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Nível do rio Negro continua subindo e deve ultrapassar cheia de 2013 na próxima semana

Nível do rio Negro deve subir mais 31 centímetros em junho e chegar em 29,60 metros, ultrapassando a marca registrada no ano passado. Quatorze bairros de Manaus já estão sofrendo com a enchente 30/05/2014 às 19:50
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Feira Manaus Moderna, no Centro da cidade, já está tomada pelas águas do rio Negro
VINICIUS LEAL E PERLA SOARES Manaus (AM)

Por 37 centímetros as águas do rio Negro não devem ultrapassar este ano o recorde histórico da cheia de 2012, que marcou 29,97 metros, conforme previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Em 2014, o rio Negro deve atingir a cota máxima de 29,60 metros, a partir da primeira semana do mês de junho. A marca deste ano, porém, ultrapassará em 27 centímetros o volume máximo do ano passado, que foi de 29,33 metros.

Nesta sexta, o volume de águas marcava 29,29 metros, e nos próximos dias, ou até a primeira quinzena de junho, o nível do rio Negro deve subir mais 31 centímetros até os 29,60 metros. Conforme o diretor do CPRM, Marco Oliveira, o volume deste ano será influenciado, principalmente, pela recorde na subida das águas do Rio Madeira, no sul do Estado, que foi de 70 metros cúbicos por segundo, sendo o normal 40 ou 50 metros cúbicos por segundo.

“Todo ano a cheia é diferente. Esse ano foi o fator rio Madeira, que sofreu uma cheia excepcional. Nas outras cheias a contribuição do Madeira era muito pouca”, disse Marco Oliveira. “O volume das águas atingiu primeiro a região do Baixo Amazonas (sul do Estado), causando situação de emergência em alguns municípios e depois atingiu Careiro e Manaus”. Segundo o diretor do CPRM, a subida das águas até 29,60 metros também dependerá da situação do rio Solimões.

“Essa previsão é feita em função da régua do Porto de Manaus. É uma equação a partir da série história de 100 anos do porto”, completou Marco Antônio. De acordo com o CPRM, baseando-se nas medições dos últimos anos, o volume máximo de 29,60 metros deve permanecer nesse nível em torno de 40 a 45 dias. A vazante do rio Negro, ou seja, a descida das águas, só deve acontecer após o período de 40 a 45 dias.

“Essa descida acontece de forma lenta, porque o nível fica alguns dias parado e volta a descer um centímetro por dia. Como a cota de emergência em Manaus aconteceu no mês de maio, a descida aconteceria no final do mês de junho”, disse o diretor do CPRM. Ele explica que o nível de 28,94 metros já é considerado estado de emergência. Em todo o Estado, 33 municípios já estão em situação de emergência.

Defesa Civil

De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, dos 33 municípios em emergência, dois já decretaram estado de calamidade – condição determinada pelo alto risco para a população: Humaitá, banhado pelo rio Madeira, e Boca do Acre, banhado pelo rio Purus. Em todo o Estado, 232.164 pessoas já foram atingidas pela cheia deste ano, sendo 46.216 famílias. Em Manaus, são 9.876 pessoas afetadas e 1,975 famílias.

Manaus

A Defesa Civil de Manaus divulgou número de 14 bairros já afetados pela enchente em 2014: Educandos, Raiz, Betânia, Presidente Vargas, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida e Centro, na Zona Sul; Glória, Compensa, Santo Antônio, São Jorge e Tarumã, na Zona Oeste; e Mauazinho e Puraquequara na Zona Leste de Manaus.

Auxílio-aluguel

Aproximadamente 1.400 famílias já foram cadastradas em Manaus para receber o auxílio aluguel, quantia de R$ 300 que permite aos moradores alugarem outros imóveis durante a cheia. Há previsão de 3 mil famílias cadastradas no próximo mês de junho pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

Pontes

Conforme a Defesa Civil Municipal, já foram construídas 41 pontes de madeira, 310 só pelas comunidades afetadas, ao todo 3.235 metros de pontes. As pontes são a única forma de garantir o acesso de moradores às áreas alagadas. De acordo com a Prefeitura de Manaus, cerca de 900 toneladas de lixo já foram recolhidas dos igarapés da cidade durante o período de cheia.