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Pacientes da Fundação Adriano Jorge em Manaus denunciam falta de cirurgias

Direção nega as denúncias de falta de material, mas pacientes, em certos casos, dizem que estão na filha há um ano 12/06/2012 às 08:02
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A Fundação Hospital Adriano Jorge tem sido acusada de remarcar e cancelar cirurgia por falta de materiais básicos, como algodão, agulhas, soro e gazes
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

Pacientes que aguardam a realização de cirurgias ortopédicas na Fundação Adriano Jorge (FHAJ), na Zona Sul, denunciam que os procedimentos não são realizados por falta de material hospitalar. Alguns pacientes já esperam há três meses por cirurgias e outros há um ano. Todos temem que o quadro clínico em que se encontram se agrave em função da demora.  A maioria é vitima de acidentes com motocicletas e carros de passeio.

A situação se intensifica porque o hospital está com todos os 50 leitos de ortopedia lotados, sendo que diariamente o número de paciente que procuraram a unidade com fraturas só aumenta. O local realiza em média mais de 30 cirurgias diárias em um total de duas mil cirurgias por ano. Os pacientes, que estão inconformados com a lentidão, afirmam que os próprios médicos contam que os procedimentos não são feitos por falta de material cirúrgico. A direção do hospital rebateu a denúncia e disse que os procedimentos continuam sendo feitos e que não há falta de material. No entanto, os pacientes como a costureira Jamila Morares Leal, 62, discordam da direção do hospital. Há quatro meses, Jamile aguarda para operar a perna direita e diz que corre o risco de perder o membro por conta da demora.

“O médico que me atende disse para eu pressionar a administração do hospital para fazer logo a cirurgia porque senão eu vou perder a minha perna. Não aguento mais ir e voltar do hospital e não ser atendida”, disse. Ela morava em Itacoatiara, mas desde que quebrou e perna, após cair em um buraco , está morando na casa da filha dela, no bairro Campos Sales, Zona Oeste, e diariamente vai à unidade para tentar agendar a cirurgia. “Já mandaram eu ficar em casa e aguardar uma ligação do hospital, mas vou todo dia para ver se os médicos têm pena de mim e me operam logo”, diz.

Já o mototaxista Marcos André Freitas Teixeira, 34, há um ano e sete dias entra e sai da internação do hospital e também precisa de cirurgia. Ele já operou o baço, a perna e o fêmur e apesar de precisar fazer o procedimento mais uma vez, não pode devido a uma infecção que contraiu durante a internação. “ Furaram tanto minha perna que peguei uma infecção e agora tenho que fazer outra cirurgia e só falam para eu esperar. Certo que cheguei ao hospital fraturado e de início cuidaram de mim, mas hoje não só me sinto como estou pior. Eles não procuram o remédio certo para acabar com essa infecção. Eu estou abandonado com outros 50 pacientes na ala de internação do terceiro andar”, disse o mototaxista.