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Pacientes reclamam e querem investimento na saúde do AM

Sistema público de saúde é criticado pela população que cobra humanização do atendimento médico na cidade de Manaus 09/04/2012 às 07:23
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Uma das principais reclamações dos usuários do sistema de saúde é a carência de atendimento especializado, incumbência, na cidade, das policlínicas
Renata Magnenti Manaus

Em meio a críticas e elogios o Dia Mundial da Saúde, comemorado no último sábado, passou quase que despercebido em Manaus. Médicos e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) desconheciam a data. Enquanto isso, a população, por sua vez, implorou por humanização nos atendimentos, além de mais investimento no setor.

A dona de casa Ioná Branches, 37, ainda lembra da entonação de voz do médico que lhe atendeu na Maternidade Ana Braga há cerca de um ano, que insinuou que ela teria tomado medicamento abortivo.

“Eu havia tido um aborto espontâneo, fui ao médico e ele insinuou que eu havia provocado a morte do bebê com algum abortivo. Porque eu faria isso na minha idade?”, disse.

A assistente social Camila Maciel tem plano de saúde e avalia como bom o tratamento médico que lhe é oferecido. Porém, trabalhou no SUS e, na avaliação dela, a falta de humanização é o principal problema que torna o sistema ruim para quem necessita do serviço. Essa também é a opinião de técnicos de enfermagem voluntários que trabalham no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.

“É até inconveniente tocar nesse assunto. Mas é difícil humanizar o atendimento médico. Fazemos o que nos cabe, mas quando chega na hora dos médicos colocarem isso em prática, agem como ‘semi-deuses’ ignorando, às vezes, o tratamento humano”, declarou a secretária executiva de Estado de Assistência Social (Seas), Graça Prola, que no último sábado esteve de plantão na Maternidade Ana Braga.

Graça Prola disse, ainda, que apesar dessa falta de “tino” há poucos dias precisou do SUS e teve um atendimento muito bom: “Minha filha ficou internada por 13 dias no Hospital 28 de Agosto e foi bem atendida por médicos que a visitavam diariamente, além do cuidado com as  medicações”.

Divisões
As opiniões sobre o atendimento médico se dividem. Para outra parcela da população, o grande desafio é marcar consultas. “As campanhas de saúde dizem que temos que fazer o exame preventivo um vez ao ano, mas toda vez que tento marcar o exame nunca há vagas”, disse a dona de casa Maria Ivanilde.

Para o enfermeiro Flávio Brasil, que trabalha no 28 de Agosto, hoje, o atendimento de urgência e emergência em Manaus é muito bom e referência para outras capitais no País. O problema é que a demanda de pacientes que poderiam ser atendidos em Unidades Básica de Saúde (UBS) acaba indo para os pronto-socorros, sem necessidade, e isso afeta e esgota o serviço prestado pela unidade.

Secretário defende o setor
Na avaliação do secretário de Estado de Saúde (Susam), Wilson Alecrim, o SUS tem sido a cada dia mais estruturado no Estado do Amazonas, e na rede de atendimento de urgência e emergência a situação é positiva. Há especialistas para atender casos de média e alta complexidade, porém, ele afirma que o grande vilão é a atenção básica de saúde oferecida pelo município.

Segundo ele, muitos pacientes deixam de ir às UBS alegando falta de atendimento ou por não apostar no serviço, e vão aos pronto-socorros sendo que esses casos clínicos são de atenção básica. Isso, de acordo com Alecrim, sobrecarrega a média complexidade. “Isso é recorrente. Há casos de pessoas que vão ao pronto-socorro por conta de uma gripe. É absurdo”.

O ideal é que o SUS cubra 70% da demanda de cada município, e atualmente, somente 40% da demanda em Manaus é suprida. Isso indica que no interior do Estado a situação é ainda pior. “O Estado tem trabalho. Tenho conhecimento de que o município deve ampliar as UBS espalhadas pela cidade até o final deste ano”, disse ele.

Conscientização
O Dia Mundial da Saúde foi instituído em 7 de Abril de 1950 quando foi realizada a primeira assembleia da Organização Mundial da Saúde. Em cada ano, a OMS aproveita a ocasião para fomentar a consciência sobre temas-chave relacionados à saúde mundial. Por conta da Semana Santa, a comemoração da data, no Brasil, foi antecipada pela OMS e lembrada no último dia 4. O tema abordado foi “Envelhecimento Saudável e Saúde das pessoas idosas”. Na ocasião foi assinado um termo de parceria entre as escolas privadas e Ministério da Saúde com o objetivo de aprimorar as boas práticas nas cantinas escolares.

Projeto atende comunidade
Alunos e professores da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) comemoraram o Dia Mundial da Saúde com a comunidade que mora ao redor do igarapé do Mestre Chico, Zona Sul. As ações aconteceram debaixo de chuva, e apenas 22 pessoas passaram pelas tendas médicas.

“Apesar da chuva cumprimos nosso objetivo que era levar à população o que recebemos do próprio Estado”, disse a coordenadora do projeto e professora de Odontologia, Márcia Costa.

A execução do projeto “UEA Cidadão” teve a presença de profissionais e alunos de medicina, enfermagem e odonto. Segundo Márcia, a informação é a receita para reduzir os riscos de doenças mais comuns em áreas pobres e carentes. O grupo chamou atenção para os riscos de doenças com altos índices de crescimento no Brasil como hipertensão, a obesidade e o diabetes, que podem ser evitadas sem grandes sacrifícios.

Daniel Monteiro, aluno do 7º período de Medicina, concorda com a professora: “É muito bacana a gente poder ajudar a mudar a vida dessas pessoas e ter a oportunidade de colocar em prática o que aprendemos em sala de aula”.

O projeto, além levar saúde à população, serve de inspiração para outras pessoas. Após uma das palestras do grupo o estudante do ensino fundamental Marcelo Bezerra se emocionou e disse que, antes desse contato com o “UEA Cidadão”, queria terminar os estudos e ficar com a mãe e os irmão em casa. “Agora eu quero ser um dentista e um dia visitar as comunidades do interior para ajudar as pessoas como eles fazem”, disse o estudante.