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‘Palestra (sobre Plano Diretor) é perda de tempo’, afirmam vereadores de Manaus

Crítica foi feita pelos vereadores Homero Miranda Leão e Fabrício Lima sobre a discussão dos temas do Plano Diretor de Manaus 26/07/2012 às 07:44
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Hidrogeólogo da CPRM, Carlos de Aguiar, alertou para a possível contaminação dos poços artesianos dos bairros
Augusto Costa Manaus

Os vereadores Homero de Miranda Leão (PHS) e Fabrício Lima (PRTB) afirmaram que foi perda de tempo os temas apresentados, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nessa quarta-feira (25), no segundo dia do  ciclo de palestras preparatório para a elaboração das emendas ao Plano Diretor de Manaus. Os dois temas de ontem foram: “Águas subterrâneas de Manaus” e “Uso e Ocupação dos Solos”.

Na primeira palestra, o hidrogeólogo  da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM), Carlos José  de Aguiar, afirmou que no Amazonas existem sete mil poços artesianos cadastrados no CPRM, enquanto que em Manaus, haveria  cerca de 15 mil perfurações,  mas somente três mil possuem cadastro  no órgão. Carlos fez um alerta aos vereadores e à população de que a maioria destes poços podem estar contaminados. Citou como exemplo o casos no bairro de Educandos.

“Fizemos um levantamento há oito anos no bairro do Educandos.  Nesse período foi constatado que aproximadamente 20 destes poços artesianos que abastecem a população naquela área estavam contaminados ”, alertou Aguiar. Ele disse que essa área está impossibilitada de receber novos poços por conta da contaminação do lençol freático (lençois subterrâneos). O excesso de abastecimento de água através de poços na área das zonas Leste e Norte, também poderá afetar o fornecimento nessa região, no futuro, já que estes poços deverão secar a partir de 2015, disse o técnico.

Desinteresse

A falta de interesse de alguns vereadores foi visível durante a palestra “Águas Subterrâneas de Manaus”. No momento em que palestrante estava falando, o vereador Wilton Lira (PDT) estava com o notebook navegando pela Internet, enquanto os vereadores Arlindo Júnior (PPL) conversava com Glória Carrate (PSD) e Mirtes Salles (PPL). Já a vereadora Marise Mendes (PDT) ficou concentrada na leitura do jornal.


Homero de Miranda Leão  disse que as palestras deveriam ter acontecido no período da tarde em regime de audiência pública. “Na minha opinião é uma perda de tempo inclusive usando o tempo de expediente da Casa. Toda essa discussão deveria ter sido  feita no período da tarde. Estamos fazendo uma repetição do que já foi discutido aqui. Devíamos estar debatendo esses temas com a população em audiência pública”, disse.

Fabrício Lima (PRTB), também criticou as palestras. “São muitas informações. São duas palestras que acabam ficando exaustivas. Estamos com o plenário esvaziado. Já é a segunda vez que esse cidadão (Jaime Kuck do Conselho dos Arquitetos e Urbanistas), vem aqui falar sobre o mesmo assunto”, afirmou.

Vereadores apoiam o debate

Para a vereadora Socorro Sampaio (PP), que faz parte da subcomissão do Código de Obras e Edificações, as palestras foram importantes para ajudar na elaboração das emendas do Plano Diretor de Manaus. “Estou aproveitando as palestras para aprender. Como vamos apresentar emendas para o Plano Diretor que vai valer para os próximos dez anos senão tivermos conhecimento. Não quero apresentar emendas sem sentido, mas emendas que  possam contribuir para a melhoria da nossa cidade”, disse Socorro Sampaio.

Jefferson Anjos (PV) também concorda que as palestras  foram importantes. “A CPRM esclareceu a situação da contaminação do lençol freático de Manaus. Temos problemas de contaminação do solo no bairro de Novo Israel que já tem poços com até 180 metros que estão contaminados. Também não sabíamos dos poços do bairro de Educandos que também apresentaram problemas. As palestrar  contribuíram para o nosso conhecimento”.