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Manaus
INCLUSÃO

Surdos protestam em Manaus reivindicando retorno de escola para antigo endereço

Pais e professores também participaram do ato. Segundo eles, desde 2015 a instituição funciona provisoriamente dentro de outra escola na Manaus Moderna 24/11/2017 às 12:23 - Atualizado em 24/11/2017 às 12:30
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Cerca de 50 pessoas participaram do local (Foto: Divulgação)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Pais e alunos surdos da antiga Escola Estadual Augusto Carneiro dos Santos, localizada na avenida Joaquim Nabuco, no Centro de Manaus, realizaram na manhã desta sexta-feira (24) um protesto em frente da instituição para pedir o retorno das atividades educacionais ao prédio. Cerca de 50 pessoas participaram do ato. Eles chegaram a interditar a av. Joaquim Nabuco por 20 minutos.

De acordo com os manifestantes, desde 2015 a instituição funciona provisoriamente no terceiro pavilhão da Escola Estadual Diofanto Viera Monteiro, localizada na região da Manaus Moderna, que faz atendimento específico para alunos com deficiência intelectual.

Segundo a mãe de um aluno surdo de 11 anos, Sueli de Souza, as atividades da Escola Estadual Augusto Carneiro foram direcionadas para outra unidade educacional por falta de recurso. Agora, de acordo com Sueli, os alunos estudam em uma unidade “emprestada” com pessoas com outras deficiências.

“O Governo do Estado comprou o prédio para que a escola Augusto Carneiro funcionasse. Em 2015, eles falaram que as atividades precisariam ser direcionadas para outra instituição de ensino, porque queriam cortar gastos. Querem colocar nossos filhos na inclusão, mas eles estão sendo excluídos. O prédio onde funciona a Diofanto fica longe. Muitas pessoas foram assaltadas”, explicou.

Conforme Sueli, a preocupação é que as crianças sejam expostas a crimes de violência sexual dentro da própria unidade de ensino. “Lá no Diofanto não estudam apenas crianças, mas pessoas adultas com deficiências intelectuais. Os homens dividem o mesmo banheiro com o meu filho de 11 anos. Tenho medo que algum crime possa acontecer contra o meu filho”, ressaltou.

Sueli também conta que decidiu sair do trabalho para acompanhar a educação do filho. Ele afirma que o Governo do Estado precisa investir em um ensino de qualidade para os alunos surdos. "Não conseguia confiar. Muitas mãe tiveram que sair do emprego, eu fui uma dessas. Estamos há dois anos nessa luta, já entramos em contato com a Seduc e explicamos o risco que os nossos filhos estão correndo. Queremos voltar para o antigo prédio. O surdo também tem potencial. Eles também são o futuro do Brasil", destacou.

Sem adaptação

A pedagoga Gilvania da Silva, 33, comentou que a instituição era a única de Manaus que oferecia ensino para crianças surdas  "O Governo não tinha recurso para manter o prédio, por isso decidiram que a escola funcionaria em outra unidade de ensino. As crianças não se adaptaram com essa mudança. Agora estamos reivindicando nessa manifestação a volta para o antigo prédio. Não vamos desistir", completou.

Seduc 

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) questionando sobre as reivindicações dos manifestantes. Até a publicação desta matéria, o posicionamento ainda não havia sido enviado. O mesmo será publicado tão logo seja encaminhado à redação.