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Operação Estocolmo revela que grande parte das vítimas adolescentes vivem em bairros pobres de Manaus

Meninas foram recrutadas em suburbios de Manaus, alguns considerados ‘área vermelha’ em função do tráfico de drogas 02/12/2012 às 16:43
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Parente de uma menina que teve objetos apreendidos pela polícia civil, reclamou da forma com que foi cumprido o mandado de busca e apreensão na casa dela
Ana Célia Ossame Manaus (AM)

A Operação Estocolmo revelou uma rede de prostituição que envolve entre as vítimas adolescentes e jovens das classes baixa e média-baixa, algumas moradoras de zonas consideradas “vermelhas” pelo tráfico de drogas.

Enquanto algumas das identificadas na lista do mandado de busca e apreensão da Polícia Civil, ao qual A CRÍTICA teve acesso, foram “delatadas” por vizinhos que testemunham as saídas delas na companhia de outras meninas e de homens, outras não têm qualquer vínculo com a chamada rede de prostituição, conforme verificou A CRÍTICA, que visitou todos os 30 endereços citados no mandado assinado pela juíza da Vara Especializada de Crimes Conta Idosos, Adolescents e Crianças, Patrícia Chacon de Oliveira Loureiro.

Em todos os endereços, as moradias são humildes, algumas das quais ocupam apenas quartos ou apartamentos simples. Na Zona Oeste, inclusive, elas moram numa área considerada “vermelha” por conta do tráfico de drogas e violência. “Eles já sabem onde encontrar garotas, porque uma vai indicando a outra amiga”, afirmou um vizinho de um dos endereçoes citados.

Numa das casas da lista, situada nessa zona, um dos parentes da jovem estava muito irritado com a operação e criticou a violência empregada na busca dos objetos da menina. Ele negou que ela, menor de idade, fizesse programas sexuais ou tivesse qualquer envolvimento com qualquer pessoa dessa rede e recomendou que a polícia agisse na casa dos exploradores, cujos nomes eram conhecidos. A avó da garota afirmou que a neta já estaria casada, mas vizinhos desmentiram essas versões. De acordo com eles, ela mudou-se de casa no dia da operação e antes, costumeiramente, saía à noite em companhia masculina diversificada. Eles também informaram as saídas para finais de semana. “Todo mundo sabe aqui e fala”, disseram.

Mudanças

Outra moradora desta zona, menor de idade, apontada na lista, mudou-se de casa na mesma rua, mas segundo vizinhos, continua fazendo programas. “Ela sai todas as noites e dorme de dia”, contou uma vizinha, citando que a garota deixou de estudar e não obedece a mãe, que, na tentativa de fazê-la mudar de vida, matriculou-a numa escola particular, mas nem isso a fez deixar os “passeios”.

Na Zona Centro-Sul, uma das apontadas pela polícia é usuária de drogas e costuma sair regularmente com outras meninas em automóveis de luxo, disse uma vizinha, que sabe de outras na mesma atividade. De acordo com os vizinhos, ela tem saído disfarçadamente para ser buscada em outras ruas próximas da casa. A jovem não esconde o vício e nem os passeios.

Nos endereços apontados na Zona Sul, uma das citadas manifestou-se na rede social Facebook, negando estar envolvida no caso. Segundo ela, uma das verdadeiras vítimas tinha o número do telefone dela e isso acabou confundindo a polícia, que a ligou indevidamente ao caso.

Outra, menor de idade e cuja imagem foi veiculada num canal de televisão no dia da operação, prometeu ir à Justiça cobrar reparação de imagem e disse já constituído um advogado. Desmentindo envolvimento no caso, ela também disse que o número do telefone dela, apreendido pela polícia, estava nas chamadas de alguém desconhecido por ela.

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