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Manaus
TRANSTORNO

Obra na av. Nilton Lins tem novo atraso e lojistas alegam queda de 50% no lucro

Construção de ponte deveria ser entregue na primeira quinzena de novembro pela Seminf; comerciantes da área amargam prejuízos 22/11/2017 às 16:57 - Atualizado em 22/11/2017 às 19:59
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Obras no local continuavam até a tarde desta quarta-feira (22) (Foto: Jair Araújo)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Os transtornos causados pela obra de uma ponte na avenida Professor Nilton Lins, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus, estão longe de acabar para comerciantes e moradores da área. Em outubro, a Prefeitura de Manaus havia informado que a construção seria entregue na primeira quinzena de novembro, no entanto, máquinas, materiais de construção e dezenas de operários continuavam no local nesta quarta-feira (22). Proprietários afirmam que o movimento caiu mais de 50% nos restaurantes, e a tendência é piorar no final do ano.

No local, responsáveis pela obra não quiseram falar com a equipe de reportagem, mas um operário revelou que a previsão é a finalização da ponte até o final do ano. Os funcionários aguardam a chegada de vigas de metal para sustentar o “tabuleiro” que dará condições de trafegabilidade. Os canteiros centrais da avenida e a reforma das calçadas ainda não acabaram.

De acordo com o empresário Igor Gavinho, representante dos lojistas que ficam no entorno da obra, o vice-prefeito de Manaus e secretário municipal de infraestrutura, Marcos Rotta, admitiu nesta semana que a obra estava atrasada. Segundo ele, o secretário enviou fotos nesta quarta-feira mostrando o transporte das vigas metálicas. “Ele disse que a obra estava atrasada e estava no pé da construtora, mas não deu data pra que a obra termine”, disse.

Queda no movimento

Proprietários de estabelecimentos e lojistas da praça de alimentação afirmam que a obra na ponte causou uma queda de até 60% no movimento do local. Isso porque, segundo eles, a interdição da via dificulta o acesso ao espaço, ao ponto que nos horários de pico os clientes evitam consumir nos restaurantes por conta de congestionamentos e da presença de máquinas e materiais.

O gerente de uma churrascaria da praça de alimentação, Paulo Yamada, disse que o lucro caiu pelo menos 50% desde setembro, mês que a obra iniciou. O restaurante fica aberto para almoço e janta, entretanto, ele considera fechar o estabelecimento para o almoço devido ao atraso da obra.

“Está há muito tempo nisso. Podiam ter planejado isso de forma mais consistente, abrindo uma pista alternativa pras pessoas passarem... Ninguém quer enfrentar essa bagunça”, disse ele.

A responsável por outro restaurante na avenida Nilton Lins, que não quis ter o nome citado na reportagem, explicou que a via era rota de quem saía de faculdades e distribuía refeições para empresas. A interdição, segundo ela, afetou a renda obtida com esses clientes.

“O nosso lucro caiu 50% desde o primeiro dia. As pessoas saíam da aula e vinham direto pra cá com os pais e filhos. Muitas empresas solicitavam refeições daqui, e agora pedem de outros lugares porque ninguém quer dar esse retorno pra chegar aqui. É difícil apostar num prazo, porque muitos falam que vai sair em dezembro, janeiro e fevereiro, e a gente acaba não acreditando muito”, contou.

O próprio Igor Gavinho, dono de um restaurante de comidas regionais nas proximidades, disse estar preocupado com o pagamento de funcionários devido à obra. “A inadimplência do aluguel da praça está em 60%. Aí junta essa despesa com o 13º e o caixa que fazemos para o final do ano. Essa época que seria boa para faturar não aconteceu pra gente e as despesas aumentam”.

Posicionamento 

Em nota, a Seminf informou que a obra de reconstrução da ponte na avenida Professor Nilton Lins está dentro do prazo previsto. O contrato para execução do serviço foi firmado no dia 20 de outubro pela secretaria com prazo para a entrega da construção de 90 dias, portanto, até janeiro de 2018. 

A pasta informou ainda que o local foi condenado por laudo atestado pela Defesa Civil por apresentar riscos de desabamento, uma medida de segurança realizada por conta da sobrecarga de veículos, que obrigou a interdição total da área no dia 20 de setembro deste ano e a demolição da antiga ponte de forma imediata. 

A Seminf destaca que a obra já está em fase de lançamento das vigas metálicas, e em seguida será feito a concretagem do tabuleiro. A previsão para a conclusão dos serviços será na primeira quinzena de dezembro onde o tráfego será liberado de forma segura e imediata.

Diferentemente da estrutura inicial, feita de gabião, a nova passagem será feita de forma mista, com vigas metálicas e concreto armado, que dará mais durabilidade à estrutura.

Além da nova ponte, a avenida professor Nilton Lins também receberá a instalação de duas novas alças de retorno. A obra já recebeu a primeira camada de asfalto e está na fase de concretagem do retorno. No local já foi feito todo serviço e confecção de meio-fio e sarjeta. 

Com a conclusão da intervenção viária, o retorno temporário, hoje realizado nas proximidades da praça de Alimentação, será definitivo.