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Manaus
Morte piloto

Morte de piloto em Manaus revive drama de acidente da Rico

Comandante do Caravan era tio da comissária Monique, morta na queda de um Brasília da empresa Rico, em 2004 29/02/2012 às 14:34
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Comandante Antônio José de Almeida Maia (centro) tinha bastante experiência e integrava uma família de aviadores
Florêncio Mesquita Manaus

O piloto Antônio José de Almeida Maia, 54, morto em um acidente aéreo na manhã de ontem, era tio da comissária de bordo Monique Azevedo Maia, vítima do acidente com a aeronave da empresa Rico Linhas Aéreas que matou 33 pessoas em maio de 2004. Anos depois da perda de Monique, a família Maia vê a tragédia se repetir. O piloto Antônio Maia morreu depois que o avião que ele pilotava, modelo Caravan, prefixo PT-PTB, da empresa CTA Taxi Aéreo, caiu segundos depois de decolar do Aeródromo de Flores, na Zona Centro-Sul. A aeronave caiu em um terreno onde funciona o depósito da empresa Ramsons, localizado a poucos metros da pista de pouso e decolagem de onde o Caravan partiu às 6h10.

O piloto, conforme o plano de voo divulgado pela CTA iria abastecer a aeronave no Terminal 2 do aeroporto Eduardo Gomes, o Eduardinho. Segundo testemunhas, o Caravan PT-PTB partiu da pista 29 do aeródromo já perdendo altitude. A aeronave atravessou a avenida Torquato Tapajós, colidiu contra a rede elétrica de 13 mil volts, fez um movimento conhecido como looping e seguiu em direção a uma área verde do terreno. O avião ainda se chocou contra um buritizeiro onde perdeu as asas, o tanque de combustível e inúmeras outras peças que ficaram espalhadas pelo terreno entre as árvores.

O corpo de Antonio ficou preso a cabine do avião encontrada a mais de 30 metros de distância do tanque de combustível.

Segundo o irmão de Antônio e tio de Monique, Elias de Almeida Maia, 47, os familiares estão desolados com a tragédia ligada a um avião que ocorre pela segunda vez. Para ele, aviação é uma profissão de risco na qual acidentes acontecem.

 Assim como o irmão e a sobrinha, Elias também esteve ligado a avião durante boa parte da vida. “Voei durante 20 anos como comissário. Graças a Deus nunca aconteceu nada, mas acidentes podem acontecer em segundos. A vontade de Deus é soberana. A gente sente muita a perda, mas tem que se submeter a Deus”, disse.

 Elias disse que viu Antonio pela última vez na noite de segunda-feira, quando ele contou sobre a viagem que faria no dia seguinte. “Ele ia abastecer o avião e seguiria para Boa vista, mas infelizmente a viagem foi outra, para o céu. Ele esteve lá em casa ontem à noite (segunda-feira) e me contou que viajaria cedo. Deu um abraço na minha mãe, que tem 80 anos, e no meu pai, de 83, e agora deixou três filhos”, lamentou.

Para Otávio de Azevedo Maia, 52, também irmão da vítima, Antônio era excelente piloto e voava todos os dias. “Ele tinha mais de 30 anos como piloto e era muito experiente”, disse.

Esmagamento do crânio foi fatal

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Orleilson Muniz a análise preliminar dos peritos dos órgãos envolvidos na investigação do acidente e na remoção do corpo, apontam que o piloto teve morte por esmagamento de crânio. Ele explica que depois que o avião ficou com o teto voltado para o solo, o bloco do painel se soltou e caiu em cima da cabeça do piloto. Segundo ele, os ferimentos no corpo do piloto na fuselagem na aeronave também colaboraram para a morte.

A análise dos peritos sobre as possíveis causas do acidente reforçam o relato das testemunhas que afirmam que o motor da aeronave parou em pleno ar. Para o capitão Muniz, houve perda de potência de motor, uma vez que, o avião decolou e conseguiu atravessar apenas a avenida Torquato Tapajós e não teve altitude suficiente para passar pelos fios de alta tensão. “Para a aeronave decolar e não conseguir altitude suficiente para passar por cima dos fios uma das causas mais prováveis é a perda de potência do motor, mas só a pericia poderá afirmar a verdadeira causa”, disse.

Caravan tinha 13 anos de uso

Segundo o proprietário da empresa CTA, Cleiton de Souza, a aeronave fabricada em 1999 estava com a manutenção e documentação em dia e nunca apresentou falhas mecânicas que comprometessem o voo. Ele explica que a última intervenção na aeronave foi feita no dia 18 de janeiro de 2012, em Porto Alegre, conforme a recomendação de revisão do fabricante.

“Temos cinco aeronaves entre modelos Caravans e Sênecas e infelizmente esse é o primeiro acidente com nossas aeronaves. Nossos aviões são os únicos de Taxi Aéreo do Estado que fazem manutenção também nos Estados Unidos”, disse. Ele também explicou que o acidente com o avião que caiu no bairro Zumbi, Zona Leste e matou seis pessoas, em 2010, e envolveu o nome da empresa ocorreu com um avião terceirizado.

Questionado sobre a declaração do vigilante sobre a parada do motor no ar, Cleiton disse que somente o Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII) poderá apontar a causa do acidente. O Seripa VII iniciou a investigação pouco depois do acidente e recolheu os restos da aeronave para perícia. Cleiton esclareceu que o piloto só seguiu para o aeroporto Eduardinho porque o avião não tinha como abastecer no aeródromo. “A Petrobras informou que o caminhão de abastecimento de querosene estava com problemas e não tinha previsão de quando ficaria pronto. Então decidimos que ele iria abastecer no Eduardinho e voltaria para o aeródromo. Segundo ele, o avião precisa estar abastecido porque atua como aeromédico e deve estar pronto para decolar a qualquer momento.