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Manaus
DESCASO

Fechado durante o dia, Parque dos Bilhares só abre à noite por falta de efetivo

Entre os frequentadores do local é unanimidade: o espaço é bom, mas falta segurança e o horário de funcionamento prejudica a população 15/12/2017 às 20:55 - Atualizado em 15/12/2017 às 21:31
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Parque está funcionando de 17h às 23h. Foto: Herlam Pechar
Vitor Gavirati Manaus (AM)

O jovem Roberto Leony, 21, combinou com uma amiga para se encontrarem no Parque dos Bilhares, na Zona Centro-Sul de Manaus, nesta sexta-feira (15), por volta de 17h. Antes de ele chegar, recebeu uma mensagem da colega pedindo para que chegasse logo, pois, ela já estava no local combinado e com medo de ficar sozinha.

Entre os frequentadores do parque, que fica entre as avenidas Constantino Nery e Djalma Batista, no bairro Chapada, é unanimidade: o espaço é bom, mas ainda há o que melhorar. As principais queixas são a falta de segurança e o horário de funcionamento do local.


Parte da estrutura do local está danificada (Foto: Herlam Pechar)

Mesmo que Roberto e a amiga quisessem marcar o encontro para mais cedo, não poderiam. Leitores do Portal A Crítica denunciaram que, há cerca de um mês, os portões do parque estão sendo abertos apenas as 17h, permanecendo fechado ao longo do dia. Guardas municipais que estavam em serviço durante a visita da reportagem ao espaço afirmaram que a explicação é o número de servidores que atuam no local.

“Sempre ficam pelo menos quatro guardas municipais aqui no parque, mas como a área é grande, a gente não consegue dar conta. Nós ficamos mais na parte onde estão os permissionários, por exemplo. Porque aqui nessa parte da entrada pela Djalma Batista já não tem comerciante. E a gente também não trabalha armado”, afirmou um guarda municipal que preferiu não se identificar com medo de represálias.


Quiosques fechados são alvo de pixações (Foto: Herlam Pechar)

Para Roberto, que trabalha próximo ao parque e frequenta o local de vez em quando, a impressão é de que o número de guardas que atuam no local diminuiu ao longo do tempo. “E uma coisa que a gente percebe é que os guardas ficam muito concentrados em algumas partes e deixam outras vazias. Aqui também tem umas partes muito escuras. O que dá medo”, afirma.

A falta de iluminação em alguns trechos do parque tem explicação. Parte da fiação que ilumina a Ponte dos Bilhares, sobre o igarapé que corta o parque, foi roubada (foto à esquerda), segundo a Guarda Municipal. Os servidores acreditam que, além de vender os fios, a intenção dos criminosos com o corte dos fios é deixar a área mais escura para facilitar assaltos.

Os fios dos refletores posicionados embaixo do pontilhão que fica no retorno da avenida Constantino Nery também foram roubados.

Parte do muro que cerca o parque na região do retorno foi danificada após um ônibus se chocar contra a proteção, cerca de quatro meses atrás. De acordo com os guardas municipais, foi iniciada uma obra para recuperar o local, mas que não foi concluída.

“Pouco tempo depois, aconteceu outro acidente com um veículo e pararam a obra. Então roubaram as grades de proteção novas que estavam aqui. Acho que desistiram de terminar”, brincou um guarda, que também apontou a área danificada como "atalho" para quem quer entrar no parque enquanto os portões estão fechados.


Muro quebrado após acidentes serve como entrada “clandestina” (Foto: Herlam Pechar)

A reportagem procurou o gestor do Parque dos Bilhares, que se recusou a dar entrevistas e comentar as reclamações. Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas) divulgou, por meio de nota, que a gestão do local decidiu abrir os portões da primeira etapa apenas às 17h para evitar motoristas de usarem o estacionamento do parque através da av. Djalma Batista.

“O horário de funcionamento do Parque Ponte dos Bilhares é das 6h às 22h, com acesso normal pela entrada da segunda etapa, na avenida Constantino Nery. A gestão do logradouro decidiu pela abertura dos portões da primeira etapa apenas às 17h em virtude da atitude de motoristas que insistem em utilizar o estacionamento do parque, com acesso pela Djalma Batista, para deixar seus veículos”, disse a Semmas.

A secretaria declarou também que as obras de reconstrução do muro quebrado no parque são de responsabilidade da empresa de ônibus envolvida no acidente. “Um ônibus da empresa São Pedro colidiu com o muro há aproximadamente dois meses. A empresa foi autuada e obrigada a realizar os reparos. Infelizmente, até agora a determinação não foi atendida”.

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