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Passageiro do barco que naufragou no rio Negro fala sobre o drama

Segundo a sócia-proprietária do hotel de selva, Ellen Ritta Onorato, neste sábado, pela manhã, todos os oito turistas que foram atendidos em unidades de saúde em Manaus já tinham recebido alta 08/09/2012 às 16:21
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Na tarde de ontem, o barco Ariaú Açu virou no rio Negro com 45 pessoas a bordo
Lúcio Pinheiro Manaus

O Comando do 9º Distrito Naval informou, neste sábado (8), que vai abrir um Inquérito Administrativo para apurar as causas e responsabilidades do acidente envolvendo um barco do hotel de selva Ariaú Amazon Towers, ocorrido por volta das 16h da sexta-feira.  A embarcação transportava 45 pessoas - 39 turistas e seis tripulantes. Todos se salvaram.

Segundo a sócia-proprietária do hotel de selva, Ellen Ritta Onorato, neste sábado, pela manhã, todos os oito turistas que foram atendidos em unidades de saúde em Manaus já tinham recebido alta. Um homem fraturou um pé e uma mulher fraturou um braço. “Alguns perderam os passaportes, mas já entramos em contato com a Polícia Federal”, disse Ellen.

Dos 39 turistas, nove eram de nacionalidade americana e japonesa. Os outros eram de pessoas residentes na capital amazonense. Ellen informou que a embarcação virou após ser atingida por uma “tromba- d’água” (espécie de tornado que se forma sobre a água).

Ellen disse que as condições climáticas não indicavam a ocorrência de ventanias no momento da saída do barco do hotel de selva, que seguia com os turistas em direção ao píer do Tropical Hotel, localizado na avenida Coronel Teixeira, Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus.

A sócia-proprietária do hotel disse que acidentes desta natureza são inevitáveis. Ellen defendeu que os equipamentos de segurança da embarcação evitaram uma tragédia. “Uma situação dessa não tem como evitar. Graças a Deus, era o barco do Ariaú, que tem duas boias de sustentação, por isso não naufragou. Se fosse outro barco, tinha matado todas as pessoas. Esse é um barco que não vai para o fundo nem que queira”, declarou Ellen Ritta.

Em nota à imprensa, o Comando do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil confirmou, ontem, que não houve nenhuma vítima fatal ou desaparecidos. Uma equipe da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC) permaneceu fazendo a segurança da navegação no local do acidente até que a embarcação fosse rebocada, o que aconteceu ainda na noite de sexta-feira.

Segundo a assessoria do hotel, ainda na noite de ontem o barco foi rebocado para a margem do rio Negro, do lado de Manaus, e deve ser içado até o final do dia.

Passageiro fala sobre o drama

O empresário Rodrigo Malaquias Santos, 28, estava no barco Ariaú Açu com a mulher , a empresária Anelize Dias, 25, e duas filhas, uma de 7 e outra de 2 anos de idade. Com várias escoriações decorrentes do acidente, ele conta que registrou um Boletim de Ocorrência (BO) no 19º Distrito Integrado de Polícia (Dip) e reclama que, até o meio dia de hoje, não havia sido procurado pela direção do hotel Ariaú Tawers, cujos donos também são proprietários da embarcação. Segundo o empresário, embora tenha escapado da morte, ele teve um prejuízo financeiro na ordem de R$ 10 mil, aproximadamente, já que perdeu no acidente todos os pertences, tais como documentos, óculos, celulares, equipamentos eletroeletrônicos e algumas roupas

Para ele, o acidente foi causado por imprudência da pessoa que estavam pilotando o barco. "Pelo menos, ao ver a ventania, ele (comandante do barco) deveria ter colocado a embarcação mais próxima à margem, e não ter enfrentado as ondas como fez", disse Rodrigo.

Ainda bastante abalado o empresário comentou sobre o momento de desespero que passou com a família. Ele disse que comprou um pacote por R$ 250 por pessoa para passar o feriado de quinta-feira (05/09) no hotel de selva Ariaú. O valor dava direito a hospedagem e ao translado (ida e volta). Segundo ele, a embarcação saiu do hotel por volta das 14h e, embora a viagem estivesse aparentemente tranqüila, na metade da travessia do rio Negro começou a ventar forte.

Para o empresário, a embarcação era grande e havia poucas pessoas nela, mas na primeira revoada a embarcação tombou e a água começou a entrar, momento em que as pessoas entraram em desespero, crianças começaram a chorar e os pais a gritar na procura delas e dos coletes salva-vidas, os quais começaram a flutuar.

Algumas pessoas no desespero começaram a quebrar os vidros das janelas para sair da embarcação.   Rodrigo conta que sua mulher ficou com a perna presa na mesa de sinuca. "Nesse momento achei que íamos morrer todos, porque eu estava com as minhas filhas e ainda tive que resgatar a Aneliza", disse.

Segundo o empresário, várias pessoas telefonavam para o Corpo de Bombeiros, mas os atendentes custavam a acreditar nos relatos e acreditavam que se travatavm de trotes seguidos. O primeiro socorro chegou meia hora depois, uma embarcação particular que começou fazer o resgate das vítimas. Em seguida veio a Polícia Militar do Batalhão Ambiental. Ele disse que mesmo ferido, seguiu com a família no carro particular para o pronto socorro da Unimed, onde recebeu atendimento.

Colaborou a repórter Joana Queiroz.