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MPT-AM encerra semana sindical nesta sexta-feira (10), em Manaus

A principal delas decorre da falta de qualificação de suas lideranças, segundo o procurador do Trabalho, Gerson Marques 10/08/2012 às 08:35
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Sindicatos mais reúnem do que de fato representam os seus associados
RENATA MAGNENTI Manaus

Brigas internas, disputas ideológicas, falta de qualificação, organização estrutural e jurídica são alguns dos problemas dos sindicatos trabalhistas de Manaus. Com essa temática, o Ministério Público do Trabalho do Amazonas (MPT-AM) encerra nesta sexta-feira (10), com uma audiência pública, a Semana Sindical.

Durante o evento, representantes de 130 entidades sindicais participaram de um curso de capacitação com o procurador regional do Trabalho e vice coordenador Nacional de Promoção da Liberdade Sindical, Gerson Marques. “Sou do Ceará, tenho viajado a alguns Estados e o problema é sempre o mesmo: falta de qualificação”, disse Marques.

De acordo com ele, os sindicalistas não dominam técnicas de negociações, não sabem como funcionam as repartições públicas e se perdem em brigas internas. “Ouvi de trabalhadores dos sindicatos dos rodoviários e vigilantes do Amazonas, por exemplo, que há três anos não há eleições diretas nas entidades devido aos imbróglios internos. Isso não deveria acontecer”, avaliou o procurador.

Reunidos apenas

O advogado Rodrigo Waughan de Lemos, da Associação dos Advogados Trabalhistas do Amazonas, acrescentou ainda que muito dos sindicatos não estão organizados estruturalmente e nem juridicamente. “Simplesmente reúnem uma quantidade de trabalhadores, dizem que é uma associação ou sindicato e acham que isso basta. Primeiro, que uma associação não tem o poder jurídico de um sindicato e para tal é necessário cumprir regras jurídicas, entre elas ter um registro junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)”, detalhou.

Rodrigo ressaltou ainda que sindicalistas eleitos por uma categoria têm que estar preparados para as pressões que decorrerão dos próprios colegas e associados, bem como aquelas que virão do setor patronal. Segundo ele, os empresários reclamam das taxas tributárias pagas para manter os trabalhadores e decerto acham muito ruim ter um sindicalista dentro de sua empresa brigando por novas conquistas.

O procurador Gerson ponderou que é necessário que o sindicalista seja inteligente o suficiente para saber negociar. “Os sindicalistas serão perseguidos, porém a luta pelo poder não deve levar a situação a uma guerra de braço. É preciso dominar técnicas de negociação e saber quando é necessário ceder ou mudar as reivindicações”.

Idealização

A Semana Sindical foi elaborada pela procuradora substituta do MPT-AM, Alzira Melo Costa. “Falta em nós, enquanto cidadãos, uma modificação cultural para batalharmos por nossos direitos trabalhistas de forma legal”, ponderou.

Na avaliação da procuradora, todos os trabalhadores acabam deixando de lado a autoridade que têm de garantir e brigar por seus direitos. Para isso, segundo Alzira, instintuíram-se  sindicatos e é necessário que a liderança dessas entidades saibam administrar com responsabilidade os interesses de sua categoria.

Sindicatos terão voz, nesta sexta, em audiência pública

Representantes sindicais que participam do evento organizado pelo MPT-AM  prometeram, hoje,  descrever aos procuradores do órgão os problemas enfrentados por sua entidades A maioria vai criticar o instituto das juntas governativas que vem tomando uma proporção grande no Amazonas, com a aprovação judicial.

O diretor da Associação dos Vigilantes de Manaus, Luis Marcondes, disse que durante nove meses uma junta governativa conseguiu, por meio da Justiça, o afastamento de líderes do sindicato da categoria. Por conta disso, houve uma série de dissensões na classe. Ele, por exemplo, passou a integrar um grupo que criou uma associação que brigará nas próximas eleições para chegar ao comando do sindicato. Segundo Luis, estão cadastrados na Polícia Federal um total de 23 mil vigilantes, mas somente 11 mil têm carteira assinada e desse total, 1.500 são filados à associação.

A situação não é diferente no Sindicato dos Rodoviários. O vice-presidente da entidade, Elcio Rêgo, disse que sua liderança ficou seis meses longe da entidade devido a determinação judicial que deu posse a uma junta governativa. “A Justiça permite a entrada de grupos que apresentam documentos falsos para ter posse de sindicatos”.

O presidente do Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes de Manaus, Raimundo Sena, informou que a questão mais preocupante para os mais de 5 mil ambulantes é quanto a utilização do Centro de Manaus. Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), não se pode construir um camelódromo no Centro histórico.