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'Operação Caramuri' retira vendedores de frutas e legumes das ruas Centro de Manaus

O objetivo da operação é retirar de circulação os ambulantes que vendem frutas e verduras sem condições de armazenamento e que obstruem as vias, impedindo a circulação de pedestres 03/04/2012 às 07:23
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A polícia e os fiscais estiveram nas principais ruas do Centro de Manaus realizando a Operação Caramuri
Florêncio Mesquita Manaus

Uma mega operação realizada a partir da suspeita de que vendedores ambulantes do Centro estivessem traficando drogas terminou com a apreensão de 20 carros de frutas e verduras, nenhum preso  e nenhuma trouxinha de entorpecente. Ninguém foi preso ou notificado. A operação denominada “Caramuri” foi realizada pela Polícia Militar (PM) em parceria com a Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab).

A ação contou com a participação de 500 policiais do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), alunos soldados, seis equipes da Ronda Ostensiva Candido Mariano (Rocam), três patrulhas da Polícia de Choque, 60 fiscais da Sempab e até cães farejadores.

O Centro  ficou sitiado e  a população  questionou o grande número de policiais que resultou em uma apreensão inexpressiva.

O detalhe é que a maioria dos 160 ambulantes deixou a área ou sequer chegou a montar as bancas nas ruas porque, segundo os próprios ambulantes, a informação vazou um dia antes.

Para a comerciária Amanda Albino, 39, a desproporcionalidade foi evidente. “Queria que essa quantidade de policiais estivesse no meu bairro. Não é todo dia que dá para ver tantos policiais juntos é só para apreender banana e abacate”, ironizou.

Os policiais ficaram distribuídos em grupos de 10 e 15 homens desde a avenida Epaminondas até o entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa.

Segundo o chefe de fiscalização da Sempab, Francisco Nelson Neto, a operação foi feita para reorganizar a área central, desobstruir a passagem de pedestres e impedir a comercialização de produtos impróprios paro consumo. Além dos carros de mão, os ambulantes expõem frutas e verduras no chão sobre pedaços de papelão, sob condições inadequadas de higiene e chegam a tratar peixe em vias de grande movimentação.

Em determinados horários, os terminais de ônibus e calçadas são tomados pelos ambulantes o que obriga pedestres a andarem na rua em meio aos carros.

A reportagem de A CRÍTICA denunciou o problema na reportagem veiculada nessa segunda-feira (2) e que tem sido recorrente durante toda a administração municipal atual.

De acordo com o subsecretário da Sempab, Osvaldo Holanda, a ação realizada nessa segunda (2) foi anunciada há 45 dias aos ambulantes. Segundo ele, os vendedores devem ser realocados para uma feira itinerante que será criada. Os ambulantes retirados nessa segunda (2) não poderão voltar para o Centro.

Camelôs continuam intocáveis
Enquanto a prefeitura tenta retirar apenas os ambulantes que vendem frutas e verduras, a retirada dos camelôs de bancas fixas continua sem definição. Segundo Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), Manoel Ribeiro, não “há como dizer quando a situação será resolvida”.

A retirada dos ambulantes é promessa de campanha do Prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, e seria executada no início da gestão municipal. Ribeiro atribui a culpa ao problemas que culminaram com a não construção do camelódromo. Questionado se o imbróglio ficará para próxima gestão ele respondeu que tem um “plano B”, mas não deu detalhes.

Segundo a Sempab, a operação será estendida até o final da semana. Conforme a pasta, a continuidade foi adotada para evitar que os vendedores ambulantes retornem paras as mesmas áreas como já ocorreu várias vezes.

Durante a operação, o presidente do presidente do Sindicato dos Vendedores Ambulantes de Manaus (Sicovam), Raimundo Sena, conversou com os vendedores que tiveram o material apreendido e pediu para que eles entendessem que a ação é necessária para a reorganização do Centro.