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Pedestres ainda se sentem inseguros, mesmo com a redução de mortes em Manaus

No Dia Mundial dedicado a eles, reportagem evidencia que na maioria das vias de Manaus faltam faixas e atenção de motoristas 09/08/2012 às 07:00
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Embora reclamem dos motoristas, que não lhes dão a preferência, pedestres de Manaus também contribuem para colocar em risco a própria vida. Muitos optam por ignorar a segurança da passarela
Carolina silva Manaus

Mesmo com uma redução de 26,58% no número de atropelamentos fatais em Manaus, pedestres se sentem cada vez mais inseguros em atravessar as ruas. No primeiro semestre deste ano foram registrados 59  atropelamentos fatais na cidade. Os dados são do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans). No mesmo período do ano passado foram registradas 79 vítimas.

A falta de faixas de segurança em ruas e avenidas com grande fluxo de veículos é o principal problema apontado por pedestres que temem pelos riscos durante a travessia. Muitos se sentem ignorados pelos motoristas e revelam passar por uma luta diária que eles travam com os veículos. Nem mesmo nos locais reservados para o pedestre - faixas de segurança - eles têm respeitados os direitos ou pelo menos as preferências observados pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Na avenida Max Teixeira, Cidade Nova, Zona Norte, faixas de segurança são comuns apenas onde há a sinalização com semáforos. O mesmo ocorre em outras avenidas como Noel Nutels, no mesmo bairro, Autaz Mirim, no São José, e Itaúba, no Jorge Teixeira, ambas na Zona Leste. Além disso, em outras vias como na avenida do Turismo, Tarumã, Zona Oeste, as faixas de segurança são raras.

“É perigoso atravessar aqui na avenida do Turismo porque os veículos trafegam em alta velocidade e não temos faixas de pedestres. Quando a gente acha que  vai dar tempo de atravessar, vem um motorista sem controle e passa quase voando por aqui. A gente sente falta de sinalização para que o pedestre seja respeitado aqui”, reclama a diarista Maria de Fátima Souza, 32, que precisa atravessar a via para chegar ao local de trabalho.

Zona Norte
Na avenida Max Teixeira, Cidade Nova, pedestres também se sentem inseguros ao atravessar a pista de rolamento. “Se você não for atravessar na faixa embaixo do semáforo, é preciso ficar minutos esperando para conseguir atravessar. Os motoristas só respeitam a sinalização  deles”, criticou o estudante Adriano Sales, 23.

O mesmo problema se repete até em conjuntos, onde também há grande fluxo de veículos e de pedestres em horários de pico de manhã e de tarde. Nas avenidas Américo Antony e Fábio Lucena (antigas Penetração 2 e 3), no conjunto 31 de Março, Japiim 2, pedestres se arriscam entre carros, ônibus e caminhões em horários de pico como 7h e 17h.

“Por ser um conjunto residencial não há uma preocupação do poder público colocar faixa de segurança aqui. Mas os motoristas que saem do Distrito Industrial usam essas vias para desviar da avenida Buriti. É horrível atravessar aqui de manhã cedo e no final da tarde”, reclamou o autônomo Arlindo Oliveira, 29.

Passarela é inaugurada
Nesta quarta (8), no Dia Mundial do Pedestre, a prefeitura inaugurou a passarela da avenida Umberto Calderaro, Zona Centro-Sul, em frente a um shopping da cidade. Mesmo assim, pela manhã, pedestres ainda insistiam em atravessar a via sem utilizar a passarela.

Um gradil foi instalado no canteiro central , numa extensão de 300 metros da via, para induzir os pedestres a atravessarem com segurança. Mas, algumas pessoas continuam se arriscando na travessia ao optarem em atravessar a alguns metros de distância da passarela.

“Muitos pedestres culpam os motoristas por desrespeitarem os direitos deles, mas eles mesmos desrespeitam a a vida deles. Se não tivesse a passarela, estariam reclamando,  e quando tem não a utilizam”, criticou o publicitário Fernando Amorim, 25. Mas, a promotora de vendas Eliane Andrade, 28, contesta alegando a insegurança do usuários da passarela em relação a assaltos.

Fuga
No último dia 29 de abril, Isaura Souza Rezende, 58, foi atropelada por uma motocicleta na avenida do Turismo (sentido Ponta Negra), Tarumã, Zona Oeste, quando atravessava a via, por volta de 15h30. A vítima teve a perna decepada e o condutor da motocicleta fugiu do local sem prestar socorro, o que é tradição nestes casos.

Em um ano foram pintadas 250 faixas
O Manaustrans não informa quantas faixas de pedestre estão pintadas na cidade, mas diz que de julho de 2011 até julho deste ano foram pintadas  250 novas;

Em 2010, a Prefeitura de Manaus fechou um contrato de R$ 90.832.890,49 com a empresa Consladel, responsável pelas lombadas eletrônicas e pintura de faixas de segurança;

Segundo o Manaustrans, o órgão faz um levantamento do fluxo de pedestre e veículos nas vias para poder comprovar a viabilidade da pintura de faixa;

O órgão municipal de trânsito também informou que os pedestres podem fazer a solicitação de faixas de segurança por meio do 0800 092 1188;

De acordo com o Manaustrans, as vias que mais registram atropelamentos são na Zona Leste.

Dicas
Como motoristas e pedestres devem agir nas seguintes situações:

É direito
Onde há faixa de pedestre e não há semáforo: o motorista tem que dar, sempre, a preferência ao pedestre;

Preferencial
Onde não há semáforo para pedestre, mas há o de veículos: o pedestre tem que esperar o semáforo fechar. Será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem dos veículos;

Bom senso
Onde não há faixa de segurança, o pedestre deve atravessar em local seguro e o motorista deve dar a preferência;