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Mulheres estão cada vez mais se envolvendo com o tráfico de drogas em Manaus

Entrando no crime por influência dos companheiros, quando viram chefes elas deixam a delicadeza de lado 05/05/2012 às 19:21
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No intervalo de abril de 2011 a abril de 2012, das 352 pessoas detidas por tráfico de drogas, 93 eram mulheres
maria derzi Manaus

Elas entram na vida do crime quase sem querer. A maioria é envolvida pelo próprio marido ou companheiro ou, ainda, por força do vício em entorpecentes. Mas, quando assumem a chefia da “boca”, deixam de lado a delicadeza e a piedade feminina e agem da mesma maneira que homens. São as “chefonas do tráfico”, mulheres que a cada ano vem tomando o lugar deles no disputado mundo do tráfico de drogas.

De acordo com dados da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre), só no intervalo de abril de 2011 a abril de 2012, das 352 pessoas detidas por tráfico de drogas, 93 eram mulheres. O número delas envolvidas com o tráfico de drogas cresceu em relação ao ano anterior.

“O que a gente tem percebido aqui é que, em algum momento da sua história familiar ela teve contato com alguém que praticava o tráfico. Então, ela acaba assumindo quando o marido é preso. Ela acaba sendo um elo de ligação entre o traficante preso e o mundo exterior. É portadora de recados e acaba praticando o tráfico de drogas”, disse o delegado Divanilson

Apesar de iniciar na carreira como uma coadjuvante - até mesmo para manter o poder do marido ou do companheiro  dentro do tráfico - as mulheres acabam por assumir o comando da “boca”, independente da figura masculina. “A Fernanda (Ferreira), por exemplo, que foi pega com 101 quilos de maconha prensada, era companheira do (traficante) “Gorgonha” (Rameson Albuquerque de Oliveira, que estava preso em Campo Grande e conseguiu a transferência para cá. Nossas investigações indicam que ela gerenciava, cobrava dívidas, combinava a vinda de drogas dos fornecedores. Ela assumiu o papel de chefe mesmo”.

Segundo estatísticas, geralmente a chefona do tráfico herda o posto do marido e, por causa dele, é respeitada pelos demais comparsas do tráfico. Isto por que o marido continua vivo. Mas, e quando o marido ou companheiro  morre? A chefona do tráfico continua com poder ou tem o trono usurpado pelos traficantes homens? “Ela tem que ser forte, tem que ter disposição para liderar. Ela, geralmente, permanece porque é firme em suas decisões e não pode demonstrar fraqueza. Ao assumir esse papel as mulheres tendem a demonstrar tudo isso”, disse o delegado.

Pela experiência da Depre, as chefonas do tráfico assumem os mesmos comportamentos dos traficantes. “Por acompanhar o marido, ela detém todo o know-how do tráfico de drogas. E, quando o marido morre ela fica com todo esse conhecimento e contatos. Os demais traficantes tendem a respeitá-la e, se necessário, ela  manda matar mesmo”, disse o delegado.

Divanilson explica que, como em qualquer negócio, o tráfico tem uma hierarquia. “É cada vez mais comum as mulheres nas posições mais altas do tráfico. Geralmente, ela ocupa o cargo de gerente, lida com o dinheiro. Ela chama menos a atenção”, disse. Mas, não é de hoje que as mulheres alcançam altos patamares na hierarquia do tráfico.

Entre as traficantes folclóricas de Manaus existem aquelas, que, de tanto tempo atuando na função, passaram a receber apelidos de acordo com a idade. Manaus já teve, por exemplo, diversas “vovós do pó”. A última, Maria Auxiliadora de Freitas, matriarca de uma família de traficantes, foi presa há alguns anos dentro das ações da “Operação Carandiru”.

Atualmente, outra vovó do pó, conhecida como “Chiquitita”, 74, está à solta na cidade.