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SAÚDE

Pacientes do AM que estão em tratamento em SP sofrem com atraso de recurso

Há pelo menos três meses, os pacientes não recebem a verba do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) paga pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) 15/10/2017 às 19:39 - Atualizado em 16/10/2017 às 07:32
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Além da luta diária contra o câncer, pacientes e acompanhantes que estão fazendo tratamento em São Paulo sofrem com dificuldades financeiras
Álik Menezes Manaus (AM)

Além da luta diária contra o câncer, pacientes e acompanhantes que estão fazendo tratamento em São Paulo sofrem com dificuldades financeiras para custear as despesas longe de casa. Segundo pais de pacientes, há pelo menos três meses não recebem a verba do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) paga pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam).

O motataxista Raimundo Veira, 38, passou sete meses morando na Casa Boto Rosa, que é mantida por empresários em São Paulo, com duas filhas, as irmãs gêmeas Livia Sofia e Laiza Rafaela, de dois anos. Ele voltou para Manaus há poucos dias e conta que os meses de agosto e setembro foram de sofrimento.

“A Laiza foi diagnosticada retinoblastoma, um tumor maligno por detrás do olho direito, e passou por cirurgia para retirar o olhinho e colocar uma prótese. A Lívia só fez exames e acompanhamento porque são da mesma placenta. A cirurgia foi um sucesso, graças a Deus. Mas foi muito sofrido, recebemos ajuda da Casa Boto Rosa, de amigos e da família porque o pagamento está atrasado”, contou.

Para Raimundo o mais revoltante é que as pessoas que atendiam às ligações na Susam apenas falavam que eles estavam na lista, mas não havia previsão de quando o pagamento seria efetuado. O benefício para cada filha é de R$ 1.450, mas, segundo ele, teve reajuste há dois meses e passou para R$ 2.200. “A cada dia eles tinham uma resposta diferente. Não demonstram respeito com as pessoas, com os doentes que estão em outro estado”, disse.

O mototaxista contou que apenas no abrigo Boto Rosa pelo menos 12 pessoas estão vivendo o mesmo sofrimento. Um deles é o comerciante André Marques, 27, que há sete meses foi para São Paulo acompanhar a filha, a pequena Ana Clara, de um ano, que também foi diagnosticada com retinoblastoma.

Ele contou que já são três meses de atraso e não recebe nenhuma previsão de quando o pagamento será normalizado. O jovem paga aluguel, transporte e alimentação e conta com a ajuda da família. “Se não fosse a família nem sei o que teria acontecido. Na secretaria, eles não se importam com o nosso sofrimento. Liguei na quarta-feira, eles atendem, mas desligam. São três meses sem ajuda, mas tem pessoas que estão mais tempo que isso”, lamentou.

Pagamento emergencial

A Susam informou que na última sexta-feira  concluiu o levantamento e identificou as Programações de Desembolso (PDs) aptas para pagamentos referentes a ajuda de custo para Tratamento Fora do Domicílio (TFD). A Susam disse que hoje será solicitada à Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) a autorização para pagamento em caráter excepcional e emergencial.