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Manaus
MOURA TAPAJÓZ

Bebê morre em parto e caso vai parar na polícia após pais denunciarem negligência

Jovem, que estava grávida de cinco meses, entrou em trabalho de parto sozinha. O parto, conforme familiar, foi em pé e os pés do bebê saíram antes da cabeça. Caso ocorreu na Maternidade Doutor Moura Tapajóz 29/08/2017 às 22:01 - Atualizado em 29/08/2017 às 22:52
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Rayandra Malafaia (ao centro) disse que o bebê do sexo femino se chamaria Eloá: ‘é muito doloroso ver esse pesadelo’ (Foto: TV/A Crítica/reprodução)
Danilo Alves Manaus (AM)

A família de Rayandra Melo Malafaia, 19, denunciou à Polícia Civil uma das equipes de enfermeiros da Maternidade Doutor Moura Tapajóz, no Bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus.  Segundo os familiares de Rayandra,  a falta de atendimento adequado levou à morte da filha da jovem, logo depois do parto, ocorrido na última sexta-feira. 

De acordo com a cunhada da jovem, a professora Nataiane Gomes da Silva, 26, dois dias antes do parto, Rayandra fez exames de ultrassonografia na maternidade e tudo estava sem alterações. Por volta das 10h  da sexta-feira a jovem sentiu dores e foi levada à unidade hospitalar.

“Ela sentia muitas dores na barriga e estava perdendo líquido, então ela fez uma ultrassom. A médica disse  para ela tomar uns remédios e a mandaram para uma sala. Ninguém nos disse quais remédios eram. Depois de algumas horas, ela começou sentir as contrações”, disse, acrescentando que a família foi informada por alguns profissionais que o bebê estava morto, mas na hora do parto se debatia muito. 

Rayandra, que estava grávida de cinco meses, entrou em trabalho de parto sozinha. O parto, conforme Nataiane, foi em pé e os pés do bebê saíram antes da cabeça.

“A cabeça ficou presa e precisava de auxilio médico para sair. Ele estava com vida e se debatia muito. Só depois de 15 minutos depois, o médico apareceu e a cabeça da criança estava roxa, por conta da posição em que o bebê nasceu. Ele estava sufocando. Após o nascimento da criança, alguns enfermeiros enrolaram a criança em um pedaço de papel e a declararam como morta”, disse Nataiane. O bebê, no entanto, ainda chegou a ser levado a uma incubadora, segundo Nataiane.

A cunhada de Rayandra disse ainda que houve discussão na maternidade para que a mãe pudesse ver a criança. “Houve confusão com as enfermeiras que estavam atendendo, primeiro porque elas não diziam qual o medicamento que minha cunhada tomou, muito menos o procedimento que seria feito logo em seguida. A criança foi até levada a incubadora, mas nada mais podíamos fazer. A negligência ocasionou  morte dessa bebê”, denunciou. 

O autônomo Cayron Silva, 20, pai do bebê, acionou a Polícia Militar e contou toda a situação. Logo em seguida, ele informou que enfermeiras e médicos entraram em contradição e o caso foi parar na delegacia.

“Alguns diziam que a criança ainda estava viva e outros que ela já nasceu morta. Nenhum exame foi feito na Rayandra. Nosso bebê tinha cinco meses de gestação e a minha esposa fazia o pré-natal todos os meses. Os resultados eram sempre muito positivos, tanto a mãe como o bebê estavam saudáveis. É revoltante!”, disse. 

Rayandra teve alta da maternidade na última segunda-feira, está em casa e não corre risco de morte. O caso foi registrado no 8º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

IML se negou em fazer necrópsia,  diz cunhada da mãe

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)   informou que a comissão que administra o quadro de funcionários vai averiguar os fatos para saber o que ocorreu, identificando os enfermeiros e médicos que estavam no plantão. A secretaria prometeu que assim que tiver todos os dados sobre o ocorrido e as decisões que serão tomadas, serão repassadas à imprensa.

Em entrevista à TV A CRÍTICA, o pai do bebê disse esse foi o pior pesado que o casal poderia ter. A mãe disse:  “eu confio em Deus que vou fazer justiça pela vida dela  porque é muito doloroso ver esse sonho se transformando em pesadelo”.  

Nataiane, por sua vez, disse que a polícia solicitou a necrópsia, mas que o Instituto Médico Legal(IML) se negou fazer o exame, informando que não existe registro na história “de uma criança que sobrevivesse ao nascer com apenas cinco meses”.