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Manaus
TRAVESSIA

Paradas próximas de viaduto obrigam usuários a enfrentar travessia perigosa

Falta de planejamento da prefeitura leva usuários de coletivo a enfrentar uma travessia perigosa para chegar a pontos de ônibus localizados em cima de viaduto Álvaro Maia, na Torquato Tapajós 15/10/2017 às 19:29 - Atualizado em 16/10/2017 às 07:35
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(Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

Quem trabalha ou mora próximo ao viaduto Senador Álvaro Maia, que une as avenidas Torquato Tapajós e Max Teixeira, na Zona Norte, e precisa do sistema de transporte coletivo, tem que fazer um verdadeiro malabarismo para chegar às paradas de ônibus que ficam sobre a passagem subterrânea. Os usuários também arriscam a vida porque não existem  faixas de pedestre, semáforos ou passarelas que tornem a travessia mais segura.

Os pontos em questão ficam “ilhados”, distantes de outras estruturas do tipo e por isso, quem precisa pegar o ônibus em ambos os sentidos da avenida Torquato Tapajós não tem o que fazer a não ser enfrentar o perigo de fazer a travessia em meio aos veículos. “É muito ruim. Não há escolhas. Temos que ter paciência e mesmo assim ainda é preciso atravessar correndo”, disse o estudante Isaque Souza, 20.

A professora Antônia Acássio, 51, é outra que sempre pega o coletivo no local e presencia muitas situações perigosas. Conforme ela, as vias são estreitas, veículos de todos os portes passam pelo local, mas nenhum deles dá vez para que o pedestre chegue à parada de ônibus em segurança.  “A avenida é movimentada durante todo o dia e as pessoas têm que correr se quiserem atravessar. Ir para outra parada é muito longe”, afirmou.

A distância que o pedestre tem que percorrer para chegar à outra parada de ônibus realmente é grande, de acordo com o mestre de obra Robson de Jesus Neves, 60. Para ele, a prefeitura deveria investir em infraestrutura e sinalização para preservar a vida dos pedestres.  “Assim vai perceber que precisa haver uma passarela ou faixa de pedestre com semáforo aqui”, disse ele.

Análise

Procurada por A CRÍTICA,  a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que “os pontos de parada em questão têm servido para atender a demanda de passageiros de diversas linhas”. A superintendência orientou que o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) também fosse consultado acerca do problema relacionado à travessia de pedestre.

O Manaustrans, por sua vez, informou que a demanda será analisada pela equipe técnica do instituto para verificar os pontos abordados pelos pedestres na reportagem.

Reavaliação do número de pontos

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que instala paradas de acordo com a distância entre elas e a demanda dos usuários do transporte.  No trecho entre o bairro Novo Israel e  conjunto Santos Dumont, segundo a pasta, foi realizado um estudo e a SMTU afirma que  a quantidade de pontos é adequada para as necessidades dos usuários.

Contudo,  a superintedência informou que poderá reavaliar o quantitativo de pontos de paradas caso seja necessário. Já o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) informou que, “por enquanto,  estão sendo feitos estudos para observar a viabilidade dessas intervenções (faixa de pedestre, semáforo e passarela)”.

Apenas um  ponto de ônibus a cada 2,5 quilômetros

Ainda na avenida Torquato Tapajós, entre as entradas do bairro Novo Israel, na Zona Norte, e do conjunto Santos Dumont, na Zona Centro-Oeste,   os usuários do sistema de transporte coletivo de Manaus reclamam das grandes distâncias entre as paradas de ônibus, especialmente as que ficam no sentido bairro-Centro. Nessa direção, em quase 10 quilômetros, há apenas quatro estruturas do tipo.

Para a assistente administrativa Danielle Cristina Ribeiro da Silva, 29, as distâncias entre as paradas são prejudiciais e levam as pessoas a se arriscar para chegar mais rápido ao seu destino. “A situação é pior para quem anda com criança, idoso ou deficiente que tem maior dificuldade de locomoção porque em qualquer parada que ficar, terá que andar muito para chegar aonde precisa”, afirmou ela.

Outro problema apontado pela população é a dificuldade de atravessar a avenida no trecho próximo ao viaduto, uma vez que  não existem passarelas, mas  apenas duas faixas de pedestres, sendo uma delas com semáforo. Para atravessar,  é preciso ter paciência e ainda assim se arriscar em meio aos veículos que não param de circular pela via, que é uma das principais da cidade.

A doméstica Lenimar Saboia, 43, disse que o risco de acidentes é grande. Os órgãos públicos deveriam levar isso em consideração para proporcionar maior segurança aos pedestres. “Até na faixa de pedestre os motoristas só faltam não parar e quando param é rápido, querendo dar partida logo. Às vezes temos que correr para conseguir chegar ao outro lado em segurança”, disse.