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Omar defende pauta própria sobre sustentabilidade para o AM

Temos que dar um recado ao mundo na Rio+20: todos falam em preservação, mas até hoje o Estado do Amazonas não viu um real sequer sobre crédito de carbono, sobre ajuda humanitária ou sobre os problemas que enfrentamos dentro de nossas florestas”, pontuou o governador 21/03/2012 às 17:29
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Omar Aziz lança programas socioambientais
acritica.com Manaus

O governador do Amazonas, Omar Aziz, defendeu nesta quarta-feira, dia 21 de março, que os Estados da Amazônia tenham uma pauta própria em relação à política de sustentabilidade da região durante a conferência Rio+20. As propostas regionais serão definidas na Carta da Amazônia, um documento que será construído em discussões conjuntas entre os governadores da região em diversos eventos regionais que antecedem a conferência marcada para o mês de junho, no Rio de Janeiro.

“Temos que dar um recado ao mundo na Rio+20: todos falam em preservação, mas até hoje o Estado do Amazonas não viu um real sequer sobre crédito de carbono, sobre ajuda humanitária ou sobre os problemas que enfrentamos dentro de nossas florestas”, pontuou o governador.
Omar Aziz falou sobre o assunto durante o 1º Encontro de Comunicação Socioambiental do Amazonas, realizado nesta quarta-feira, no Caesar Busines. O evento, que comemora o dia Mundial da Floresta, é organizado pela  Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).

A ideia da construção de uma proposta conjunta da Amazônia para Rio+20 foi lançada semana passada durante o Fórum de Secretários de Meio Ambiente em Rondônia e será uma das pautas do Fórum de Governadores da Amazônia, que acontece segunda-feira, em Belém do Pará. O governador Omar Aziz confirmou presença na reunião e anunciou para o final de maio uma nova rodada de discussão sobre o tema com os governadores em Manaus, com a possível presença da presidenta Dilma Rousseff.

“A discussão hoje é o desenvolvimento sustentável, mas não dá para falar apenas da floresta e se esquecer das pessoas que moram nela. A verdade é que se fala muito em preservação, mas não se fala como estas pessoas podem usufruir das florestas, com a infraestrutura e a logística para que a gente possa gerar oportunidade e renda a quem protege as florestas do Brasil e principalmente aqui no nosso Estado”, disse o governador, ao revelar que essa será a posição do Amazonas na Rio+20.

Segundo ele, muito já se discutiu sobre crédito de carbono e outras questões relativas à sustentabilidade, mas até hoje não chegou nada para o ribeirinho e para o homem do interior. “Nesse momento o que assistimos no Estado do Amazonas são 30 mil famílias debaixo d’água e uma movimentação muito pouca daqueles que defendem o meio ambiente. Então, a minha preocupação como governador é com o povo e as pessoas que moram aqui. É lógico e eu entendendo que a preservação é muito importante, mas tem que estar ligada à sustentabilidade na geração de emprego e renda e oportunidade para as pessoas”.

Além de infraestrutura e logística para viabilizar a atividade econômica no interior, o governador defende o investimento em tecnologias que possam facilitar a produção extrativista. Uma das reivindicações do Governo do Estado junto ao Governo Federal tem sido a revitalização do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Da parte do Governo Estadual, Omar Aziz citou o projeto de construção da Cidade Universitária, em Iranduba. “A dificuldade é secular. Por mais que tenhamos avançado em tecnologia, a mesma tecnologia utilizada há 200 anos para que se pudesse colher a seringa é utilizada hoje em pleno século 21: o facão, a poronga e a cuia”, observou o governador, dando como exemplo, ainda, a produção de juta e malva e outros produtos da floresta.

Exemplo de casa

O governador citou alguns exemplos de iniciativas do Estado que já estão sendo adotadas em relação à economia verde e sustentabilidade, o tema principal da conferência do Rio de Janeiro. Dentre eles está o processamento industrial de pirarucu para a produção de bacalhau da Amazônia, em Maraã; o beneficiamento de castanha da Amazônia em municípios como Manicoré e Lábrea, produto que está sendo comercializado para merenda escolar e para exportação, além do subsídio para a produção da borracha, que ajudou a valorizar o preço do produto para o extrativista.

A piscicultura é outro alvo do Governo Estadual, que está desenvolvendo um projeto para a produção de peixe em tanques redes, em Humaitá, no Sul do Amazonas. “Hoje, nossa produção de peixe é de 180 mil toneladas. É possível dobrar com tecnologia, com conhecimento e financiamento para que os empresários possam vir trabalhar e com isso gerar emprego. Esse ée o desenvolvimento sustentável que queremos para nossa região”.

Para o governador, a preservação da Amazônia deve-se à sabedoria milenar dos povos indígenas e dos caboclos. Ele citou que o Estado possui quase 98% de cobertura vegetal intacta e nos últimos anos conseguiu reduzir em mais de 64% o desmatamento. “Não devemos nada a ninguém. Quem preservou essa floresta foram os povos indígenas e os nossos caboclos que a usaram de uma forma sustentável sem precisar aprender com ninguém”, disse o governador, ao criticar os que, segundo ele, fazem discurso sobre sustentabilidade sem conhecer a realidade da Amazônia. Por último, o governador fez um apelo aos jornalistas que participaram do Encontro de Comunicação Socioambiental para que ajudem na divulgação dos assuntos relacionados à sustentabilidade.

Lançamento

Durante o encontro, foram feitos lançamentos de novas iniciativas voltadas para a questão socioambiental, dentre elas o edital do programa Jovem Cientista Amazônida – Áreas Protegidas (JCA-AP), financiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).  O edital conta com recursos de até R$ 600 mil, com o objetivo de contemplar pesquisas científicas voltadas para questões associadas às Áreas Protegidas do Amazonas.


De acordo com a diretora-presidente da Fapeam, Maria Olívia Simão, o projeto que terá investimento de R$ 600 mil vai permitir que a pesquisa chegue aos estudantes do interior do Estado, envolvendo cientistas, estudantes, professores e as comunidades de áreas protegidas. “A  premissa básica é envolver os pesquisadores com a sociedade local. Professores e alunos farão parte da pesquisa e receberão bolsa para isso”, ressaltou.