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Passageiros da agonia são aqueles que dependem do transporte público em Manaus

Usuários do transporte público convivem com a falta de espaço nas calçadas e ausência de visibilidade provocada pelas árvores em certas avenidas e ruas da cidade que atrapalham na hora de pegar o ônibus 31/03/2012 às 21:33
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A demora dos coletivos lotam as paradas de ônibus
Milton de Oliveira Manaus

Usuários do transporte coletivo e estudantes colocam em risco as próprias vidas, diariamente, ao esperar por ônibus, no asfalto, na parada situada na avenida Getúlio Vargas, Centro da cidade, entre as ruas Huascar de Figueiredo e Lauro Cavalcante, próximo a uma sorveteria. A justificativa é de que a falta de visibilidade, provocada pelas árvores do local, os leva a perder o transporte.

Segundo estudantes, a falta de espaço na calçada, provocada por vendedores ambulantes, “empurram” também, os usuários para o asfalto. “As pessoas tem que entender que o número de estudantes nessa área aumentou muito. Temos mais de três escolas estaduais, faculdades e cursos profissionalizantes. E os camelôs ocupam mais da metade da calçada”, disse o estudante universitário Alípio Mendonça, 26.

Horários
Os horários de maior aglomeração na parada são do meio-dia às 18h, quando os estudantes estão saindo ou chegando aos estabelecimentos de ensino, e trabalhadores vão às suas residências. Usuários disseram que a maioria dos estudantes costuma pegar o transporte coletivo naquele ponto de ônibus. “Eu acredito que as autoridades não estão atentas às mudanças do cotidiano da cidade. As árvores plantadas na calçada e os camelôs não deixam espaço para o usuário, e você tem que esperar o ônibus no asfalto”, contou a estudante do ensino médio Mayara Chaves, 18.

Ela disse também, que alguns coletivos desviam o trajeto, passando por detrás dos que estão parados. “Você não pode perder o ônibus, porque eles demoram muito para passar”, falou a estudante.

Conforme os vendedores ambulantes instalados na parada da Getúlio Vargas, as bancas não atrapalham. “Nós ocupamos a metade da calçada e outros menos da metade. Eu acho que eles (usuários) podem ficar na outra metade”, disse o camelô Antônio Ferreira, 38.

SMTU promete reforma e pinturas, mas órgão não informa a data de início e fim das obras
Por meio de nota enviada para a redação de A CRÍTICA, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que a parada da Getúlio Vargas, passará por reformas e pintura. “Sobre a questão das árvores que atrapalham a visibilidade dos usuários de transporte, a SMTU comunica que irá solicitar da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) a poda destas árvores”, finaliza o texto enviado pela assessoria de comunicação.

Outra dificuldade, esta enfrentada pela hoteleira Maria Assunção, 45, que mora na avenida Coronel Teixeira (antiga Estrada da Ponta Negra), é o perigo de que, com a aglomeração na parada de ônibus, ela perder seu coletivo que passa na Getúlio Vargas após a meia-noite. “Uma vez quase perdi meu ônibus. Tive que correr um ‘bocado’”, relata a trabalhadora.

Análise
Arnóbio Bezerra
Sociólogo

Para o sociólogo do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Arnóbio Bezerra, a cidade está passando por um processo de “construção destrutiva”. “Isso significa que, para se construir, tem que se destruir. Você olha para todos os lados e a sensação é de caos e todo mundo sofre os efeitos. Isso precisa ser compreendido”, ressaltou.

Ainda segundo ele, há espaços sociais, que não são preenchidos pelo poder público. “O Estado não consegue chegar a tudo, em tão pouco tempo ou rapidamente. Então, isso gera descrença política. Um exemplo está no transporte. Se cobramos, é porque pagamos os impostos, e temos que cobrar”, afirmou.

Para o sociólogo não há uma solução a curto prazo e quem sofre é a população. Por outro lado, ele reconhece que a situação exige planejamento que contemple também, outros aspectos, porque o povo quer solução.