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Movimento na web ajuda a recolher verba para tratamento de estudante que tem câncer raro

A dificuldade financeira é o principal obstáculo para que José Monteiro possa acompanhar o filho no tratamento. E para ajudar, os amigos da família lançaram a campanha “Ajude Luiz Eduardo Monteiro - Graacc” na rede social Facebook 25/07/2012 às 07:52
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José Monteiro, segurando o cartaz da campanha que está no Facebook, conta com a volta da saúde do filho Luizinho
carolina silva Manaus

Há dez meses que os dias do autônomo José Luiz Monteiro, 34, são os mais difíceis da vida dele. Em setembro do ano passado, o filho Luiz Eduardo, à época com 10 anos, teve diagnosticado  uma forma rara de câncer, o “Sarcoma de Erwing”. A expectativa de ver o filho de volta à Manaus curado é o que motiva José Monteiro  a continuar lutando pelo tratamento de 18 meses em São Paulo.

A dificuldade financeira é o principal  obstáculo para que José Monteiro possa acompanhar o filho no tratamento. É com a renda da pequena lanchonete onde trabalha, na área externa de uma rede de atacado, e com a ajuda de amigos que ele  se esforça para pagar despesas de Luiz Eduardo e da mãe, Priscila Negreiros, em São Paulo.

E para ajudar José  Monteiro a cobrir as despesas do filho em tratamento, os amigos da família lançaram a campanha “Ajude Luiz Eduardo Monteiro - Graacc” na rede social Facebook. Em solidariedade ao pequeno Luizinho, as doações podem ser em qualquer quantia.

Agora, com 11 anos, Luizinho, como também é chamado pelos amigos e familiares, vem se submetendo a sessões de quimioterapia no Instituto Oncológico Pediátrico de São Paulo e é amparado pelo Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graac) na capital paulista. O dinheiro que José Monteiro consegue enviar paga, principalmente, alimentação e transporte.

O custo de vida alto na cidade, permitiu que apenas a mãe do garoto acompanhasse o tratamento.

O autônomo conta que, diante das dificuldades de acesso aos remédios que fazem parte do tratamento, em Manaus, viu a esperança de ver o filho curado em São Paulo, tendo que suportar a dor da saudade. “Por ser uma doença rara, aqui não tem todos os remédios que ele precisa. E os que tem, são mais caros que lá”, relata o pai. Os medicamentos disponíveis em Manaus custam em torno de R$ 7 mil a R$ 8 mil. “Não tem como ficar correndo da sala pra cozinha pra arrecadar todo final de semana R$ 8 mil. Tem semana que eu posso conseguir e outras não. Mas se trata da vida do meu filho”, desabafou.

Quando fala do filho, o autônomo não consegue segurar as lágrimas de tristeza por saber que Luiz, ainda garoto, tem que suportar a dor da saudade de casa, dos amigos, da família, da escola e da rotina ativa que tinha. “Ele é um garoto tão esperto. Sempre brincalhão, animado, solidário”, contou.

José Luiz ainda conta com a solidariedade dos amigos próximos, além do apoio da organização não-governamental Instituto Alguém, em Manaus.

Diagnóstico após aniversário
O diagnóstico do câncer de Luiz Eduardo foi confirmado no dia 26 de setembro de 2011, um dia após o aniversário dele. Foram várias tentativas em unidades de saúde públicas para saber porque o garoto se queixava de dores na região entre o ombro e o cotovelo esquerdo. A confirmação só foi possível por meio da visita de uma equipe médica especializada num hospital particular de Manaus. “Certa noite o Luiz me pediu pra dormir com a cabeça encostada no ombro dele. No dia seguinte, estava um pouco inchado mas achávamos que tinha sido por causa disso. Alguns dias se passaram e ele continuou se queixando de dores na região do braço. A partir daí, foram vários exames em unidades particulares. Os exames custavam em torno de R$ 2 mil e R$ 3 mil. Mas só pensava no meu filho livre da doença”, relatou.

As expressões de José são de um pai constantemente preocupado com a distância do filho. “Nunca fui visitá-lo em São Paulo por conta das despesas. Mas desde que eles foram pra lá vieram apenas duas vezes a Manaus”, contou.

Quimioterapia
O Sarcoma de Erwing é uma forma rara de câncer mais frequente na faixa etária entre 10 e 20 anos, sendo mais raro em mulheres. É uma forma de tumor ósseo. O tratamento, em todos os casos, consiste em quimioterapia.