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Manaus
Tatuagem digital

Pai usa QR Code como tatuagem para homenagear o filho

Analista de Sistemas decide inovar na hora de tatuar o corpo e une tecnologia à milenar arte da tatuagem, em Manaus 12/03/2012 às 17:11
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Analista de sistemas aliou tecnologia de sua profissão ao amor aos filhos para fazer a tatuagem totalmente digital
Felipe de Paula Manaus

Há muitos anos que a tatuagem entrou na história da Humanidade. No entanto, a cultura ocidental demorou um tempo para desassociá-la dos estigmas que a acompanharam nos tempos modernos e, hoje, ela é reconhecida enquanto arte e cultuada por gente de todas as idades. Por outro lado, o risco agora é cair na banalização: cada vez mais pessoas tatuam apenas para “entrar no clube” e muitos acabam se arrependendo ao longo da vida.

Nesse contexto de deterioração do valor simbólico - e permanente, é bom lembrar - das tatuagens, a ideia do analista de sistema Felipe de Camargo, 32, torna-se ainda mais valiosa e original. Felipe, que ainda não havia tatuado o corpo, resolveu bolar algo totalmente novo. Ele procurou então o Estúdio Odylon Tattoo, no Vieralves, já decidido: queria o desenho de duas tarjetas de QR Code, o Bee Tagg, muito usado por mídias impressas - como o jornal A CRÍTICA - para direcionar conteúdos complementares no telefone celular.

Mas a ideia era ainda melhor: fazer dos Bee Taggs um código real que, uma vez focado pela câmera de um Smartphone com o aplicativo para leitura da tag, indicava os nomes codificados na tarja: Victor e Rafael, uma homenagem ao seu filho, Rafael, de 2 anos, e ao enteado, Victor, de 5. “Decidi juntar minha paixão pela  área da tecnologia ao amor que tenho pelos meninos. Além do mais, tem um aspecto visual muito interessante”, disse ele, na última de suas quatro horas de sessões da tattoo.

Surpresa!

Felipe conta que apresentou a ideia para o próprio Odylon, que topou na hora, mas com a condição de “não assegurar a leitura do Bee Tagg”, uma vez que a pele tem características obviamente diferentes do papel. A surpresa, no entanto, veio logo ao final da primeiro tarja. “Quando nós terminamos, colocamos o celular e a câmera leu na hora”, conta Odylon, que afirmou desconhecer qualquer tipo de publicação da área no Brasil com referências similares. “Isso é novidade. Eu nunca vi em Manaus e nem tenho notícia disso no Brasil”, diz o tatuador, que tem 28 anos de atividade e é referência na área como um dos pioneiros na cidade.

Felipe conta ainda que, ao término da primeira parte da tatuagem, ficou tão emocionado que, quando entrou no seu carro, na saída do estúdio, chegou a chorar, comovido. “Tatuagens e filhos são pra vida toda”, exclama ele, que fez uma surpresa para a esposa e as crianças, que estão viajando e ainda não sabem da novidade. “Eles vão gostar”, intui ele.