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Manaus
DIREITO IGNORADO

Motoristas e flanelinhas desafiam a lei e estacionam em vagas de idosos e PCDs

Eles burlam a fiscalização do Instituto Municipal de Trânsito e colocam veículos nos espaços exclusivos a esse público 06/10/2017 às 05:30
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Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Todos os meses, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) flagra, em média, 571 condutores estacionados em vagas exclusivas para idosos e pessoas com deficiência (PCDs) em toda a cidade de Manaus. O mau hábito de motoristas que desrespeitam o direito desse público é agravado por uma prática de flanelinhas que atuam no Centro, fazendo “às vezes” de manobristas, e estacionam veículos de “clientes” em locais proibidos, ignorando quem precisa usar a vaga e até mesmo a fiscalização de trânsito.

Esta semana, A CRÍTICA flagrou um guardador de veículos estacionando carros de “clientes” em vagas exclusivas a idosos e deficientes físicos em plena avenida Eduardo Ribeiro, no Centro. Questionado sobre a atitude, o “flanelinha”, que não quis se identificar, confessou que estaciona os  carros dos clientes em locais proibidos pela sinalização “apenas” até outras vagas serem desocupadas. 


Foto: Euzivaldo Queiroz

No entanto, ele estacionou um veículo modelo Frontier, que não possuia  credencial do Manaustrans para estacionar em vagas especiais, ficou aproximadamente 1h20 ocupando  uma vaga reservada para idosos na avenida, e só foi retirado pelo flanelinha após uma agente do Manaustrans se aproximar e fotografar a placa do carro para emitir a multa. Pouco antes, o mesmo guardador de veículos foi flagrado estacionando outro veículo, um carro de passeio preto, em outra vaga na mesma avenida, também destinada a idosos. A reportagem não conseguiu localizar os donos dos veículos para saber se eles compactuam com a prática ou se desconhecem o local onde o guardador deixa os carros.

A prática irregular, além de ser infração gravíssima sujeita a multa de R$ 293,47, perda de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e ainda a remoção do veículo, dificulta e muito o dia a dia de quem tem o direito de acesso à vaga desrespeitado.

Caso do aposentado Amarildo da Costa, 71, que sempre que precisa estacionar tem que percorrer as ruas diversas vezes em busca de uma vaga, já que as reservadas a idosos estão sempre ocupadas, muitas vezes, por pessoas que não poderiam estacionar ali.  “Não é só no Centro, acontece em todos os locais. Nos shoppings da cidade é comum. Ninguém respeita, eles param o carro e não estão nem aí para idosos e deficientes. É mais um direito nosso que não é respeitado”, lamentou.


Foto: Euzivaldo Queiroz

A aposentada Edilza Barros Lira, 58, contou que, mesmo com a credencial do Manaustrans, tem dificuldades para estacionar no Centro da capital. Segundo ela, além de educação por parte dos motoristas, falta fiscalização por parte do Manaustrans. “Além de você ter que pagar pela vaga para esses flanelinhas, ainda precisa rodar várias vezes para conseguir uma vaga. Vim trazer meu marido para uma consulta, mas é complicado porque sempre tem alguém em vagas reservadas para idosos e a gente não pode fazer nada. Acho que falta fiscalização”, disse.

Esse tipo de atitude que, segundo comerciantes da área, acontece diariamente, revolta não apenas idosos, mas também pais de deficientes físicos que precisam utilizar as vagas. Recentemente, um vídeo de uma que desabafa após ter dificuldades para estacionar em uma gava exclusiva “viralizou” na internet. “Eles sempre têm uma boa justificativa, sempre tem uma boa desculpa. Essa vaga não é dele nem por um minuto, nem por um instantinho, nem um ‘só vou ali e já volto’”, desabafou, chorando.

Justificativas de todos os tipos na rua

A CRÍTICA percorreu ruas do Centro, além do Boulevard Álvaro Maia e da rua do Comércio, no bairro Parque 10, e flagrou diversas pessoas estacionando em vagas exclusivas para idosos e PCDs. Questionados pela reportagem, os infratores justificavam que não haviam visto as placas, que era “rapidinho”, que estavam com pressa e até transferiam para outras pessoas a responsabilidade.


Foto: Euzivaldo Queiroz

O condutor Isaque Prado, 55, falou que estacionou o carro em uma vaga exclusiva porque não encontrou outra e também atribuiu a responsabilidade de alertar sobre as vagas aos funcionários de um estabelecimento comercial, mesmo com a pintura em azul e a inscrição “IDOSO” no chão. “Eles teriam que orientar aí na frente, dizer que não pode parar o carro. Tem que fiscalizar todo mundo, não apenas eu. Eu parei aí, mas vou tirar agora que vocês falaram”, disse.

Outra condutora, que havia estacionado o carro em uma vaga reservada para deficientes em frente a uma agência bancária na rua do Comércio, no Parque 10, alegou que não tinha visto a sinalização. Ela também afirmou que foi orientada por um flanelinha a parar naquela vaga. “Estava nervosa, na hora não notei”.

Fiscalização diária das vagas

O Manaustrans informou que realiza fiscalização diária em vagas de estacionamento especial para verificar se os veículos estacionados estão com a credencial que identifica o idoso ou pessoa com deficiência que está sendo transportado naquele carro.

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