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Pacientes sofrem com atendimento precário em hospital universitário de Manaus

Pacientes que buscam consulta no ambulatório Araújo Lima/Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), na Praça 14, Zona Sul, passam horas em filas sem a certeza de serem atendidos 28/07/2014 às 10:35
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Todos os dias o ambulatório do Hospital Universitário Getúlio Vargas libera 40 fichas de atendimento para diversas especialidades
Jhonny Lima ---

Quatro pacientes numa mesma fila com mais de 40 pessoas para pegar ficha e, assim, tentar marcar consulta na rede pública de saúde. Quatro histórias distintas que mostram a precariedade e a falta de humanização do serviço que obriga pacientes a passarem mais de 15 horas aguardando a liberação das fichas, para voltarem no dia seguinte e, quem sabe, sair com data marcada da consulta. Assim é o caso do Ambulatório Araújo Lima/Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), na Praça 14, Zona Sul. Durante uma semana A CRÍTICA acompanhou a peregrinação de pacientes em busca de atendimento médico em várias unidades de saúde e mostra, nesta primeira matéria da série, a “saga” no HUGV.

Afastada do emprego desde setembro de 2013, devido a um acidente de trabalho, a cozinheira Cláudia Ribeiro da Silva, 38, chegou na última segunda-feira, às 4h no HUGV com o objetivo de marcar uma consulta com o ortopedista e conseguir um laudo médico para levar na perícia médica agendada para o dia 4 de agosto, entretanto, só conseguiu consulta com o médico para o dia 5 de agosto.

O esposo da Cláudia, o cozinheiro Francisco Euzébio de Araújo, 47, lamenta ter conseguido marcar a consulta para um dia após a perícia “É falta de vontade de ajudar as pessoas, vamos tentar a sorte. A minha esposa está quase perdendo o tato porque uma panela cheia de carne caiu no braço dela e precisa desse laudo para levar à perícia. Agora o médico vai dar alta já que não terá o laudo médico”, esclareceu Francisco ao acrescentar que a esposa foi a segunda pessoa a chegar na fila.

Precisando retornar ao cardiologista, a dona de casa Antônia Araújo da Costa, 27, veio do Município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) e quase fica sem marcar o retorno. Ela chegou na fila por volta das 11h de segunda-feira e esperou até as 19h para receber a ficha de atendimento. No dia seguinte ela esperou a manhã inteira e por pouco não marcou a consulta. Tudo porque, além dos pacientes esperarem por horas, ainda têm que contar com a fé para que o sistema on line não trave ou fique lento.

“Cheguei às 6h30 para marcar a consulta e só consegui quase às 11h porque o sistema estava lento. Venho de Manacapuru e fico na casa de parentes em Manaus. Mesmo assim demoro mais de duas horas para sair do Terra Nova e chegar no Hospital Universitário porque pego dois ônibus”, ressaltou Antônia ao informar que a consulta ficou para o dia 5 de agosto.

A mesma sorte não teve o soldador Elamildo Carlos Silva, 26. Há duas semanas ele tenta marcar uma consulta com o oftalmologista e ortopedista mas sem sucesso. Necessitando de uma avaliação e laudo médico para dar entrada no benefício da previdência social, por mais de 10 dias, entre idas e vindas, tenta, desta vez por meio de terceiros, as consultas. “Tem uma parente da minha esposa que é médica que vai tentar marcar para mim as consultas na próxima semana”, adiantou.

Quem fez valer seu direito de consumidora foi a estudante Cleice da Costa, 26. Depois de enfrentar longas horas na fila e no dia seguinte receber a informação de que não havia mais vagas para o cardiologista, mesmo estando com a senha nº 15, ela foi reclamar na Ouvidoria da instituição e no dia 24 de julho recebeu uma ligação de que a consulta com o especialista está marcada para o mês que vem.