Publicidade
Manaus
Manaus

O povo e o poder público se unem para sujar as ruas Manaus

Série de reportagens  mostra que lixo é um problema complexo que envolve as falhas do poder público, mas também uma boa dose de falta de educação da própria  população. Na beira-rio, no Centro histórico ou nos bairros, a situação é a mesma 10/03/2012 às 18:00
Show 1
Lixo é um problema complexo que envolve falhas do poder público
Florêncio Mesquita Manaus

Colchão, garrafas pet, latas de cerveja, frutas, sacolas plásticas e até um freezer boiando na beira do rio Negro, na região da feira da Manaus Moderna. Esse é o cenário de lixo e sujeira visto no local que é vendido para o mundo como um cartão postal de beleza e preservação do meio ambiente. O cenário, que choca o turista que chega à capital amazonense se depara com a realidade, revela ainda a falta de conscientização da população para o problema dos resíduos sólidos.

Para o comerciário Márcio Gonçalves, 29, a sujeira no local mostra uma realidade que não condiz com a beleza do rio Negro. “É uma realidade triste. Se qualquer um parar cinco minutos para ficar observando o movimento no porto da Manaus Moderna verá que as próprias pessoas jogam de tudo no rio e com uma falta de consciência absurda”, disse.

Segundo administrador, Wilson Soares, 46, o lixo transforma a identidade da Capital e mostra que o rio tem sido cada vez mais poluído. “É só olhar para o rio e ver o lixo. Não é só garrafas pet e plástico, tem óleo de motor saindo das embarcações sendo despejado direto na água. Quer poluição maior que essa? O rio é grande mais não vai durar para sempre se continuarem jogando de tudo nele”, disse.

O lixo produzido pelos próprios usuários de transporte fluvial se acumula no rio e na área de atracação de embarcações. O detalhe é que a poucos metros do local existem lixeiras de coleta seletiva, mas ao que parece a população prefere jogar o lixo no chão e no rio como afirma o carregador Charles Silva, 48. “As embarcações grandes recolhem o lixo deixados pelos passageiros e jogam as sacolas na escadaria (área de atracação). Outras pessoas vão lá e rasgam as sacolas para encontrar latinhas ou comida e o lixo acaba no rio. Outros barcos jogam as sacolas de lixo direto no rio”, disse o Charles que há oito anos trabalha no local

Os passageiros que chegam a Manaus em barcos vindos do interior e de estados vizinhos passam justamente pela área de embarque e desembarque onde o lixo de acumula. A própria balsa onde a maioria dos barcos de recreio atraca conta com lixeiras, mas o local está cheio de lixo.

Apesar da presença de agentes municipais de limpeza pública, que recolhem o lixo do local, a falta de conscientização da população parece ser mais forte. “Não adianta limpar que a população não sabe para o que servem as lixeiras”, disse o comerciante Nivaldo Palheta, 42. 

Educador vê falhas de todos

População já vê com naturalidade e indiferença o problema. O poder público, contudo, não fiscaliza

O educador Valter Calheiros, 46, lembra que o lixo serve como foco de doenças e transforma a paisagem do local em um vergonhoso cartão postal. “A população vê com indiferença e naturalidade que o lixo seja deixado de qualquer jeito. Além de outros fatores, é evidente que se trata de falta de educação e de responsabilidade dos proprietários dos barcos, pois o carro coletor realiza diariamente a retirada do lixo da Feira Manaus Moderna. Também é notória a falta de fiscalização e de conivência dos órgãos públicos com esse desrespeito com a Cidade de Manaus”, ressaltou

De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semuslp), falta conscientização da população para manter a área limpa. A reportagem de A CRÍTICA acompanhou, por um dia, o trabalho dos garis e constatou que mesmo durante o trabalho deles a população continuou jogando lixo em via pública ou no rio. Minutos depois dos garis limparem, a beira-rio  estava suja novamente.

Conforme a Semulsp, a situação ocorre todos os dias e dificulta o trabalho dos agentes de limpeza pública.