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Patrimônio de vereador cresceu mais de 3.000% durante mandato em Manaus

 Médico por formação, Vítor Gomes Monteiro (PTN) aparece como o parlamentar que tem a mais alta declaração de bens 14/07/2012 às 08:42
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Os vereadores Vítor Gomes Monteiro (acima, à esquerda), Roberto Sabino (à direita), Mirtes Sales e Reizo Castelo Branco têm os maiores patrimônios
Lúcio Pinheiro Manaus

Quatro dos 34 vereadores de Manaus que concorrem à reeleição este ano ampliaram o patrimônio deles entre 1.000% e 3.900%. O parlamentar que mais enriqueceu no último mandato foi Vítor Gomes Monteiro (PTN): 3.936%.

Na semana passada, ao pedir o registro de candidatura, Vítor declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 1,1 milhão em bens. O valor é 40 vezes maior que os R$ 27,2 mil que ele disse ter em bens em 2008.

Vitor é médico e está no quarto mandado de vereador. Mas foi de 2008 em diante que o parlamentar amealhou o patrimônio apresentado à Justiça, como uma casa na avenida do Turismo, na Zona Oeste de Manaus, no valor de R$ 550 mil e outro imóvel no Centro, no valor de R$ 250 mil.

Nessa sexta-feira (13), por telefone, o parlamentar disse que estava em uma reunião e não poderia atender a reportagem.

Em segundo lugar na lista dos que mais enriqueceram na Câmara Municipal de Manaus (CMM), está o vereador Reizo Castelo Branco (PTB). Em quatro anos, o patrimônio dele cresceu 2.639%. Esse é o primeiro mandato do vereador.

Com uma declaração de bens estimada em R$ 534 mil, Reizo conseguiu, nesse primeiro mandato, ficar mais rico que o pai dele, o deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB). Candidato a prefeito de Manaus, Sabino declarou possuir R$ 237,6 mil em bens. O deputado já foi vereador e está no segundo mandato na Câmara.

Em 2008, Reizo declarou apenas um bem: a empresa RRS Comércio e Representação de Produtos Alimentícios, Bebida e Fumo Ltda, estimada em R$ 19,5 mil. Quatro anos depois, o jovem de 25 anos tem quotas de capital de mais três empresas, a propriedade de um apartamento no valor de R$ 107,3 mil, e um sítio na margem do rio Tarumã orçado em R$ 126,5 mil. A assessoria do vereador informou ontem que ele viajou a Brasília e só poderia atender à reportagem na segunda-feira.

O terceiro vereador que apresentou maior aumento de patrimônio em quatro anos é Roberto Sabino (PRTB). Em 2008, quando concorreu e ganhou o terceiro mandato na CMM, ele informou à Justiça Eleitoral que possuía apenas um veículo modelo Celta (ano 2005/2006) que valia R$ 18 mil. Este ano, o parlamentar apresentou uma declaração de bens estimada em R$ 244,3 mil. Um crescimento de 1.257%.

A lista seleta fecha com a vereadora Mirtes Sales (PPL). A parlamentar está no segundo mandato. E foi neste último que o patrimônio dela cresceu 1.043%. Em 2004, Mirtes declarou ter como bem o carro modelo S10, no valor de R$ 45 mil. Hoje, o patrimônio dela é de R$ 541,2 mil.

A declaração de bens, assinada pelo/a candidato/a é um dos documentos que a Justiça Eleitoral exige dos partidos e coligação no momento em que é pedido o registro das candidaturas. As informações devem ser semelhantes às apresentadas à Receita Federal.

Miki tem o maior patrimônio declarado     

Massami Miki (PSL) é o vereador mais rico da Câmara Municipal de Manaus (CMM). O patrimônio declarado do parlamentar este ano é de R$ 1,9 milhão. E o segredo? “Muito trabalho”, afirma Massami.

Em números absolutos, Massami foi o que mais aumentou o patrimônio. A última declaração de bens dele apresentada à Justiça Eleitoral, em 2008, foi de R$ 483,8 mil. O salto para R$ 1,9 milhão representa um crescimento de 310%. “Trabalhei muito empresarialmente”, justificou ele.

No quarto mandato, Massami é empresário, e tem formação em Direito e Agronomia. E disse prestar assessoria técnica na área tributária. Segundo o parlamentar, ele não esconde nada da Justiça Eleitoral. “O problema é que eu declaro tudo que eu tenho”, declarou.

 Parlamentares revelam as receitas

Formado em Odontologia, o vereador Roberto Sabino disse que o patrimônio cresceu 1.257% porque fez economia. “De alguma forma a gente se apertou para fazer economia para crescer um pouquinho”, explicou o parlamentar.

A declaração de uma casa no valor de R$ 200 mil é o principal responsável pelo salto no patrimônio de Sabino. O imóvel não foi declarado em 2008 por um “equívoco”, disse Sabino.

O parlamentar declarou este ano ter R$ 29,3 mil em ações da Companhia Vale S/A. “A poupança não dá nada. Por isso, peguei minhas economias e apliquei em ações”, explicou Sabino.

A vereadora Mirtes Sales informou que tudo o que tem é financiado. “Sempre tive costume de trocar carro de três em três anos. Vendo, dou entrada em outro e financio o restante. Mas o que tenho é tudo financiado”, declarou.

Entre os bens de maior valor no patrimônio de Mirtes estão um apartamento financiado no valor de R$ 273,6 mil, uma casa no valor de R$ 120 mil e uma caminhonete Captiva no valor de R$ 60 mil. A vereadora informou que já trocou de carro. E vai retificar a declaração de bens.

Candidatos pobres e altas despesas 

Os vereadores Denis Almeida, Modesto Rodrigues, Jaildo dos Rodoviários, Jeferson Anjos e Hissa Abrahão não tiveram a mesma sorte que os outros cinco colegas de parlamento. Pelo menos é o que eles declararam à Justiça Eleitoral este ano.

Denis, Modesto, Jaildo e Jeferson informaram ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) que não possuem nenhum patrimônio.

Hissa, que concorre ao cargo de vice-prefeito na chapa do ex-senador Artur Neto (PSDB), declarou ao TRE-AM ter um patrimônio R$ 158,09. O dinheiro está depositado em uma conta do Banco do Brasil.

Por 12 sessões plenárias mensais, cada vereador ganha R$ 9,2 mil de salário. Cada um conta ainda com R$ 8 mil do Cotão para bancar despesas com transporte, gasolina, alimentação e material de divulgação. E mais R$ 40 mil dispensados para contratação de assessores a título de verba de gabinete. Uma vez por ano, cada vereador ainda ganha o auxílio paletó que equivale a um salário.

Denis, vereador de primeiro mandato, e Modesto, no quarto, são médicos. E apesar de garantirem à Justiça Eleitoral que não possuem bens, cada um estipulou como limite de gastos nesta campanha R$ 500 mil.

Jaildo é outro parlamentar que mesmo desprovido de patrimônio definiu em R$ 500 mil o limite de gastos de campanha. Esse é o primeiro mandato do vereador.

Jeferson foi mais ousado: garantiu ao TRE-AM que não possui bens, ao mesmo tempo em que prometeu não gastar na campanha mais do que R$ 1 milhão. O parlamentar está no segundo mandato.