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Cotidiano, Trânsito, GPS, Trânsito Manaus, Orientação

Motoristas dão "jeitinho" para utilizar GPS em Manaus

Saiba como eles resolvem seus problemas de atualização dos equipamentos 29/04/2012 às 15:06
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O taxista Jackson Macedo “fuçou” na Internet e conseguiu tirar o melhor do GPS
Carolina Silva Manaus

Usar o aparelho GPS para se deslocar em Manaus pode acabar levando o motorista pelo mau caminho, literalmente. De acordo com usuários dessa tecnologia, os dados do mapa da cidade não estão atualizados e por isso os resultados não são muito satisfatórios para os condutores.

Mas os taxistas Jackson Macedo, 36 e José Márcio de Oliveira, 55, conseguiram encontrar um “jeitinho brasileiro” para driblar as falhas do aparelho e usá-lo sem erros. Há seis anos Jackson Macedo usa o GPS para auxiliá-lo no dia a dia da profissão.

Comprou o aparelho por R$ 700 com a garantia de que iria funcionar satisfatoriamente. Mas o resultado não foi esse.

“Quando o coloquei para funcionar, o aparelho não indicava corretamente os destinos dos clientes”, contou.

Foram necessários quase dois anos para que o taxista e aluno do curso de Engenharia Mecânica pudesse solucionar o problema.

“Passei um ano e oito meses pesquisando na Internet sobre o funcionamento do aparelho GPS a fim de conseguir fazer com que ele me desse as coordenadas exatas do destino do cliente. Pesquisei o porquê de ser comum esses aparelhos não serem ‘perfeitos’”.

Depois de algum tempo buscando respostas, Jackson conseguiu, desvendando informações da configuração do seu aparelho, aplicar um software que atualiza os dados do mapa da cidade e, a partir daí, era o fim dos desentendimentos com o GPS.

“Não dá pra revelar como que se dá essa reconfiguração do aparelho a partir desse aplicativo porque é muito complicado e é algo que eu pesquisei para solucionar esses erros”, disse.

Jackson cobra R$ 50 para solucionar os problemas de qualquer GPS.

Num trajeto da sede da Rede Calderaro de Comunicação (RCC), na avenida André Araújo, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus até uma residência na avenida Américo Antony, no bairro Japiim 2, também na Zona Centro-Sul, a reportagem de A Crítica constatou que o aparelho GPS de Jackson indica sem erros as indicações das ruas que fazem parte do percurso.

O taxista Antônio Nascimento, 45, por muitas vezes tentou usar o GPS como ferramenta de trabalho, mas os constantes erros nas localizações dos endereços fizeram com que ele abrisse mão da tecnologia.

“Muita gente diz que taxista conhece toda a cidade, mas não é bem assim. Muitas pessoas não sabem dar informações na rua, então o jeito era recorrer à tecnologia. Infelizmente, pra mim ela não se mostrou recomendável. Deixei de lado o GPS e faço os percursos com o auxílio dos colegas ou até mesmo dos clientes”, disse.

Melhorias
Apesar de trabalhar há 16 anos como taxista e conhecer grande parte da cidade, José Márcio conta que, devido ao crescimento da capital, com o surgimentos de novas ruas, viu no GPS a possibilidade de melhorar o trabalho.

Ele comprou o aparelho de GPS em um site de compras por R$ 268. Porém o equipamento se revelou incompleto.

“Quando estava em uma rua, o mapa mostrava outra muito distante”.

Dois meses depois, José Márcio voltou para os sites de compras, mas desta vez, para encontrar uma solução para os erros do GPS. Um dos anúncios mostrava um fornecedor de São Paulo que vendia atualizações de mapas de todo o País no formato de disquete, inclusive de Manaus.

Depois de fazer contato e um depósito bancário no valor de R$ 60 para o fornecedor, o aparelho ficou mais completo.

Ele explica que o único ponto da cidade que o mapa não inclui é o Complexo Viário Engenheiro Luiz Augusto Veiga Soares, no bairro São José, Zona Leste de Manaus.

“Não dá para recomendar o uso do GPS”
“Eu uso frequentemente o GPS, por meio do Google Maps (serviço online de visualização de mapas e localização de rotas), principalmente em pontos da cidade que eu não tenho costume de ir como, por exemplo, algumas ruas do Centro de Manaus. Além de ruas na Aparecida (Zona Sul) e Compensa (Zona Oeste). Porém, o direcionamento das ruas muitas vezes falha”, informa o idealizador Trânsito Manaus, Luiz Eduardo Leal.

Ele salienta que é preciso ficar atento para não seguir na contramão.

“Certa vez, quando eu ainda não tinha carro, coloquei no GPS o nome da rua e o número de um prédio público. O GPS indicava que o local ficava no final da avenida Major Gabriel. Eu contente, desembarquei do ônibus na avenida Getúlio Vargas, próximo à rua Dez de Julho e, quando cheguei, não era lá e que ficava a alguns metros antes. Não dá para recomendar o uso de GPS para turistas em Manaus”.