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Nasa identifica redução no potencial de sequestro de carbono na Floresta Amazônica

A atividade é considerada válvula propulsora para a diminuição do efeito estufa, causador aquecimento global. Cientista da Agência Espacial Americana visitou Manaus e palestrou sobre estudo feito a partir de imagens de satélites 20/03/2012 às 12:32
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A seca de 2010 foi uma das mais fortes da história recente da Amazônia
FELIPE DE PAULA Manaus

Pesquisadores da Agência Espacial Americana, a Nasa, identificaram a diminuição da capacidade da Floresta Amazônica de absorver o Dióxido de Carbono (gás carbônico). A atividade é considerada válvula propulsora para a diminuição do efeito estufa, causador aquecimento global.

A constatação foi apresentada pela pesquisadora Erika Podest, que ministrou palestra sobre estudo ambiental realizado a partir de imagens de satélites da Nasa e falou com exclusividade à reportagem de A CRÍTICA. “Esse fenômeno de grandes secas e bastante mudança no ciclo das chuvas pode se estender ainda mais”, alerta a especialista, lembrando que o sul da Amazônia é a região mais afetada por essas anomalias.

A palestra da especialista abordou os diversos aspectos do ambiente terrestre que a Nasa consegue medir através de seus satélites a partir de uma perspectiva global e voltou seu olhar para a Amazônia, focando nas anomalias que os satélites encontraram relacionadas ao ciclo da chuva e suas consequências para a vegetação. “Em 2005 e em 2010 houve muito menos precipitação (chuva) do que o normal. O que as imagens de satélites mostravam é que grande parte da Amazônia, especialmente onde tinha menos chuva, tinha menos vegetação. Ou seja, a vegetação está morrendo ou produzindo menos folhas do que costumava produzir. Esse fato é determinante para entendermos as mudanças climáticas na Amazônia, já que estamos forçando ao limite a vegetação”, explicou.

O evento promovido pelo Projeto Planeta Sustentável, da Editora Abril, aconteceu sobre as águas do Rio Negro, a bordo do navio Ibero Star, durante o todo o final de semana, reunindo cientistas, ambientalistas, empresários e jornalistas de todo o Brasil e parte do mundo.

Elogio

Em segunda viagem ao País, a pesquisadora panamenha confessou nunca antes ter pisado no solo amazônico. Tal experiência, segundo suas próprias palavras, a deixou “maravilhada”. “Já havia estado no Brasil, mas nunca na Amazônia. Confesso que fiquei maravilhada. É muito diferente do que ver as imagens de satélite”, afirmou a cientista.

Erika elogiou ainda a iniciativa do Planeta Sustentável em trazer a discussão sobre sustentabilidade para dentro da Amazônia e citou o trabalho do grupo de pesquisa LBA (Experimento de Larga Escala da Biosfera e Atmosfera da Amazônia, da sigla em inglês), um projeto de cooperação internacional com recursos da Nasa que busca entender como as mudanças no uso da terra e do clima afetarão o funcionamento biológico, físico e químico da região e do mundo.

Projeto Planeta Sustentável

Com o tema “Novas Ideias para o Futuro da Amazônia”, o seminário realizado pelo Projeto Planeta Sustentável, da Editora Abril, reuniu mais de cem pessoas, entre CEO’s de grandes instituições, membros da comunidade científica internacional, além de jornalistas e ambientalistas de peso, a bordo do navio Ibero Star, a fim de discutir o futuro da Amazônia a partir de estratégias conjuntas de desenvolvimento sustentável. O Projeto é financiado por seis instituições: Abril, CPFL Energia, Bunge, Petrobras, Grupo Camargo Corrêa e Caixa.

Segundo o gerente de Marketing e Comunicação do Planeta Sustentável, Caio Coimbra, comenta que a ideia do seminário era mesmo de “ocupar os biomas e discutir questões mais profundas em relação a cada um deles” e que a iniciativa, que foi pensada por mais de um ano, já deu seus primeiros frutos. “As instituições já estão saindo daqui com uma agenda programada em torno da sustentabilidade”.