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Manaus
Cotidiano, dia internacional da mulher, Bolsa Universidade

Mulheres são mais de 70% das beneficiadas pelo Bolsa Universidade, Manaus

Elas são a face mais volumosa do projeto representando mais de 70% dos beneficiados, número que neste ano foi de 17.437 pessoas 08/03/2012 às 09:54
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Para Célia um diploma universitário lhe trará inúmeras oportunidades
AnaCélia Ossame Manaus

Dizer que a educação transforma vidas é uma afirmativa incontestável, principalmente para mulheres que voltaram às salas de aula depois de décadas dedicando-se aos filhos, à casa ou ao trabalho.

Maioria absoluta da clientela do programa Bolsa Universidade (BU), elas representam mais que um dos perfis do programa. Elas são a face mais volumosa do projeto representando mais de 70% dos beneficiados, número que neste ano foi de 17.437 pessoas.

Todas as entrevistadas afirmam, sem pestanejar, que a oportunidade de estudar foi responsável pelo “resgate” da vida delas e que, por serem mulheres, não costumam perder essas ocasiões.

Maria Odete Teles dos Santos, 60, sabe bem o significado da palavra resgate. Há quatro anos licenciada do serviço público para fazer tratamento contra um câncer de mama, ela não esquece a surpresa quando viu seu nome entre os contemplados no Bolsa Universidade para cursar Pedagogia com 50% de desconto na mensalidade. Mãe de três filhos com idade de 13 a 34 anos, ela é separada do marido e estava afastada de uma sala de aula desde a década de 90. Nunca pode realizar o sonho de fazer o curso Pedagogia por falta de tempo.

“Eu trabalhava fora e em casa”, diz ela, que estuda à  tarde.

A decisão de estudar veio por conta do desejo de “acompanhar a evolução” dos tempos. Tanto que vai iniciar na próxima semana um curso de Informática, o que vai lhe dar mais agilidade para estudar.

Em sala de aula, ela gosta das disciplinas que tratam de políticas públicas, Filosofia e Sociologia. A dificuldade que sente, às vezes, de memorizar alguns assuntos ela dribla reforçando os estudos e a disposição de vencer. Desafios, para Odete, é uma chama acesa de esperança. E certeza de vitórias.  

Esperanças
“Fazer um curso superior foi a coisa mais importante que me aconteceu, foi um resgate para a minha vida”, afirma, sem esconder a emoção, a estudante do 3º período do curso de Administração Maria das Graças da Silva Queiroz, 58.

Vendedora de cosméticos e costureira, Graça é separada, mãe de cinco filhos e avó de três netos. Sempre teve vontade de fazer uma faculdade, mas não conseguia nem tempo e nem dinheiro para financiar o desejo.

Como trabalha desde os 17 anos, ficava frustrada com essa situação, até que surgiu o programa Bolsa Universidade. Resolveu inscrever-se sem muita esperança até que viu o seu nome contemplado com uma bolsa de 50%.

As dificuldades iniciais para cursar Administração a fez vencer o desafio de estudar Matemática, mas Graça não se deu por vencida. Batalhou, estudou dobrado, no tempo em que permanecia em casa e as aulas estão “de vento em popa”, como diz, agradecida em poder ampliar os seus conhecimentos e perspectivas de vida.

Para ela, que já trabalhou no setor de Contabilidade de empresas e hoje não consegue mais emprego por conta da idade, dividir a sala de aula com jovens mais novos que seus filhos, cujo caçula tem  25 anos, é uma experiência gratificante para ela, que  não dorme  sem rever algum assunto de aula.

Mãe de um engenheiro civil, ela que é amazonense, espera colar grau em 2014 e até lá, poder fazer um concurso público para voltar a trabalhar. O vigor que alimenta o sonho de estudar a faz uma das mais sorridentes e esperançosas alunas da. É um desafio gostoso que está adorando vencer, garante.

Valorização
“Eu já trabalhei como manicure e fazendo crochê para ter uma renda. Hoje, além de aluna de um curso que adoro, o de Serviço Social, sou estagiária no Bolsa Universidade e sinto-me renovada por estar numa área como essa em que você pode conhecer os problemas das pessoas e ajudá-la a vencer dificuldades.  Sou casada e trabalhava fora, sempre contando com o apoio do marido e dos três filhos, com idades entre 21 e 24 anos. Quando me inscrevi, fiz junto com um dos meus filhos e ao consultar a lista, nem procurei meu nome, pois não tinha esperanças. Ele não foi contemplado, mas eu sim com uma bolsa de 50% e o fato de ser para segunda opção de curso não me desanimou. Decidi estudar e só confirmo o acerto. Este curso me fez ver novos horizontes. Sei que muitos têm dificuldades de pagar o curso, mesmo recebendo descontos, porque existem os demais gastos com transportes, livros etc, por isso valorizo a minha oportunidade, pois sei que estudar vai abrir mais portas para mim”, declara Célia Maria Oliveira.

Do supletivo ao curso universitário
Leda Marinho de Souza, 39, é outra que tem uma história surpreendente. Ela começou a estudar aos 20 anos, fazendo o curso Supletivo à noite para concluir o ensino médio. Trabalhou como empregada doméstica e feirante e ao surgir o Bolsa Universidade, não duvidou em fazer a inscrição.

Contemplada com uma bolsa integral para o curso de Serviço Social, Leda, que é mãe de três filhos com idade de 3 a 17 anos, está no sexto período e na faculdade descobre que não poderia viver bem sem estudar.

“Essa é a área que gosto e poder aprender é fundamental”, explica ela, feliz com a chance de poder “ter olhos” para ver e compreender o mundo de outra forma, com olhos de solidariedade.  Estagiária do programa, Bolsa Universidade, agora foi contemplada com uma vaga no estágio e pode ter uma renda com o trabalho.