compra e as que invadiram lotes de terra no dia 28 de outubro.

Segundo o presidente da associação de moradores do loteamento, Raimundo Guimarães, os compradores de lotes na área denunciaram a empresa ao Ministério Público e a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa. Eles alegam que a reintegração envolve terrenos invadidos recentemente e outros já vendidos há cerca de 10 anos.

O despejo das famílias foi autorizado pela juíza Mônica Cristina Raposo Chaves do Carmo, responsável pela 10ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), por meio de mandado de reintegração de posse e citação entregue aos comunitários no último dia 5.


Ameaças

Moradores que por medo preferiram não divulgar seus nomes afirmam que são ameaçados por Celso Eugênio dos Santos. Ele é apontado como um dos sócios da administradora de bens e estaria pressionando junto com seu genro, identificado como Rodrigo Souza Laconi os comunitários que desde o início da invasão vizinha teriam suspendido pagamentos de parcelas.

“Ele e o genro dele já fizeram ameaças há várias famílias. Disseram que se não pagarem pessoas amanheceram mortas. Depois que chegamos descobrimos que eles são acostumados a grilar terras. Existe até um Boletim de Ocorrência (BO) no 26º Distrito Integrado de Polícia (Dip)”, frisou morador.

Celso Eugênio dos Santos é citado em processos no Tribunal de Justiça do Amazonas, entre eles o de número 0252297-92.2012.8.04.0001 onde é acusado de estelionato.

Incêndio

 Contribuindo para aumentar o clima de tensão no loteamento, na madrugada desta segunda-feira (10) o galpão onde funcionaria o escritório da Administradora de Bens Carlos Filho LTD, localizado na rua Vermelha foi incendiado.

De acordo com Alex de Souza Ramos, 27, quatro homens chegaram ao local em um carro preto, abriram o escritório retiraram um condicionador de ar, fogão e documentos e depois atearam fogo na construção. Ele acredita que o incêndio foi autorizado pelos donos da própria empresa. “Eles fizeram isso para por na nossa conta, eles querem fazer com que a polícia entre aqui batendo em todo mundo. Querem nos pintar como marginais”, ressaltou.

O discurso do autônomo foi seguido pelo da dona de casa, Elcilene Duarte Tamanta, 38.  “Aqui não tem marginal. Precisamos que o Poder Público nos ajude”.

O fogo teria começado por volta das 3h30 e contido pelo Corpo de Bombeiros por volta das 5h da manhã.

Outra acusação da qual os moradores e invasores se defendem é de não serem os causadores de desmatamento na área de 5.572,00 m².“A empresa que nos vendeu os terrenos é a única responsável pela retirada de qualquer árvore aqui dos arredores. Temos fotos que comprovam isso”, destacou o presidente da associação de moradores.

Sem informações

Tendo como base os nomes e endereços disponibilizados em contratos firmados entre a empresa e alguns compradores, a reportagem buscou os contatos da Administradora de Bens Carlos Filho LTD, mas, não encontrou informações disponíveis na internet e lista telefônica.