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Manaus
DIA DOS PROFESSORES

No Dia dos Professores, filhos contam como seguiram a mesma profissão dos pais

Filhos contam como exemplo dos pais e familiares influenciou positivamente na escolha da profissão deles 15/10/2017 às 14:19
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A professora Hélia Serdeira é o exemplo que fez sua filha, Ana Carolina, a seguir o caminho e se tornar mestre (Foto: Winnetou Almeida)
Álik Menezes Manaus (AM)

Apesar de, em alguns momentos, a profissão de professor ser considerada como desgastante e até sacrificante, a missão de ensinar continua envolvendo pessoas que dedicam a vida à educação no Amazonas. No Dia do Professor, que é comemorado hoje, filhos contam como o exemplo dos pais e avós influenciaram positivamente na escolha deles pela profissão.

A professora do ensino infantil Ana Carolina Serdeira, 31, se apaixonou pela educação ainda na infância, influenciada pela mãe dela, a professora de Língua Portuguesa Hélia Serdeira. Ana conta que a mãe não tinha com quem deixar os filhos e os levava para a escola onde trabalhava. Anos mais tarde, essa atitude inocente da mãe fez diferença na escolha da carreira da filha.

“A minha mãe ama a profissão. Lembro que quando criança, às vezes, ela não tinha com quem deixar meus irmãos e eu e nos levava para a escola. Ver o quanto ela era respeitada pelos alunos me fez pensar que o que ela fazia era muito importante para a sociedade, ela é uma professora diferenciada”, contou.

A jovem contou que a mãe superou obstáculos e desafios para se tornar professora e esse exemplo de determinação também foi fundamental para que Ana escolhesse lecionar também. Hélia trabalhou no Distrito Industrial, mas sempre quis fazer faculdade de Língua Portuguesa e “correu atrás dos sonhos” e hoje se tornou o maior referencial para os filhos.

“Foi uma época muito difícil, ela saia de casa ainda de madrugada e já deixava tudo pronto. Quando ela voltava à noite, mesmo muito cansada, ainda tinha tempo para a gente, cuidava e tentava ensinar alguma coisa, se preocupava com as tarefas. Minha mãe é uma guerreira, batalhadora. Ela me ensinou valores para sermos pessoas integras, de bom caráter e são qualidades que ela repassa também na sala de aula. O amor pela profissão permite que ela ensine mais que conteúdos específicos, nas atitudes e na forma como trata as pessoas ela mostra exemplo de caráter e passa ensinamentos”, disse.

A professora Hélia, inclusive, foi professora da filha nos três anos do ensino médio. Apesar do “peso” da responsabilidade por ser filha da professora, Ana disse que os três anos foram de aprendizado e orgulho da profissão da mãe.

“Meu orgulho dela só aumentou nessa época. Eu sentia orgulho de ser filha dela porque eu via ela que ela era respeitada por professores, alunos e pelos pais dos alunos. Me esforçava para não decepcioná-la e ser uma ótima aluna”.

Seguindo os passos

Com os exemplos da mãe, Ana prestou vestibular, foi aprovada, formou em 2012 e há cinco anos leciona em uma escola de educação especial.

“Apesar das dificuldades, de não ser uma profissão valorizada, de ter desafios diários, eu amo ser professora, amo meus alunos e amo ensinar. Esse ano completa 5 anos que leciono em sala de aula e espero que seja apenas o começo. No ano que vem minha mãe completa 25 anos que leciona e ainda não pretende parar. Eu sigo o exemplo dela”.

Para a professora Hélia, o maior presente no Dia dos Professores e saber que a filha dela também trilhou pelo caminho da educação e faz o trabalho com amor pela educação e, sobretudo, pelos alunos.

“Ah, isso não tem dinheiro que pague. Só mesmo a sensação maravilhosa do dever cumprido. Você imagina o que significa para um professor ver seus alunos bem encaminhados na vida, fazendo uma faculdade, terem uma profissão e serem bem sucedidos. Essa realização é dupla quando um de seus alunos é filho ou filha como no caso da Ana Carolina. O sentimento é de dever cumprido”, diz a mestre.

Família de professores influenciou

O professor de Língua Portuguesa Sérgio Ferreira dos Santos, 24, até que tentou “fugir” da profissão da maioria dos parentes. O pai, a mãe, duas tias, uma prima e outros familiares são professores e não insistiram que ele fosse também professor, mas o destino do jovem já estava escrito.

O jovem contou que havia decidido cursar jornalismo, mas se apaixonou pela missão que todo professor desenvolve na sociedade. Durante os três anos do ensino médio, o jovem estudou intensamente para passar no vestibular para Comunicação Social e foi aprovado, mas a paixão pela educação ganhou espaço na vida dele.

O jovem contou que sempre admirou a profissão porque teve boas referências na família, principalmente em casa: sua mãe. “Parei para pensar e lembrar das atitudes dos meus pais. Da minha mãe sobretudo, foi isso assim que começou a aflorar em mim o desejo de me tornar um professor, sem esquecer que a língua portuguesa é muito rica e maravilhosa. Eu amo a minha profissão porque a minha família me ensinou a mar com exemplos práticos e sem nenhuma pressão. Infelizmente minha mãe me deixou tem dois anos, mas ela sempre me incentivou, a essência dela não saiu de mim, cada dia me sinto mais apaixonado pelo que faço, agradeço a Deus por ele ter me dado esse dom tão magnífico e maravilhoso”.

Blog: Jan Santos, escritor

“Há quem não entenda, quem duvide do seu valor, mas não esqueça, colega professor: ensinar é para quem tem aço e pétala no espírito. Somos inimigos declarados da ignorância, e nosso papel nunca foi tão necessário, tão decisivo quanto agora, no qual o desespero de um País refém da ganância faz com que o ódio e a falta de conhecimento se espalhem. Sejamos aço e pétala, pois ensinar não é fácil. Não deixemos às gerações futuras problemas que podemos resolver, a empatia que podemos ajudar a semear, o desafio que precisamos assumir a cada dia. Neste dia, colega professor, deixo meus parabéns, e para os demais, peço: seja aço e pétala”.