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Operação Estocolmo: Ingênuas e vulneráveis

Vítimas da rede de prostituição investigada pela Operação Estocolmo são imaturas, pobres e acessam redes sociais 02/12/2012 às 16:41
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Camila foi incluída entra as vítimas da Operação Estocolmo após manter contato com empresários pelo Facebook
Náferson Cruz Manaus (AM)

Elas foram facilmente seduzidas por promessas mágicas e vantajosas e acabaram se envolvendo com homens poderosos ligados a rede de prostituição e exploração sexual infanto-juvenil investigada na Operação Estocolmo.

Nos depoimentos de mães, vizinhos e de pelo menos duas das 30 vítimas, há relatos de que elas foram persuadidas com falsas promessas, suborno, sedução e até mesmo se rebelaram contra os pais.

A ingenuidade, imaturidade, falta de experiência e vulnerabilidade das meninas são características percebidos em poucos minutos de conversa. Parte das adolescentes envolvidas mantinha contato com os aliciadores por meio da Internet, em sites de relacionamento ou salas de bate-papos.

Constrangida pelo episódio, a estudante Camila, 18, mãe de um bebê de 7 meses, disse que conheceu um dos envolvidos em dezembro de 2011. Na ocasião, ela apresentou uma colega a ele e dias depois os dois passaram a se relacionar.

“Felizmente ele foi preso durante essa operação. Era uma pessoa possessiva e violenta, esbanjava dinheiro e presenteava as meninas, mas se elas vacilassem, ele tomava tudo, pois o que não falta é menina para ele”, relatou Camila. O empresário citado por ela, contudo, não está preso, mas é efetivamente investigado na Estocolmo.

A estudante lamentou o episódio que envolveu o nome dela. “Fui presa injustamente apenas porque mantinha contato com o empresário pelo Facebook e apresentei o mesmo a uma colega”, disse.

AliciamentoA mãe da estudante contou que as colegas da filha que moram no bairro passaram a ser aliciadas há dois anos, quando estavam na faixa etária entre 14 e 16 anos. Na lista de amigos da filha no Facebook, aparecem proprietários de casas noturnas, políticos e empresários de diversos ramos. “Estamos com receio de que essas pessoas que comandam a rede de prostituição façam algo para nos prejudicar”, disse a mãe da vítima. Apesar de ter completado 18 anos em maio deste ano, Camila aparenta ter entre 14 e 15 anos de idade.

A estudante Michelly, 17, disse também que seu nome foi associado à operação em razão de duas ligações de um empresário feito a ela há um mês. “Ele me convidou para sair duas vezes, mas neguei por que não gosto desse tipo de relacionamento”, contou. A reportagem verificou que nos 20 bairros onde foi desencadeada a operação, as famílias das vítimas e vizinhos apontaram entre três a cinco adolescentes que são ou foram aliciadas pela rede de prostituição, mas que não tiveram seus nomes envolvidos na operação.

Para a secretária-Executiva de Assistencia Social e Cidadania do Estado do Amazonas (Seas), Graça Prola, esse atual panorama vem ocorrendo em razão da falta de conhecimento e informação. “Sabemos que há o agenciador, o mercador e o receptador, mas muitas vezes o desejo de ter uma melhor condição de vida esconde o conhecimento e a compreensão de que a pessoa está sendo traficada até porque ela não conhecesse esse esquema que está por trás dela”, comentou.

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