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Morte de motorista esmagado por contêiner que caiu de carreta era desastre anunciado

O contêiner que deveria ser fixado com, pelo menos, quatro pinos de segurança fica preso a plataforma de transporte apenas pela força do próprio peso e ao ser submetido a movimentos bruscos pode cairMorte de motorista esmagado por contêiner quecaiu de carreta era desastre anunciado 12/05/2012 às 18:58
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O condutor do veículo, um Fiesta Sedan de cor prata e placa JXT 8698, foi identificado como Seráfio Nóbrega e tinha 49 anos
Florêncio Mesquita ---

 Carretas que transportam até 40 toneladas trafegam pelas ruas de Manaus com a carga completamente solta. O contêiner que deveria ser fixado com, pelo menos, quatro pinos de segurança fica preso a plataforma de transporte apenas pela força do próprio peso e ao ser submetido a movimentos bruscos pode cair.

A denúncia é dos próprios carreteiros que apontam o risco iminente da carga virar sobre outros veículos e resultar em tragédias como a que vitimou o motorista Seráfico Nóbrega Filho, 49, esmagado por um contêiner, no dia 3 deste mês, enquanto dirigia no Distrito Industrial.

A maioria dos carreteiros, incluindo os que trabalham por conta própria, e as empresas que não fazem o seguro dos cavalos mecânicos (o caminhão) não usam os pinos de segurança de propósito para evitar prejuízos maiores em caso de acidente. O caso de Seráfico exemplifica a irregularidade na segurança justamente porque o contêiner que o esmagou estava solto na plataforma do cavalo mecânico e quando tombou, ao fazer uma curva acentuada, caiu sozinho sem levar para o chão o caminhão que o transportava.

Cada carreteiro faz em média oito entregas por dia. Cada viagem custa uma faixa de R$ 280 para levar o contêiner cheio ao destino e devolvê-lo a transportadora vazio. Não há horário para o transporte acontecer . As entregas acontecem durante o dia e a noite. Segundo o carreteiro Marcelo Moraes, 56, as próprias empresas pedem que o profissional não fixe o “lock”, como é chamado o pino de segurança, para evitar que o cavalo mecânico caia junto com o contêiner em caso de acidente.

Marcelo explica que a plataforma de transporte do contêiner é chamada de “trole” e “é extremamente necessário” que o carreteiro faça o procedimento de “lockear”, fixar o “lock” no trole para que não haja riscos. “As empresas evitam colocar o lock porque se a carreta virar o caminhão vai junto. Isso acontece todo o dia e ninguém faz nada. Ninguém fiscaliza. Daí as empresa deitam e rolam colocando todo mundo em risco”, frisou.

Flagrantes

Carretas sem freios e com pinos de segurança quebrados foram algumas das situações encontradas durante a semana passada A CRÍTICA acompanhou o movimento de carretas que saíram dos terminais de carga da Zona Sul e trafegaram pelas ruas de Manaus até chegar ao destino das cargas. Falta de segurança, fiscalização e ausência de ação das autoridades de trânsito é o problema comum na atividade. Carretas trafegando com pneus carecas e com lanternas de freio quebradas ou queimadas também foram flagradas por A CRÍTICA.

Segundo o carreteiro Marcelo Moraes, os registros são apenas uma pequena parte das irregularidades que ocorrem no transporte de carga em Manaus. Ele conta que dentro dos terminais os carreteiros comunicam um técnico de segurança do trabalho que a carreta não tem condições de trafegar, mas a administração intervém e determina que a carga seja entregue. “Não adianta avisar.

A administração do porto diz que o cliente está esperando. Daí fazem um documento que o contêiner foi vistoriado e lockeado e caso aconteça algo fora do porto no trajeto até a fabrica a culpa é do carreteiro”, disse.

A CRÍTICA acompanhou o trabalho de carreteiros e viu que existem vários troles, de cinco a dez anos de uso, que nem pinos têm para serem fixados. Outros estão com os ‘locks’ tortos e não servem para dar segurança ou suportar a carga. Foram vistos também troles com dois ou três pinos quando deveriam ter quatro ou dez. As cargas são transportadas principalmente dos portos da Colônia Oliveira Machado, na Zona Sul, e vão para toda a cidade. O principal destino são fábricas do Polo Industrial de Manaus.

Os contêineres levam em média 30 minutos para chegar às fábricas quando o trânsito está normal. No horário de pico, o tempo é ampliado para 40 ou 50 minutos. No entanto, o movimento de carretas também é intenso nas ruas da Zona Leste, onde há grande concentração de comércios, e no Centro da cidade.

O detalhe é que não há dia nem mesmo horário específico para os veículos trafegarem colocando em risco a vida da população que passa próximo as carretas.