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Morto entra na lista de nomes que devem depor na ‘CPI da Água’, em Manaus

 Ex-servidor da Águas do Amazonas, falecido há dois anos, teve o nome incluído na relação dos deveriam ser ouvidos 19/06/2012 às 09:06
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Problemas no abastecimento de água de Manaus resultaram em uma CPI
ROSIENE CARVALHO Manaus

 O ex-diretor da empresa Águas do Amazonas Edson Nusdeu morreu em julho de 2010, mas mesmo assim o nome dele entrou na lista elaborada pelos vereadores de Manaus para depor na quinta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Água. A convocação do morto foi anunciada à imprensa na semana passada pelos próprios vereadores. A trapalhada é mais um sinal do despreparo dos parlamentares na condução da CPI da Água, que já dura 94 dias e até agora não deu nenhum resultado prático.

Ontem, a empresa Manaus Ambiental informou que Nusdeu compôs o quadro da Águas do Amazonas, mas que após a morte dele em 2010 não manteve mais contato com a família que mora em São Paulo.

A Manaus Ambiental informou ter recebido num documento enviado pela CPI da Água o pedido de endereços de ex-diretores, incluindo o do diretor morto. Foi quando enviou, segundo assessoria de comunicação, ofício esclarecendo sobre o equívoco. A assessoria de comunicação não soube informar, ontem de tarde, se a CPI da Água já havia recebido o documento.

O presidente da CPI, Leonel Feitoza (PSD), disse que, em relação aos critérios para convocação para depor na CMM, que a comissão está priorizando ouvir as pessoas que tenham dados técnicos a expor. Outro parâmetro é atender as sugestões apresentadas pelo relator do caso, o vereador Marcell Alexandre (PMDB).

Questionado sobre a lista dos nomes convocados para esta quinta, Marcell Alexandre e Leonel Feitoza não sabiam confirmar os nomes. Disseram que eles foram entregues à secretaria da Câmara. Marcell Alexandre jogou a responsabilidade de analisar as convocações para os funcionários da Casa. “Me parece até que tem um morto no meio e esse já não vai porque, infelizmente morreu”, disse.

Histórico

Instalada no dia 14 de março, a CPI já começou cambaleante  numa sessão esvaziada com apenas 13 dos 38 vereadores. Os parlamentares levaram dias negociando os nomes que iriam compor a CPI, até que chegaram a um veredicto: colocaram na presidência o líder do prefeito, Leonel Feitoza (PSD), e indicaram como maioria membros da base aliada do prefeito.

O detalhe é que Amazonino protagonizou a polêmica venda da Cosama por R$ 200 milhões.

Superada a fase de negociação para composição da CPI, dez dias depois da instalação ocorreu a primeira reunião do grupo. Foi uma reunião relâmpago de apenas trinta minutos em que nada foi decidido.

O passo seguinte foi uma visita à sede da Águas do Amazonas. E tudo ficou no passeio. Os parlamentares foram apenas conhecer as instalações da Ponta do Ismael, já que não tinham qualquer preparo técnico e nem procuraram estudar o assunto para questionar a concessionária.

Situação de desprestígio

As primeiras convocações para depoimento na CPI da Água já deixaram os vereadores numa situação de desprestígio. Dos dois convocados a depor no dia 5 de junho, apenas o diretor-presidente da Arsam, Fábio Alho, compareceu. O empresário Carlos Villa, ligado ao grupo Suez, que administrou a concessionária, argumentou que gostaria de ser ouvido em São Paulo.

A CPI sequer teve repercussão política já que os vereadores evitam convocar os prefeitos que estiveram à frente do Executivo Municipal nos últimos anos.

A última ação do grupo de sete vereadores foi visitar bairros das Zona Leste para constatar o problema histórico de falta de água. No meio do caminho, o ônibus que os transportava deu prego.

Seis diretores convocados

A empresa Manaus Ambiental, que após o novo contrato virou sócia majoritária da Águas do Amazonas no sistema de abastecimento, informou que  foi comunicada oficialmente pela Câmara Municipal de Manaus (CMM) sobre a convocação dos ex-diretores nesta segunda.

Na lista de convocações não foi incluso o nome do ex-diretor morto Edson Nusdeu, que havia sido anunciado pelos vereadores.

A hipótese é que a comunicação feita pela Manaus Ambiental tenha alertado os vereadores, ou os funcionários da CPI, sobre o equívoco de se convocar um morto para depor na CMM. Dos seis diretores convocados, apenas dois ainda fazem parte dos quadros da empresa: Oswaldo Souza e Marcelo Santos Silva.