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Para Gilmar Mendes, Lula está sob pressão

Em visita a Manaus, Mendes chamou o ex-presidente petista de mal informado e classificou a postura de Lula de pedir o adiamento do julgamento do mensalão como uma “infecção oportunista” 28/05/2012 às 20:41
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Gilmar Mendes disse que Lula nunca o havia tentado persuadir antes
Ana Carolina Barbosa Manaus

“Tive diversas conversar com o presidente (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - PT) esses anos todos e nunca tinha experimentado uma sensação desse tipo. Me parece que ele próprio esteja sob pressão”. A frase é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que, durante visita a Manaus, nesta segunda-feira (28/05), comentou a polêmica conversa entre ele e o ex-presidente, em abril deste ano, na qual, segundo ministro, Lula propusera o adiamento do julgamento do Mensalão em troca de proteção na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

Na ocasião, ele chamou o petista de mal informado e classificou a postura do ex-presidente como uma “infecção oportunista”.

 Gilmar Mendes rebateu a nota divulgada no início da noite de hoje pelo ex-presidente Lula – na qual ele demonstrava indignação com a reportagem publicada esta semana pela revista ‘Veja’ -, afirmando que as declarações de Mendes eram inverídicas. O ministro corroborou, mais uma vez, que houve o encontro para “uma conversa de velhos conhecidos” e que se sentia devedor de uma visita ao presidente, que estava em tratamento para combater um câncer de laringe.

“Ele insistia em falar da CPMI. Falamos sobre o julgamento do mensalão e, na opinião dele, o julgamento, este ano, seria precipitado”, frisou, completando que discordou de Lula, já que no próximo ano o STF passará por mudanças na sua composição, o que pode atrasar o processo de julgamento e até gerar uma crise na corte.

“O presidente falou da CPMI mais de uma vez e na terceira ou quarta vez eu quis esclarecer a ele [...]. Deixei claro que não tenho nenhuma relação indevida com o senador Demóstenes (Torres). Portanto, se lhe passaram essa informação, está baseada num equivoco”.

Gilmar Mendes foi lembrado por Lula de um encontro, em Berlim, entre ele e Demóstenes Torres, senador flagrado em grampos telefônicos da Polícia Federal (PF) em conversas comprometedoras com o contraventor Carlinhos Cachoeira. “Quando ele disse: e a tal viagem a Berlim? Aí, eu percebi que ele estava mal informado [...]” e que estava usando o momento “para promover algum constrangimento”.

Gilmar Mendes assegurou, ainda, que o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim estava o tempo todo presente durante a conversa. “O Jobim, inclusive, complementou, dizendo que Protógenes (Queiroz, flagrado em interceptações telefônicas em contato com pessoas ligadas a Carlinhos Cachoeira) poderia querer levá-lo à CPMI, o que não o intimidou. “Não preciso de blindagem. Não fiz nada de errado no verão passado”.

Encontro

Sobre o encontro com Demóstenes Torres, Mendes explicou que foi casual, já que foi a Berlim (Alemanha), visitar a filha, estudante de doutorado. O ministro se esquivou quando questionado sobre a atitude da oposição, de ingressar com pedido na Procuradoria Geral da República (PGR) para investigar o ex-presidente Lula sob a justificativa de coação, tráfico de influência e corrupção ativa.

“Não vou emitir juízo sobre isso. Só acho o seguinte: infelizmente, estamos demorando muito nessa questão do julgamento do mensalão. Como estamos demorando muito nessa definição, surgem essas infecções oportunistas. Aproveitadores de toda sorte que vem tentar conturbar o ambiente do tribunal”, frisou.

Ele demonstrou preocupação com o que classificou como “informação que veio de pessoas confiáveis” de que mentiras estavam sendo plantadas, inclusive, com a participação “do presidente (ex-presidente)”. Para ele, Lula e Jobim concordaram que a visita seria um momento oportuno para tocar no assunto. Além disso, Lula teria dito que entraria em contato com outros membros da corte. ”Foi uma conversa de quase duas horas. Ele (Jobim) deve ter tido a intenção de propiciar esse encontro”, opinou. Mendes concluiu a coletiva que antecedeu palestra sobre ‘Direitos políticos e a jurisprudência do STF’, assegurando que “ninguém está imune ao jogo sujo”, e que o Tribunal está vacinado contra esse tipo de situação.