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Manaus
Risco

No escuro há cerca de 3 meses, Ponte Rio Negro agora também fica sem posto policial

O local, que já fica constantemente às escuras devido aos furtos de cabos de energia, agora está sem policiamento e qualquer um que faça a travessia se coloca à disposição dos criminosos 10/05/2016 às 11:47 - Atualizado em 10/05/2016 às 17:08
Vinicius Leal Manaus (AM)

Se já era perigoso passar a pé ou de carro durante a noite pela Ponte Rio Negro, que há cerca de três meses está sem iluminação, esse risco aumentou nesta segunda-feira (9). É que os dois postos da Polícia Militar que funcionavam em containeres nas duas cabeceiras da via foram desativados: o local, que fica constantemente às escuras devido aos furtos de cabos de energia, agora está sem policiamento 24 horas. 

E os relatos de crimes na Ponte Rio Negro não são difíceis de encontrar. O vigia noturno Joel da Encarnação, 38, que faz segurança de uma barraca de hortifruti 24 horas na beira da estrada do lado do Cacau-Pirêra (distrito do município de Iranduba), nunca foi assaltado ali, mas já socorreu pedestres que foram roubados. “Uma noite dessas eu tava aqui deitado na minha rede e veio duas meninas de lá, correndo, dizendo que os rapazes estavam querendo estuprar elas (sic). Demos apoio”, disse. 

O engenheiro Odilo Junior, 37, pedalava na companhia de mais dois amigos. Eles, os ciclistas, preferem a noite para se exercitar e são frequentes vítimas dos assaltantes. “Há duas semanas um rapaz que pedala com a gente foi assaltado, logo na entrada. Nos últimos dois meses foram pelo menos três assaltos. Desde que inaugurou fazemos treinamento aqui e a iluminação nunca funcionou perfeitamente", disse, ressaltando a importância da polícia contra também crimes de trânsito. “Ficava o posto aí e inibia o pessoal que anda acima da velocidade”.

Risco na pista, aéreo e fluvial

Qualquer um que tope fazer a travessia dos 3.595 metros de ponte se coloca à disposição dos criminosos. No período noturno, o breu predomina e quem chega à parte estaida, no meio da dela, consegue ver, de longe, as luzes da capital e um tímido céu estrelado. E o risco não é restrito apenas à segurança das pessoas em terra firme: como a ponte está na escuridão total e sem qualquer sinalização aérea ou fluvial, também fica comprometido o tráfego de embarcações e possivelmente de aeronaves.

O estudante Cristiano das Neves, 22, é dos que se aventuram a pé na ponte. Morador do Cacau-Pirêra, ele estuda à noite no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus, divisa com a ponte. Para voltar para casa, pega o ônibus que faz a travessia, que passa de meia em meia hora, com última saída às 23h. Mesmo sem iluminação, ele não tem medo de ficar na ponte com os amigos. “É o tempo que dá pra eu vir com meus colegas conversar um pouco. Não é perigoso. Já ouvi boatos, e se acontecer, saio correndo. Quando o assaltante chega aqui, quem perde é ele”, ressaltando o fato de estar em grupo.

A secretária Gisele Araújo, 26, moradora de Iranduba, frequentemente precisa atravessar a ponte de carro para deixar a irmã e as sobrinhas que residem em Manaus. Segundo ela, a ponte está na escuridão desde meados de janeiro. “A gente ouve dizer que houve roubo dos cabos (de energia), mas ainda não providenciaram para que nos ajude na direção. Tem muitos amigos meus universitários que vão a Manaus estudar e já foram abordados. Eles (assaltantes) colocam a faca mesmo. Não tem nenhuma proteção”. Em fevereiro, a recuperação da iluminação foi anunciada.

Dos dois lados

Do lado do Cacau Pirêra (distrito de Iranduba), onde estava situado o posto policial há atualmente apenas a marca no chão onde ficava o container e, ao lado, uma tenda com cadeiras e mesa abandonadas, um letreiro luminoso com informação de trânsito e barreiras para diminuição de velocidade. Um cão é o único a “vigiar” aquele trecho de quem vem de Iranduba e do Cacau em direção à capital. 

Já o “lado Manaus” da ponte é mais privilegiado. Apesar da falta do policiamento 24 horas, uma equipe da PM responsável pela região do bairro da Compensa, permanece numa viatura ali e, vez ou outra, faz o trabalho ostensivo indo até o outro lado e depois retornando. A iluminação pública da Compensa também ajuda, mas só até o certo ponto.

O motivo

A possível causa para a desativação e retirada dos dois postos policiais na Ponte Rio Negro seria a falta de pagamento do Comando da Polícia Militar do Amazonas à empresa responsável pelos containers ou o fim do contrato. Recentemente, a Creche da PM em Manus teve aulas suspensas por não ter merenda escolar, também motivada pela falta de repasse à empresa ou fim de contrato. A assessoria da PM não respondeu a reportagem até a publicação desta matéria.