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Mototáxis de Manaus estão fazendo as próprias regras

Encerrou-se no fim de semana o prazo para a prefeitura enviar projeto regulamentando a profissão no âmbito do município 06/08/2012 às 08:55
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Mototaxista e o passageiro ignoravam regra de segurança e permitiam o transporte de criança sem capacete
jornal a crítica Manaus

Com as preocupações políticas voltadas para a eleição de outubro, os mototaxistas de Manaus estão cientes de que a regulamentação da profissão no âmbito municipal deve sair somente na próxima gestão, principalmente depois que  expirou neste final de semana o prazo para prefeitura encaminhar   projeto neste sentido para a Câmara Municipal.

Em meio a falta de definição, na avenida Grande Circular, Zona Leste, onde há grande concentração da categoria, alguns aproveitam para criar as próprias regras, deixando de lado a segurança dos passageiros.

A dona de casa Gezimara Silva dos Santos conta que tem costume de utilizar essa modalidade de transporte, mas chegou a passar por situações que a deixaram de “cabelo em pé”.  Em uma destas, o motorista abusou da velocidade para deixá-la no local destinado. “Como o preço é baixo, muitos vão com muita velocidade para deixar o passageiro o mais rápido possível e assim conseguir outro”, contou.

A estudante Cleide Lene Catenhede disse  que usa o serviço apenas em casos de emergência, tendo em vista que muitos costumam infringir as regras de trânsito, como por exemplo parar em qualquer ponto da cidade.

De acordo com a autônoma Ana Rodrigues Peres, por mais que existam aqueles que mostram educação no trânsito, há uma parcela que tem instrução contrária, o que desmoraliza muitas vezes a categoria. Ana ressaltou que utiliza o transporte diariamente, mas procurando sempre ir com mototaxistas conhecidos.

O presidente da Associação Amazon Táxi, Domingos Ramos, reconheceu que alguns itens básicos de segurança acabam sendo deixados de lado, como a vedação no transporte de crianças. Segundo ele, a par da questão, os mototaxistas evitam levar passageiros com crianças no colo para outras zonas, mas costumam fugir a regra quando as corridas são para dentro do bairro, justificando que o sol escaldante motiva o profissional e o passageiro a esquecer a regra.

Dentre algumas medidas de segurança, apontadas em regulamentações definidas por outros municípios, o condutor é obrigado a levar um passageiro de cada vez; observar o correto uso do capacete pelo “carona”; fornecer proteção interna (touca) descartável para capacete; além de exigir que o passageiro esteja utilizando calçado fechado que proteja os pés.

Restrição de área desagrada
Apesar de esperada, alguns pontos da regulamentação não agradam a categoria, como a restrição do serviço de mototáxi as Zonas Norte e Leste. Segundo o presidente da Associação Amazon Táxi, Domingos Ramos, muitos residentes da área costumam trabalhar em outras zonas e solicitam o serviço, especialmente em casos de atraso. “Pra gente, o projeto que está lá não é muito viável”, afirmou.

O mototaxista Winny Barbosa Viana, com dois anos atuando, observou que o fato de serem poucas vagas disponíveis deve impedir que ajam tantas mudanças na cidade. Conforme um dos pontos da propositura, a regulamentação deve se estender a apenas quatro mil motociclistas, dois mil titulares e dois mil auxiliares, enquanto a categoria conta com aproximadamente 15 mil profissionais em atuação.

O projeto de regulamentação também deve fixar as tarifas. Hoje, na Grande Circular, o preço inicial é de R$ 3, para corridas feitas no bairro. Em percursos que vão além dos limites da zona, a cobrança aumenta, no qual o máximo é de R$ 30, com destino a praia da  Ponta Negra.

Futuro terá mudanças
O presidente da Associação Amazon Táxi, Domingos Ramos, acredita que a regulamentação virá e ai os profissionais terão de mudar alguns hábitos adquiridos nesse período de indefinição e falta de regras. “Sabemos que, vindo a regulamentação, muita coisa precisará ser mudada”, afirmou o dirigente. Estima-se que, atualmente, 4 mil pessoas trabalhem como mototaxistas.