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Mulheres superam dramas pessoais e problemas de saúde dos filhos ao exercer o dom de ser mãe

Maes exemplares superam dificuldades e fazem do cuidado, o ofício diário; da dedicação, a alegria; e da entrega, o viver 12/05/2012 às 17:26
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Francisca Castilho, 32, exercita, há quase três anos e meio, o significado da palavra mãe, cuidando de João Pedro, internado desde os quatro meses
Ana Célia Ossame ---

 Há três anos e quatro meses, a dona de casa Francisca Castilho, 32, é protagonista de uma história de amor e dor envolvendo o filho mais novo, João Pedro. No oitavo mês da gravidez, ela teve polidramia, distúrbio que provoca excesso de líquido amniótico, causando severos danos à criança por impedir a oxigenação. Aos quatro meses, João Pedro foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Dr. Fajardo, no Centro, Zona Sul, onde Francisca passa praticamente toda a semana. É lá que exercita, com todos os significados que a palavra amor pode ter, o dom e a magnitude de ser mãe. É também onde ela estará hoje, Dia das Mães.

O diagnóstico inicial previa pouco tempo de vida para a criança. Sem nunca aceitá-lo, ela deixou-se ficar no hospital, ao lado do filho. “Fui vendo que quando eu chegava perto, ele me olhava, prestando atenção em mim. Hoje, embora não fale, ele reconhece a mim e a todos que trabalham na UTI”, conta Francisca.

Sem deixar de pensar que o retardo na realização da cirurgia, feita na Maternidade Ana Braga, poderia ter reduzido os danos à criança, que necessita de equipamentos para respirar e se alimentar, a mãe não esquece também de lutar para ver João Pedro evoluir do quadro vegetativo. Por isso, além de ficar ao lado dele, avançou na luta, reivindicando da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), a cessão de um equipamento semelhante ao da UTI para instalar na casa dela, para onde quer levar o filho. Como o diagnóstico dele é “grave estável”, ela acredita que, em casa, na companhia dos dois irmãos, ele poderá melhorar.

Ausência Justificada

O casal de filhos, um de nove e outro de 12 anos, reclama a ausência dela, argumentando que o irmão está bem cuidado no hospital, mas Francisca justifica a dependência completa de João Pedro. “Eles podem fazer tudo que quiserem, enquanto João Pedro não faz nada sozinho”, argumenta. Com sacrifício, ela fez reformas na casa, situada no Parque das Nações, Zona Norte, onde mora com o marido, Orlando Marques de Castro, 37, e o casal de filhos. O marido, motorista, pediu demissão do emprego para ter o dinheiro das obras e, agora, só espera a resposta da Susam, que deve sair nos próximos dias.

Ao explicar que o nome João Pedro foi escolhido por ter o significado de “rocha”, segundo a Bíblia, Francisca escala as montanhas da fé para alimentar o filho com a sua presença constante. Somente aos sábados ela vai para casa, deixando os cuidados de João Pedro a uma enfermeira da UTI. “Nada me fez desistir dele até agora”, afirma.

Os dias e noites passados na UTI, com os olhos postos em João Pedro, são para Francisca, mais que de sofrimento, mas de esperanças. Embora tenha que dormir numa cadeira e ficar afastada do convívio dos dois outros filhos e dos familiares, ela mantém inabalável o direito de sonhar com a cura do filho. Se para os cristãos, o nome Francisca tem, entre outros significados, pobreza extrema, a dona de casa inverte e amplia o conceito e o transforma em amor extremo que, para ela, traduz-se, simplesmente, em amor de mãe.

Carinho

Na UTI do Hospital Dr. Fajardo, administrado pelo Governo do Estado, existem cinco leitos, informa a coordenadora do setor, enfermeira Alyne Rodrigues. Segundo ela, João Pedro está num dos dois leitos denominados de alto risco, por isso precisa de um acompanhante de forma continuada. Ele é um dos pacientes com maior tempo de permanência na unidade e, por isso, acaba recebendo o carinho especial da equipe, com quem ele interage.