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Obras na rotatória do Mindu continuam paradas em Manaus

Obras paradas há 86 dias Revitalização do local já deveria ter sido concluída, mas ainda está nas fundações; Prefeitura culpa período de chuvas 26/02/2012 às 15:11
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Durante visita da reportagem à rotatória, apenas seis funcionários foram encontrados, além de barro e um alojamento
MILTON DE OLIVEIRA Manaus

As obras na rotatória do Mindu, bairro Parque Dez, Zona Centro Sul de Manaus, vão “a passos de tartaruga”, segundo os comerciantes e moradores próximos da obra. O local está interditado há 86 dias para a construção de um monumento e também para amenizar os problemas ocasionados naquela área, com o alargamento da via em mais duas pistas.

Além da demora, alguns moradores reclamaram que a iluminação instalada na área, já fechada com tapumes, não é suficiente, o que provoca medo e insegurança em alguns proprietários de estabelecimentos que permanecem abertos à noite.

De acordo com a assessoria do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), a conclusão das obras, que estavam previstas para o próximo mês, terão um atraso de 30 dias, “devido às chuvas”. O órgão informou também, que as obras “estão sendo feitas, nas suas fundações”.

Se a chuva é o motivo do atraso para a conclusão da obra, os moradores do Parque Dez, terão que esperar até o próximo semestre, porque o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) informou, na semana passada, que, até junho, a previsão é de que as precipitações continuem em todo o Amazonas.

A reportagem de A CRÍTICA, esteve, na manhã de quinta-feira, 23, no local e apenas seis trabalhadores estavam no canteiro de obras. O que havia na rotatória era um enorme círculo com tapumes, barro e alojamentos para funcionários. A placa da obra indica que a empresa Urbanix Construção e Comércio Ltda é a responsável pela revitalização do local e que o prazo de conclusão era de 80 dias.

As obras foram anunciadas em março do ano passado, com o prazo máximo de início de 90 dias, mas os trabalhos só começaram, de fato, nove meses depois.

Na ocasião, o Implurb informou que a obra estava orçada em R$ 1 milhão. Entretanto, somente no pagamento de indenizações aos 17 proprietários de comércios que existiam no local, a prefeitura gastou R$ 1,8 milhão.

O órgão informou também, no mesmo ano, que a verba de R$ 1 milhão seriam correspondentes a medidas compensatórias de duas grandes empresas que atuam no mercado em Manaus, no setor imobiliário e que, neste valor, já estaria incluída a demolição da edificação, que teria um custo de R$ 125 mil. O pagamento da indenização gerou polêmica entre os comerciantes que atuavam na área.

A prefeitura alegou que disponibilizou R$ 85 mil para 16 pessoas que apresentaram documentação como proprietários dos boxes e que não iria repassar quaisquer valores aos inquilinos, a título de indenização porque eles não têm comprovação de contrato. Vários deles se juntaram em uma associação e deram entrada em um procedimento judicial.

Confusão na origem

Desde a construção, local foi ocupado, abandonado e vendido irregularmente para terceiros Em novembro de 2011, os comércios dos permissionários que funcionavam no local foram demolidos pela empresa Urbanix Construções e Comércio Ltda, que executa a obra.

Os boxes foram derrubados para dar lugar a um monumento que destaca um chafariz. A obra de arte será construída em homenagem ao Parque Municipal do Mindu, localizado em frente à rotatória e será destinado a circulação exclusiva de pedestres. O monumento é parte do projeto da nova rotatória que ainda prevê a construção de um espelho d’água no seu entorno , instalação de luminárias, jardins e calçamento.

A área prevista é de 250 metros quadrados. A ocupação da rotatória do Mindu aconteceu na década de 80, na administração do ex-prefeito e atual presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Manoel Ribeiro.

O local ia abrigar a Central de Abastecimento do Parque Dez. Seriam pequenos boxes para fins comerciais e que seriam vendidos pela Urbam, hoje Implurb. Segundo moradores, assim que a obra foi anunciada, secretários municipais e seus chefes de gabinetes foram os que compraram os boxes, ainda na planta.

Eles afirma ainda que a construção não havia sido concluída quando aconteceu uma grande chuva na cidade e famílias ficaram desabrigadas. Na época, o ex-senador Arthur Virgílio Neto era o prefeito. Ele colocou os desabrigados na construção inacabada. Estes, quando saíram, teriam levado consigo pias, vasos sanitários, portas e material de construção.

A construtora responsável pela obra teria exigido da prefeitura um aditivo da obra, que não foi aceito. A construtora abandonou a obra e as pessoas que haviam comprado os boxes começaram a vendê-los.