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Manaus
TRÂNSITO

Motoristas de alternativos desrespeitam leis e passageiros dizem sofrer ameaças

Idosos e pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção são as mais penalizadas “nas mãos” de motoristas que trafegam em alta velocidade 25/09/2017 às 20:46 - Atualizado em 26/09/2017 às 08:28
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Motoristas param em faixa de pedestre na Autaz Mirim, na Zona Leste (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes Manaus (AM)

Usuários do transporte alternativo da Zona Leste da cidade sofrem diariamente com o serviço prestado pelas empresas que atuam na área e com o descaso da Prefeitura de Manaus. Idosos e pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção são as mais penalizadas “nas mãos” de motoristas que trafegam em alta velocidade e desrespeitam as leis de trânsito. 

Sem qualquer tipo de fiscalização, os motoristas dos “amarelinhos”, como são conhecidos os veículos na Zona Leste da capital, agem como se fossem os donos das ruas, xingam usuários, avançam sinais vermelhos e não respeitam as faixas de pedestres. Na disputa por passageiros, o “vale tudo” coloca em risco vida de passageiros e pedestres. Na manhã de ontem, A CRÍTICA passou duas horas na avenida Autaz Mirim e ouviu denúncias de usuários indignados e constatou o desrespeito às leis. 

A aposentada Maria José dos Santos, 70, contou que poucos são os motoristas que param para idosos. Ela precisa contar com a sorte ou caridade de outras pessoas passam conseguir utilizar o transporte público, que para os idosos é gratuito. “Se eles verem de longe que é idoso, não param. Passam direto. Preciso contar com a ajuda de estranhos, que fazem o sinal (de parada) para mim, só assim consigo”, relatou a idosa, que estava há mais de 15 minutos esperando alternativo porque oito que passaram pelo local não pararam.

Mas o mais revoltante para a idosa é ser tratada com falta de respeito pelos funcionários das cooperativas. Segundo relatos da idosa e de outros usuários, motoristas e cobradores chegam a xingar usuários, mas principalmente idosos e deficientes. “Eles trabalham com ódio. Chamam palavrão, que não tem obrigação de parar para velhinho, somos humilhados constantemente”, desabafou. 

A dona de casa Jéssica Nascimento de Lima, 19, que está grávida de quatro meses, contou que o mais prático para ela é utilizar os alternativos, mas evita ao máximo porque os motoristas dirigem como se estivessem em corridas. “Eu tenho muito medo, ainda mais agora que estou grávida; a maioria deles não respeita ninguém”, disse. 

No último sábado, o universitário Caio Lucas da Silva Souza, 19, contou que os passageiros de um alternativo que ia para o Armando Mendes entraram em pânico com a forma que o motorista dirigia e quase foi agredido pelo motorista e cobrador. “Eles estavam apostando corrida, acho que ganham por passagem, quase atropelam e derrubam pessoas. Quando chegou no meu local de descida, o motorista não parou e disse para eu pular. Um absurdo!”.

E a fiscalização?

A CRÍTICA questionou a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) se há fiscalização e punição aos motoristas. Em nota, a SMTU  informou que apenas que  reclamações feitas no SAC  são apuradas e se constatadas podem resultar na apreensão do veículo e em notificação.

Veículos podem ser apreendidos

Após a polêmica em torno da emissão de gases poluentes acima do permitido por veículos em Manaus,  os ônibus executivos mais velhos ainda não começaram a ser fiscalizados pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) e pelo  Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM). 

Contudo, o diretor-presidente do Detran-AM, Leonel Feitoza, afirmou que ainda está reunindo com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para definir quando as fiscalizações irão começar, mas adiantou que todos os veículos de grande porte passarão pela vistoria. “Os executivos, alternativos, caminhões e os ônibus da frota do sistema de transporte urbano vão passar pela vistoria e o veículo que não estiver dentro dos padrões serão apreendidos”, afirmou Leonel. 

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou, por meio de nota, que as fiscalizações estão sendo programadas, mas não informou datas e nem previsão. Segundo a nota, os operadores apresentarão os veículos para serem vistoriados, conforme recomendação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

‘Ajustes dependem de licitação’

Ainda sem regulamentação e com uma frota sucateada, os alternativos atendem a bairros da Zona Leste da capital. A CRÍTICA flagrou ontem diversos caso de desrespeito às leis de  trânsito.  As infrações foram flagradas na  avenida Autaz Mirim. No local, motoristas param em fila dupla,  em cima  faixas de pedestres para pegar deixar ou pegar passageiros, avançam em sinais vermelhos e fazem manobras perigosas como trocar de faixa em alta velocidade colocando em risco usuários, pedestres e outros motoristas. 

Em nota, a SMTU informou que para o serviço de transporte Alternativo e Executivo ser readequado é fundamental a realização de uma licitação que vem sendo trabalhada pela SMTU.