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"Na pior das hipóteses, se chegar a hora da eleição, eu disputo", diz ex-senador do Amazonas

Prestes a fixar residência novamente no Brasil, o diplomata Artur Neto (PMDB) promete intensificar as conversas que vão decidir os rumos dos tucanos nas eleições deste ano em Manaus 12/05/2012 às 20:10
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Ex-senador Artur Virgílio Neto
Lúcio Pinheiro ---

Prestes a fixar residência novamente no Brasil, após finalizar missão diplomática em Portugal, o diplomata Artur Neto (PMDB) promete intensificar as conversas que vão decidir os rumos dos tucanos nas eleições deste ano em Manaus.

Na entrevista a seguir, Artur Neto afirma que o partido tem encaminhado suas alianças sem agonia, assim como o governador Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Braga (PMDB) tem agido no grupo que participam.

O ex-senador garante que se importa mais em estar ao lado de um bom projeto para Manaus do que propriamente ser o candidato. Ao falar de seu desafeto político - Eduardo Braga, agora líder do Governo no Senado, Artur Neto aconselha: “Se eu fosse ele, me dedicaria. Porque o lugar onde ele está não é a Disneylândia, não é”.

Como o PSDB se prepara para a eleição deste ano?

Há um anseio muito grande no meu partido por candidatura própria. Mas acho que, agora, chegamos ao clima ideal. Porque havia muita especulação: é fulano, beltrano. Isso, graças a Deus parou. Digo graças a Deus mesmo porque era uma coisa que não ajudava. Não contribuía. Se dedicava mais à precipitação daqui e de acolá sem acrescentar para a luta que o partido vai travar. Nós (o PSDB) temos que analisar. A tendência é o partido lançar candidatura própria, mas temos que analisar se é isso mesmo ou se vamos coligar. E com quem. Vamos ver o que é mais conveniente.

Quais seriam os nomes do PSDB nessa disputa?

Penso muito pouco em pessoas e mais em programa para Manaus. O candidato a ser apoiado, do partido ou de fora dele, tem que apresentar um programa para a cidade. Tem que ser mais que a vontade de ser candidato, se tornar conhecido e crescer para outras eleições. Tem que ser muito claro em relação aos problemas que a cidade vive. Prefiro dizer que vou apoiar mais um programa do que propriamente um candidato. Estou cansado de apoiar nomes.

Não percebemos muita movimentação no PSDB. As conversas dentro do partido estão atrasadas?

Vamos lá: O PSD, do governador Omar Aziz, não se manifestou de maneira concreta. O PMDB, do ex-governador Braga, não se manifestou de maneira concreta. Há muita especulação, muitas pessoas se ensaiam, e é natural que elas façam isso. Mas, diante do cenário, entendemos que estamos dentro do timing correto.  Nós podemos ter ainda algum tempo para caminhar, maturar, elaborar projetos e nos prepararmos para discussões em que o PSDB seria apoiado ou apoiaria. Dentro de uma proposta realmente séria para a cidade de Manaus.

De fora do PSDB, quem o senhor apoiaria?

Não adianta eu especular porque é muito cedo. A gente prefere uma candidatura própria. Mas o importante para nós é o projeto. Estou ouvindo muitos dizerem: ‘eu sou candidato’. Mas eu quero saber qual é o projeto; e o que cada um pensa. Os temas estão aí muito claros. Então, não é uma coisa que esteja na nossa pauta de urgência urgentíssima (definir aliados), porque nós temos tempo. O governador não se manifestou. O ex-governador não se manifestou. Eu não vejo porque o PSDB teria que se manifestar agora.

O que muda na disputa com o senador Eduardo Braga fora, por ter assumido a liderança do Governo no Senado?

Ele era favorito nas pesquisas, apesar de ter um índice de votos nas pesquisas abaixo do que eu imaginava. Mas é claro que ele era favorito. E é claro que ele não sendo candidato despertou mais ânimo em pessoas que querem disputar a prefeitura. Temos o prefeito Amazonino que resolve não se candidatar, pelo menos ele diz e se ele diz eu acredito. Então ficou um quadro muito propício. A eleição vai ter segundo turno. No primeiro turno, todos disputam com sua própria força  e, no segundo, é  somar com os que comungam  com suas ideias.

Para o senhor, o senador Eduardo Braga está descartado como candidato à Prefeitura de Manaus?

Não tenho a menor ideia. Não tenho conversa com ele. Obviamente acho que ele tem um trabalho muito grande. Tem que se impor aos seus liderados, coordenar uma bancada complicada numa hora de crise. Sinto o governo Dilma muito desarticulado politicamente. Uma maioria muito fugidia, falsa. Então, o trabalho dele é se consolidar como líder do governo. Isso exige uma dedicação ímpar. Fui líder por quase quatro anos. Passei por testes muito exigentes. Desejo que ele tenha todo êxito na missão. Mas se eu fosse ele me dedicaria à missão com o máximo de seriedade, esquecendo as futricas locais, porque o lugar onde ele está não é a Disneylândia, não é não. Ele está num lugar mais pantanoso.

O senhor tem apetite de concorrer à Prefeitura de Manaus?

Não é uma coisa que me mate de desejo. Me dá muito mais apetite ajudar a construir um projeto que sirva de norte, bússola, para orientar uma candidatura legítima para a cidade de Manaus.

Então, são especulações as indicações de que o senhor será candidato a vereador?

Eu posso lhe assegurar que vereador eu não tenho a menor vontade de ser. Não vejo muito sentido. Tenho minha posição. O tempo vai dizer. Os processos sobre a fraude eleitoral em 2010 vão ser julgados. Não tenho que sair correndo atrás de um mandato de qualquer jeito. Na pior das hipóteses, se chegar a hora da eleição, eu disputo e se eu achar que tem que disputar. Na sou daqueles que se não é isso, serve aquilo.

O partido recebeu nos seus quadros Mário Frota, Plínio Valério e Paulo De’Carli. Esses nomes aceitariam sair com candidaturas à reboque de outras legendas?

Tudo tem que ser um processo de construção. Você ser apoiado por alguém não significa colocar alguém à reboque. Apoiar a alguém não significa ir a reboque. Significa nós termos Manaus em primeiro lugar e um olho político estratégico. Não buscarmos o isolamento do partido. Vamos ter 2014 e 2016. Temos que olhar um conjunto de fatores, entre os quais o não isolamento do partido. Não é uma coisa boa trabalhar para se isolar. Esses nomes são preparados para disputar uma eleição de prefeito. Eles estão tendo um comportamento exemplar do ponto de vista de compreender esse momento todo.

O senhor formaria chapa com o vereador Hissa Abrahão?

Quanto a seguir partidos aliados, tenho duas coisas a ponderar: Cada eleição é uma eleição e nem sabemos ainda quem será - ou não - nosso aliado. E a preferência básica é por candidatura própria. Logo, a hipótese envolvendo alianças sem o PSDB na cabeça vem atrás da hipótese de alianças com o PSDB liderando a chapa.

Qual é o resultado das conversas do PSDB com PPS?

As conversas com o PPS de Hissa, Guto Rodrigues, Luiz Castro, Zé Maria (no plano regional) e Roberto Freire (no plano nacional) são construtivas e fraternas. Não necessariamente resultam em alianças automáticas em todas as eleições. Mas representam o diálogo entre dois partidos que se respeitam e têm vários pontos em comum. O mesmo se dá com o PSB de Serafim Corrêa, Marcelo Ramos e Marcelo Serafim. Com o Partido Verde do prefeito Ângelus Figueira. Com o DEM do deputado Pauderney Avelino, que é tradicional aliado nacional do PSDB e mantém conosco, no Amazonas, relações corretas e de estima recíproca.

Com o prefeito Amazonino Mendes fora da disputa e um afastamento entre o senador Eduardo Braga e o governador Omar Aziz nas eleições desse ano é bom para o PSDB?

Não muda nada de substancial. Um partido não se deve pautar nas decisões de terceiros. Quanto à Amazonino, as manchetes dos jornais amazonenses estamparam declarações do prefeito Amazonino dizendo-se enfermo e completamente impossibilitado de disputar novas eleições. Neste momento cabe a minha solidariedade de ser humano e meu desejo de que esse homem público fique perto dos seus familiares queridos, entre os quais o Armandinho, filho dele que, apesar de todas as cruas divergências que mantive com o ex-governador, sempre foi meu amigo fraterno e sincero.

O senhor formaria aliança com o grupo do governador Omar, com o senador Braga fora das eleições deste ano?

Sou amigo pessoal do governador Omar Aziz. Não gosto de falar do que não está sendo alinhavado. Mas não tenho preconceito contra ele. Mesmo que tenhamos de ficar em lados opostos, sei que prevalecerá o respeito mútuo e isso já não é pouco. Ele é mais aberto que Eduardo. Soube, agora mesmo, que uma figura importante do PSD - ministro? Não sei bem, Dilma tem exagerados 39 ministros, nem dá para saber os nomes de todos eles de cor - esteve em Manaus e Omar teve a gentileza de chamar o Serafim para participar do almoço. É um gesto hábil, pois o credencia diante do visitante, e um gesto de boa abertura, pois, no mínimo, desarma o Serafim. Essa marca do atual governador, que é a cordialidade, é boa para a imagem dele. Em tempo: eu jamais me disporia a formar aliança “contra” Braga ou quem mais fosse. Sou por alianças “a favor” de Manaus e do Amazonas. Negar é menos nobre do que ser positivo, do que afirmar.

Busca do mandato continua

Com a certeza de que teve, em 2010, a reeleição surrupiada pela compra de votos nos rincões do interior do Amazonas, o senador Artur Neto (PSDB) afirma que, concorrendo ou não à Prefeitura de Manaus, não desistirá da denúncia do que chama da “torpe fraude eleitoral de que já se teve notícia no Estado, desde a democratização até hoje”.

 “Houve fraude deslavada, comprovada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. O Ministério Público Eleitoral do Amazonas, então, propôs cinco ações reparadoras, que tiveram absoluto respaldo da Procuradoria-Geral da República. Não propus nenhuma ação. O MPE, sim. Sou apenas assistente do MPE. Entendo que é um dever levar isso até o fim, até que a Justiça se faça”, disse o ex-senador.

Artur Neto perdeu a segunda vaga para o Senado na eleição de 2010 para a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB). A primeira cadeira foi conquistada pelo ex-governador Eduardo Braga (PMDB), apontado pelo senador tucano como o artífice de um esquema de compra de votos. Vanessa foi eleita senadora, com 672,9 mil votos, contra 644,3 mil votos de Artur. Em pontos porcentuais, a diferença entre os dois foi de 2,1%, o equivalente a 28.580 votos, dos 1.317.260 votos válidos.

O ex-senador volta a fixar moradia no Brasil a partir de junho. Vai morar em Brasília, onde ficará à disposição do Itamaraty, mas disse que estará frequentemente em Manaus.