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Parques de Manaus têm realidades distintas com relação a manutenção das áreas

Os parques Senador Jefferson Péres e Desembargador Paulo Jacob, no Centro da cidade, foram gerados pelo Prosamim. Mas enquanto um reflete sinais de zelo, o outro acumula os sinais de total abandono do poder público 28/01/2012 às 16:36
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O parque Senador Jefferson Péres oferece aos visitantes um cenário bucólico, rodeado de flores e muito verde. Local é um cartão postal, convite à visitação
CAROLINA SILVA Manaus

Tão próximos mas com a realidade de estado de conservação muito distantes. É nesta situação que se encontram os parques Senador Jefferson Péres e Desembargador Paulo Jacob, no Centro da cidade. Os dois espaços foram gerados pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), do Governo do Estado. Mas enquanto um reflete sinais de zelo, o outro acumula os sinais de total abandono do poder público.

Onde deveria ser um espaço de lazer para a população, hoje é usado como ponto de encontro de usuários de drogas, abrigo para moradores de rua e uma área tomada pelo vandalismo e pela sujeira. Inaugurado no dia 17 de março de 2010, o parque Paulo Jacob, no trecho do Igarapé de Manaus entre a avenida 7 de Setembro e a rua Ipixuna, há quase dois anos não recebe manutenção. E o motivo é a longa demora para o repasse do parque, do Governo do Estado, para a prefeitura.

Garrafas plásticas e de vidro, latinhas de refrigerante, embalagens de alimentos e até peças de roupa estão espalhados por todo o parque. Dentro de um dos quiosques não é possível ficar por mais de um minuto devido ao mau cheiro de urina. Além disso, até mesmo um banco traseiro de carro de passeio e rastros do uso de drogas é possível encontrar no local. “À noite o quiosque vira um motel”, comenta o vigilante de um escritório próximo do parque.

Moradores do entorno do parque Paulo Jacob se sentem indignados com a deterioração do espaço público. “Poderia estar sendo melhor aproveitado por nós, mas não tem condições de vir com a família para um local desses, todo imundo”, disse a autônoma Rosa Coimbra, 36.

Com vidraças quebradas, portas arrombadas e até furtadas. É assim que estão os quiosques destinados para a exploração comercial no parque Paulo Jacob. As crianças reclamam das condições precárias das quadras de areia e de campo sintético. Todas deterioradas. “Seria legal que estivesse melhor pra gente brincar aqui, mas é muito ruim jogar bola com esse lixo jogado na quadra”, lamenta o estudante Gustavo Silva, 14.

Sem manutenção, outro morador lamenta que o jardim do parque já não tenha mais tanta beleza. “Já cheguei a mandar capinar a parte que fica em frente à minha casa”, conta um morador da rua Major Gabriel, que fica ao lado do parque.

Contraste não é compreendido
A poucos metros de distância e inaugurado dois anos depois do parque Paulo Jacob, o parque Senador Jefferson Péres, situado entre as avenidas 7 de Setembro e Lourenço da Silva Braga, ruas Lima Bacuri e Dr. Almínio e Jonatas Pedrosa, é outra realidade encontrada pela população, que acaba não compreendendo o contraste entre os parques.

“O dois foram construídos pelo governo em decorrência do Prosamim e apenas um foi escolhido para receber manutenção?”, indaga o administrador Lúcio Martins, 41, que mora nas proximidades dos dois locais.

O que a população desconhece é que o parque Paulo Jacob também poderia estar em boas condições de uso se não fosse o impasse entre a Prefeitura e o Governo do Estado para a administração do local.

O parque Senador Jefferson Péres é administrado pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC). A assessoria do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus  informou que em 2 de janeiro de 2007 a Unidade de Gerenciamento do Prosamim firmou convênio com a Fundação Municipal de Turismo (Manaustur) cuja denominação mudou para Fundação Municipal de Cultura e Artes (ManausCult), definido pela prefeitura, para assegurar o gerenciamento e administração dos espaços públicos e áreas de interesse comercial geradas pelo programa.

Pelo cronograma previsto, a fundação deveria ter iniciado o trabalho de  gestão dos espaços físicos em 2007, ano em que foi inaugurado o parque Paulo Jacob. E entre  as obrigações estariam: proteger e desenvolver o patrimônio turístico; monitorar a infraestrutura básica de serviços e equipamentos turísticos, adequando-os aos princípios do conceito qualidade; conservar o patrimônio turístico (natural e cultural).