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Motoristas de ônibus de Manaus vivenciam problemas enfrentados por usuários deficientes

As intervenções e simulações de várias situações aconteceram, ao longo de toda essa semana, durante o curso de qualidade no atendimento às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida 06/07/2012 às 08:05
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Motorista vivencia a dificuldade de um portador de necessidade especial ao usar o transporte coletivo em Manaus. Eles relataram a validade da experiência
Milton de Oliveira Manaus

Idosos, deficientes físicos e instrutores da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) contaram a 60 motoristas e 20 cobradores que trabalham no sistema de transporte coletivo urbano em Manaus quais são os principais problemas sofridos diariamente por eles na hora de usar o ônibus.

As intervenções e simulações de várias situações aconteceram, ao longo de toda essa semana, durante o curso de qualidade no atendimento às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. O curso  foi concluído nesta quinta (5), no auditório da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), na Zona Centro-Sul.

Além de sensibilizar e qualificar os funcionários do transporte coletivo, o curso serviu para os profissionais conhecerem as reclamações da sociedade. “Cada motorista e cobrador passou por uma situação, simulando as situações vividas por um cadeirante ou deficiente visual por exemplo. Com isso, queríamos colocar os funcionários no lugar dos usuários e mostrar as dificuldades vividas por eles, nas paradas de ônibus”, disse a chefa do setor de educação da SMTU, Keili Brasil, lembrando que a segunda turma começa semana que vem.

Com os olhos vendados, a motorista Carla Núbia do Nascimento, 38, experimentou a situação vivida por deficiente visual, ao pegar o transporte coletivo. “A sensação é horrível, é de isolamento. É horrível não enxergar. Durante a atividade, eu tropecei e tive que ser ajudado por um colega para subir os degraus do ônibus”, disse.

Carla Núbia trabalhou oito anos como cobradora e já tem  sete anos como motorista reserva nas linhas 350 e 418, que trafegam por bairros, onde usuários com deficiência física costumam pegar o ônibus coletivo. “Nós, mulheres, trabalhamos com coração de mãe e somos mais pacientes do que os homens. Quando há cadeirantes, eu paro o ônibus, desço, dobro a cadeira do deficiente e ajudo ele subir no ônibus. Hoje é ele, amanhã pode ser eu”, disse.

Nesta quinta (5) no último dia do curso, alguns motoristas manifestaram a irritação que eles sentem, em algumas viagens. “Você para pegar o deficiente físico e outros passageiros começam a gritar ‘bora motora’. Depois, começam a ofender, dizendo palavrões. É muita tensão”, desabafou Alonso Lima, 48. Conforme os motoristas deveria haver também, uma campanha direcionada ao usuário por meio da imprensa. Eles precisam, no entendimento dos motoristas, também ser sensibilizados para a situação de quem tem mobilidade reduzida.

Reclamação
No Dia Mundial de Combate a Violência Contra o Idoso, em 15 de junho, A CRÍTICA mostrou que a principal reclamação dos “velhinhos” de Manaus  era contra os maus tratos aos quais eram submetidos quando precisavam usar o sistema de transporte coletivo urbano. Na esfera criminal, as piores situações envolviam golpes financeiros aplicados por parentes ou agentes bancários.