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Manaus
ENTREVISTA

"Ninguém pode pensar que vai influenciar o Amazonino", diz Omar Aziz

Principal articulador da campanha, Omar fala, em entrevista, sobre as expectativas para gestão, seu próprio futuro político e Zona Franca de Manaus 03/09/2017 às 10:00
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Omar Aziz tem 59 anos, é engenheiro civil e está desde 1988 na vida pública (Foto: Márcio Silva)
Camila Pereira Manaus

Em seu primeiro discurso após a vitória nas urnas, o governador eleito, Amazonino Mendes (PDT), afirmou que deve a sua vitória ao senador Omar Aziz (PSD). Nas palavras do pedetista como “jovem rebelde e idealista”, Omar teve papel fundamental na candidatura de Amazonino, ao convencê-lo a disputar a eleição e articular os arcos de alianças que ali se formariam.

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, Omar Aziz faz uma avaliação da disputa eleitoral, explica sobre os desafios da Zona Franca de Manaus (ZFM) e fala de seus planos para 2018.

O que o levou a acreditar que o nome de Amazonino Mendes era o ideal para ocupar o mandato tampão?

O Amazonas vive vários problemas. Primeiro, um problema econômico muito sério com a ZFM, que perde emprego diariamente. Não há perspectiva de um crescimento econômico imediato. Nós temos uma questão administrativa estadual muito séria e temos um problema político, que não é só local, mas nacional. Eu via no Amazonino - e o povo conseguiu enxergar isso nele - que era a pessoa mais preparada no momento. É uma pessoa que foi três vezes governador, três vezes prefeito, senador da República. Pessoa que tem uma experiência larga, que pode contribuir para que a gente possa voltar ao crescimento econômico do Amazonas e arrumar administrativamente os serviços. Ninguém ia votar nesse momento em uma aventura. A população sabe.

Amazonino o aponta como principal articulador da campanha. Como aconteceu essa articulação?

Conversei com ele para ver se ele topava esse desafio. Ele disse que estava fora da política eleitoral, mas que não estava fora da política, que todo cidadão brasileiro precisa estar envolvido. O Amazonino tem uma história com o Amazonas e eu espero que ele possa, com a experiência acumulada que tem, tirar o Estado dessa crise administrativa e econômica. Foi o argumento que eu usei para todos os aliados e depois tive uma conversa muito aberta com o prefeito Artur (Neto), que sabe da importância desse momento. Ele administra a 7ª capital mais populosa do Brasil. É uma peça política importante, é uma história política muito grande. O Artur também teve essa importância nesse processo. Mas ninguém ganha uma eleição pelo candidato, quem ganhou essa eleição foi o Amazonino.

Esse grupo que acabou se formando, significa um novo grupo político que pode se fortalecer para 2018?

Nada a ver uma coisa com a outra; 2018 será um novo momento. Nós tivemos uma eleição atípica, uma eleição de um mandato curto, que sobrecai sobre os ombros do Amazonino, uma responsabilidade muito grande com o Amazonas, com a história dele na política e na administração. Não é tão simples assim. Agora, nenhum de nós tem o direito de chegar com o Amazonino e dizer “nomeia fulano e ciclano”. O secretariado do Amazonino será da cabeça dele. O Amazonino já foi três vezes governador, três vezes prefeito, já está acostumado a escolher secretário, não sou eu quem vou ensiná-lo, ninguém vai ensinar o Amazonino. Eu não sentei com o Amazonino. O Artur não sentou com o Amazonino. Ninguém que apoiou o Amazonino, sentou com o Amazonino para exigir um cargo sequer no governo e ele sabe disso.

Qual será o seu papel no governo de Amazonino Mendes?

Eu, em Brasília, vou procurar ajudar o governo do Amazonas e o Amazonino, para que faça um bom governo, mas sem interferir administrativamente em absolutamente nada. Meu papel é ajudar. O próprio David (Almeida), quando precisou da minha ajuda, foi até Brasília, no ministério, no Banco do Brasil. O Melo quando governador… É meu papel como senador. Não será diferente com o Amazonino. Agora uma coisa é eu ajudá-lo em Brasilia, outra coisa é interferir na administração dele que, aliás, não se permite a nenhum amazonense, nenhum político, pensar que possa influenciar o Amazonino em alguma coisa.

Qual a sua avaliação geral sobre a campanha?

O Amazonino foi a pessoa mais coerente durante esse processo, pela experiência. Ele sabe que não tem como dar início a um projeto, com início meio e fim, pelo tempo de governo. O Amazonino disse que vai arrumar a casa; vai arrumar o quê? Aquilo que não está funcionando, ele vai colocar pra funcionar. Não adianta o cara prometer que vai construir mil escolas, dez, cinquenta, se aquelas que estão aí não estão funcionando plenamente. Muitos hospitais, escolas construídas por ele, que hoje, infelizmente, somam um monte de problemas, que não estão funcionando corretamente para atender a população. Você tem que dar a prioridade necessária.

Como o senhor avalia esse número expressivo de votos brancos, nulos, além das abstenções, nesta eleição?

Não foi uma coisa contra Amazonino ou Eduardo. Isso é uma coisa geral. O João Dória ganhou a eleição para prefeito e teve menos votos que brancos e nulos, por isso ele ganhou a eleição no primeiro turno. O Amazonino ganhou a eleição no segundo turno. Não há de se dizer que foi por conta dos dois candidatos. A má impressão, a desilusão do povo brasileiro – não estou dizendo do eleitorado, mas do povo brasileiro – é com todos nós que somos políticos. É comigo, com o Amazonino, com o Eduardo, com o Lula, Dilma, Temer, com o Rodrigo Maia, com qualquer político, independente de qualquer partido. Eu não posso dizer que os brancos e nulos foram contra o Amazonino e o Eduardo. Seria contra qualquer candidato. Essa eleição foi descasada, não tinha candidatos a deputado federal, deputado estadual, candidato a senador, não tinha aquela mobilização, que aí você dá capilaridade na campanha, por isso que eu acho que não é algo de outro mundo essa abstenção.

Como o senhor analisa a candidatura de Eduardo Braga?

O Eduardo teve uma coragem de disputar a eleição. Eu mesmo já me posicionei que, enquanto não esclarecer tudo o que tem, tudo o que paira sobre a minha pessoa, eu não serei candidato a nada. Não vou enfrentar um eleitorado desconfiado. Ele (eleitorado) já desconfia por si só, imagine tendo acusações. O Eduardo se expôs a isso. Ele ajudou no processo democrático. Tem-se que valorizar a coragem do Eduardo. Eu não poderia ser candidato porque era (a continuação da) eleição de 2014. Mesmo que pudesse, não seria candidato, porque acho que tenho que dar uma satisfação para aquelas pessoas que confiam em mim e para aquelas que estão desconfiadas de mim. É um processo da nossa vida.

Durante a campanha, houve a situação de infiéis dentro dos partidos políticos e isso aconteceu também dentro do PSD. Como o partido deverá tratar dessa questão?

Eu sou um democrata. Eu acho que as pessoas estão à vontade. Aqueles que não participaram da eleição, aqueles que não seguiram a orientação da convenção do partido, estão muito à vontade para sair a hora que quiserem. Isso aí é uma questão menor para mim, isso é o de menos. O partido político hoje tem gente que está até mudando de nome porque não aguenta mais. Muda de nome, mas a filosofia do partido é a mesma .

Recentemente o presidente Michel Temer aprovou uma lei que retira a exclusividade dos incentivos da Zona Franca, o senhor acredita que há desinformação a respeito dessa lei?

Me posicionei, até briguei com o senador. Quase fomos às vias de fato. Para nós, a guerra fiscal sempre foi prejudicial, sempre lutamos para acabar, porque os incentivos que a ZFM tem estão na Constituição, nas leis, são prerrogativas da ZFM. O Amazonas continua podendo desonerar ICMS sem precisar ir ao Confaz. Daí começaram as desinformações. Nota do sindicato, sem saber, depois eles disseram que não era bem assim. Mas no primeiro momento “acabaram a ZFM”. Isso é um terrorismo barato, não dá mais para permitir que isso aconteça. Isso é coisa séria. Continuamos tendo as mesmas prerrogativas, acontece que muitas empresas que tinham feito investimentos, porque os governadores dos estados da Bahia, do Ceará, tinham dado, permitiu-se que por mais 15 anos pudessem ter e depois acaba. É finito. A ZFM demora mais 50 anos para acabar.

Quais são os seus planos para o próximo ano?

Vou continuar trabalhando para o Estado, fazendo o meu papel. não penso em disputar a eleição, enquanto eu não esclarecer as citações que tem em meu nome em relação a essas denúncias que foram feitas. Não é Lava Jato, mas é uma operação. Há uma citação. Eu estou sendo investigado. Não sou concorrente de ninguém, por enquanto. Continuarei ajudando o amazonas, torcendo para que o Amazonino faça um bom governo.