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‘O Eduardo Braga não é nada, é só um senador’, afirma Amazonino Mendes em entrevista

O ainda prefeito de Manaus afirma que está muito decepcionado com a presidente Dilma , tanto como pessoa quanto como administradora do País 15/12/2012 às 09:55
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Amazonino Mendes diz que está decepcionado com a presidente Dilma
acritica.com ---

A duas semanas de entregar a cadeira de prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), faz a despedida do cargo com duras críticas ao senador Eduardo Braga (PMDB), ex-aliado e um provável adversário na disputa pelo governo estadual em 2014. Segundo o prefeito, não existe brigas entre Eduardo Braga e o governador Omar Aziz (PSD). Para Amazonino, Eduardo Braga será o candidato oficial do governo Omar.

A disposição e o bom humor do prefeito foram atribuídos a prática diária de exercícios físicos e o fato de ter deixado de fumar, hábito que mantinha desde adolescente. Amazonino criticou o posicionamento de Dilma Rousseff em relação a Manaus, comentou o episódio envolvendo moradores das áreas de risco e ainda atribuiu à Justiça, ao Ministério Público e à imprensa o não cumprimento de suas propostas de governo. A seguir, trechos da entrevista concedida à rádio CBN, na manhã desta sexta-feira (14).

Como está a sua saúde?

Parei de fumar, estou fazendo fisioterapia e com um humor muito melhor. Cheguei a perder oito quilos, mas a minha intenção é perder no mínimo 12.

Como tem sido os últimos dias (como prefeito)?

Muito tranqüilo. Sinceramente eu estou com a sensação de dever cumprido e muito agradecido aos companheiros de equipe de trabalho. Mostrei um pouco que eu não gosto de mentir publicamente (risos). Eu posso até mentir, mas não publicamente! Eu disse que não iria me candidatar ao Senado, ao Governo, à prefeitura e não fui. Eu penso muito antes de falar e, na verdade, a Prefeitura de Manaus pra mim foi o maior desafio minha vida.

O senhor acha que o seu problema de saúde foi resultado da sua atividade como prefeito?

Talvez tenha acontecido por conta do dia-dia.

Qual teria sido o maior problema?

Quase me mato com o problema do ônibus. A cidade perdia muito por conta das intervenções dos órgãos judiciais que ao invés de ajudar, prejudicavam. Houve não sei quantas liminares nessa questão de transporte coletivo, dos ônibus, e com segurança digo que todas elas foram equivocadas. Isso aconteceu várias vezes não somente por questões judiciais, mas por intervenção do MPE e da imprensa.

Qual foi o maior mérito da sua administração?

Organizar a prefeitura.

E o que o senhor deixou de fazer?

Muita coisa. O sistema coletivo, apesar da luta, sem quartel pra resolver, eu o resolvi parcialmente. Ainda temos problemas. Por exemplo, o sistema público de transporte executivo concorrendo com o sistema coletivo oficial.

O senhor acha que Manaus ainda tem jeito com tantos problemas, como os camelôs?

Não me deixaram fazer camelódromo. Eu quis fazer, mas não me deixaram. Hoje (ontem) um dos jornais me acusou de não ter cumprido minhas promessas, e fala das mil creches. Eu faço é rir, porque fazer o quê? Eu tenho é que rir! Ora é óbvio que quando eu falava das mil creches eu falava da mãe social porque mil creches não existem nem em São Paulo.

Por que não implantou esse sistema?

Porque o Ministério Público proibiu no Brasil inteiro. Depois que eu assumi, o Ministério Público entendeu que esse sistema não é um sistema confiável, satisfatório.

Quantas creches o senhor vai entregar?

Agora vou entregar cinco. Quando a presidente Dilma abriu para o País eu consegui mais 110, mas por conta de falta de terrenos na cidade eu fiquei só com 55 em andamento e já acordadas com o Ministério da Educação. Se isso for cumprido, Manaus vai ser a cidade mais bem assistida em creches.

O senhor deixou algumas obras inacabadas como a Ponta Negra...

Eu fiz 360 obras e essa é uma marca de onde passo. Com ou sem dinheiro eu consigo e deixo muita obra em Manaus. Também é licito dizer que eu trabalhei nas 14 mil ruas de Manaus, trabalhei mesmo. Houve um momento em que Manaus não tinha buraco e isso é um milagre! Hoje tem muitos buracos, mas não chega a ser 10% do que eu recebi.

No dia 31 de dezembro o senhor vai dizer adeus ou até breve?

Nem uma coisa nem outra. Eu simplesmente vou tocar a vida como qualquer ser humano. Estou preocupado só com o vazio que vai ficar porque estou acostumado a enfrentar os problemas e, de repente, vem aquele vácuo. Isso pode até ser prejudicial à saúde. Eu só não penso em fazer política, isso eu garanto. O que não quer dizer que eu não vou ser político ou que não possa concorrer. Eu só não farei disso a base da minha atividade do dia a dia.

O senhor elegeu 12 prefeitos no interior. Esse número já é um bom exército pra enfrentar o senador Eduardo Braga no governo?

Não penso nisso. Penso que vai haver muita mudança no Brasil e aqui (no Amazonas).

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